Professora da Ufersa vence prêmio com tese sobre Benedita da Silva
Natal, RN 12 de jul 2026

Professora da Ufersa vence prêmio com tese sobre Benedita da Silva

10 de novembro de 2025
3min
Professora da Ufersa vence prêmio com tese sobre Benedita da Silva
Tese de Rayane Andrade reconstrói a trajetória de uma das mais importantes figuras políticas e sociais do país, Benedita da Silva - Foto: divulgação

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Com uma pesquisa sobre Benedita da Silva, a professora do curso de Direito da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), Rayane Andrade, venceu o Prêmio de Melhor Tese em Direitos Humanos do Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos e Cidadania (PPGDH), da Universidade de Brasília (UnB), referente ao período de 2022 a 2025.

O anúncio foi feito pela coordenação do programa na última semana, após avaliação de trabalhos por uma comissão composta por docentes e discentes. Rayane defendeu em dezembro de 2023 a tese “Benedita da Silva: caminhos de uma mulher negra e favelada na luta por direitos humanos no Brasil”. O trabalho — com orientação de Vanessa Castro — reconstrói a trajetória da ex-governadora do Rio de Janeiro e atual deputada federal pelo PT, reconhecida por sua militância em defesa das populações negras, periféricas e femininas.

Natural de Juçara (GO), Rayane é radicada no Rio Grande do Norte há alguns anos e já concorreu a vice-prefeita de Mossoró pelo PT, em 2016, e a deputada estadual em 2022, em dobradinha com Natália Bonavides. Desde 2023, é docente do curso de Direito da Ufersa, em Mossoró, onde leciona disciplinas de estágio e de Direitos Humanos. 

De acordo com a docente, a tese foi o primeiro texto doutoral sobre as contribuições de Benedita da Silva para os Direitos Humanos no Brasil. 

“Essa mulher precisa ser reconhecida em sua grandeza”, afirmou.

A professora destacou que o prêmio representa muito mais que um reconhecimento individual. 

“É uma validação coletiva, uma reverência à atuação combativa e atual de Benedita da Silva. É o reconhecimento de que a Universidade pode e deve valorizar os saberes e as contribuições de pessoas negras e mulheres”, disse.

Na tese, Rayane analisou a produção intelectual e política de Benedita da Silva, tendo como fontes a autobiografia publicada em 1997, livros, entrevistas, campanhas, materiais audiovisuais, discursos parlamentares e projetos de lei. Utilizando ferramentas computacionais, como o Iramuteq, a pesquisadora mapeou os principais eixos da contribuição de Benedita para os Direitos Humanos no Brasil.

“Benedita é nosso presente-ancestral”, define Rayane. “Ela é uma figura extraordinária, que o povo brasileiro precisa conhecer ainda mais. As principais medidas de Direitos Humanos voltadas a mulheres, negros, indígenas e quilombolas têm as digitais dessa mulher”.

Ex-militante estudantil e hoje professora universitária, Rayane também refletiu sobre o significado da conquista. 

“O prêmio valida uma história, mas não apaga os desafios. Ser uma mulher negra no ensino jurídico é romper um padrão. Ainda enfrentamos barreiras estruturais, mas seguimos inspiradas pela luta de figuras como Benedita”, afirma.

Para a pesquisadora, os desafios atuais dos Direitos Humanos são urgentes e complexos. 

“Vivemos tempos difíceis, em que discursos eugênicos, misóginos e racistas voltam a ganhar espaço. Precisamos estar atentas, porque as garantias não são permanentes –  apenas a luta pela sua manutenção o é”, conclui.

A tese está disponível no Repositório da UnB e pode ser conferida clicando AQUI.

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