Plebiscito Popular termina com mais de 7 mil votos no RN
Natal, RN 22 de jul 2026

Plebiscito Popular termina com mais de 7 mil votos no RN

9 de novembro de 2025
5min
Plebiscito Popular termina com mais de 7 mil votos no RN
Foto: Divulgação

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O Plebiscito Popular que ouviu a população brasileira sobre o fim da escala 6×1 sem redução de salário, isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil e a taxação dos super-ricos encerrou em outubro com mais de 2,1 milhões de votos coletados no país, sendo mais de 7 mil no Rio Grande do Norte.

A campanha se estendeu por 103 dias, de 1º de julho a 12 de outubro. Nesse período, recebeu 2.118.419 votos, com urnas montadas em todo o território nacional e participação pela Internet. No RN, ao todo, foram 7.268 votos. Uma vitória ainda aconteceu após o fim da votação: na última quarta-feira (5), por unanimidade, o Senado aprovou por unanimidade o projeto de lei que eleva para 5 mil reais mensais a faixa de isenção do Imposto de Renda. A mesma medida havia sido aprovada em 1º de outubro pela Câmara.

O Plebiscito Popular foi organizado pelas Frentes Brasil Popular e Povo sem Medo, que reúnem nacionalmente mais de 100 movimentos sociais. Também participam da organização, as centrais sindicais. A ideia se inspirou na experiência de 2002, com a consulta popular sobre a ALCA (Área de Livre Comércio das Américas), que contou com 10 milhões de votos. Segundo Mara Farias, integrante da Frente Brasil Popular no Rio Grande do Norte, o processo se diferenciou de plebiscitos anteriores pela força da internet e da mobilização virtual.

“Eu acho que nesse momento da era digital foi um processo bom de mobilização social, principalmente dentro do contexto de luta contra a PEC da Blindagem, o que deu uma animada no povo, na sociedade. O engajamento nas ruas foi um pouco menor em vista de outros processos”, explica. 

Em plebiscitos passados, como no da ALCA, da propriedade da terra e da Constituinte, ela diz que a mobilização presencial foi maior porque não havia os recursos tecnológicos que existem hoje para conquistar os votos online.

“Com a internet, ela [mobilização presencial] diminuiu um pouco mais, mas não perdeu o seu caráter mobilizador e organizativo também, de comitês, de assembleias, de reuniões, de atos culturais. Então, foi importante no sentido da mobilização social e de ajudar também a potencializar outras lutas que aconteceram ao longo desse caminho”, diz. 

Mesmo com o saldo de mais de 2 milhões de votos já coletados no país, Farias diz que outros ainda estão sendo levantados. 

“Ainda estão, na verdade, recolhendo votos de pessoas que não estão acostumadas com o uso dos recursos tecnológicos, ajudando com um scanner. Antes, a votação era feita só por urna e papel, e os resultados eram enviados pelos Correios. Dessa vez tudo foi digitalizado, então o scanner das listas, das cédulas, inserido num portal digital. Então, teve essa diferença de outros processos que era tudo mais analógico e dessa vez a gente usou recursos mais da área da internet.”

Coleta se estendeu para o interior e diferentes categorias de trabalhadores

A militante da Frente Brasil Popular destaca o caráter amplo da mobilização, que não se limitou à capital e nem somente aos trabalhadores afetados diretamente pela escala 6×1.

“Houve uma mobilização entre os sindicatos, o movimento de juventude, mulheres, trabalhadores rurais, então não se limitou ao aos trabalhadores do comércio”, diz.

Ela, que trabalha no Sindicato dos Empregados em Supermercados e Similares do RN (Sindsuper), conta que houve uma mobilização em torno dessa categoria, em idas aos supermercados e com urna fixa desde o início da votação na sede da entidade.

“Os trabalhadores vinham votar, então teve um processo mobilizador interno também entre os sindicatos de categoria, que de fato são atingidos pela escala 6×1, mas também entre os trabalhadores que não necessariamente são atingidos, como o sindicato dos professores, sindicatos rurais, Movimento Sem Terra. Teve uma integração, uma unidade estadual e nacional em torno da pauta”, ressalta.

Durante o Plebiscito, constavam duas perguntas presentes na cédula: “você é a favor da redução da jornada de trabalho sem redução salarial, e pelo fim da escala 6×1?”, e “você é a favor de que quem ganhe mais de 50 mil pague mais imposto, para que quem recebe até 5 mil não pague imposto de renda.”

Segundo Mara, a recente votação do Senado sobre a isenção do Imposto de Renda demonstrou que a vitória foi construída dos dois lados, entre a sociedade civil organizada e a institucionalidade.  

“Quando teve o plebiscito da ALCA, o plebiscito da Constituinte, todos eles foram fatores mobilizadores para chegar até o Senado”, faz o paralelo.

Próximos passos

Entre os próximos passos, diz Farias, está a entrega dos votos em Brasília, provavelmente em dezembro ou no início de 2026. Nesta quinta (6) já aconteceu uma reunião para avaliação nacional, e também devem ocorrer plenárias de avaliação estaduais e municipais. 

“É manter ativa a pauta e a construção de atos”, destaca a militante.

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