Professora da Ufersa vence prêmio com tese sobre Benedita da Silva
Com uma pesquisa sobre Benedita da Silva, a professora do curso de Direito da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), Rayane Andrade, venceu o Prêmio de Melhor Tese em Direitos Humanos do Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos e Cidadania (PPGDH), da Universidade de Brasília (UnB), referente ao período de 2022 a 2025.
O anúncio foi feito pela coordenação do programa na última semana, após avaliação de trabalhos por uma comissão composta por docentes e discentes. Rayane defendeu em dezembro de 2023 a tese “Benedita da Silva: caminhos de uma mulher negra e favelada na luta por direitos humanos no Brasil”. O trabalho — com orientação de Vanessa Castro — reconstrói a trajetória da ex-governadora do Rio de Janeiro e atual deputada federal pelo PT, reconhecida por sua militância em defesa das populações negras, periféricas e femininas.
Natural de Juçara (GO), Rayane é radicada no Rio Grande do Norte há alguns anos e já concorreu a vice-prefeita de Mossoró pelo PT, em 2016, e a deputada estadual em 2022, em dobradinha com Natália Bonavides. Desde 2023, é docente do curso de Direito da Ufersa, em Mossoró, onde leciona disciplinas de estágio e de Direitos Humanos.
De acordo com a docente, a tese foi o primeiro texto doutoral sobre as contribuições de Benedita da Silva para os Direitos Humanos no Brasil.
“Essa mulher precisa ser reconhecida em sua grandeza”, afirmou.
A professora destacou que o prêmio representa muito mais que um reconhecimento individual.
“É uma validação coletiva, uma reverência à atuação combativa e atual de Benedita da Silva. É o reconhecimento de que a Universidade pode e deve valorizar os saberes e as contribuições de pessoas negras e mulheres”, disse.
Na tese, Rayane analisou a produção intelectual e política de Benedita da Silva, tendo como fontes a autobiografia publicada em 1997, livros, entrevistas, campanhas, materiais audiovisuais, discursos parlamentares e projetos de lei. Utilizando ferramentas computacionais, como o Iramuteq, a pesquisadora mapeou os principais eixos da contribuição de Benedita para os Direitos Humanos no Brasil.
“Benedita é nosso presente-ancestral”, define Rayane. “Ela é uma figura extraordinária, que o povo brasileiro precisa conhecer ainda mais. As principais medidas de Direitos Humanos voltadas a mulheres, negros, indígenas e quilombolas têm as digitais dessa mulher”.
Ex-militante estudantil e hoje professora universitária, Rayane também refletiu sobre o significado da conquista.
“O prêmio valida uma história, mas não apaga os desafios. Ser uma mulher negra no ensino jurídico é romper um padrão. Ainda enfrentamos barreiras estruturais, mas seguimos inspiradas pela luta de figuras como Benedita”, afirma.
Para a pesquisadora, os desafios atuais dos Direitos Humanos são urgentes e complexos.
“Vivemos tempos difíceis, em que discursos eugênicos, misóginos e racistas voltam a ganhar espaço. Precisamos estar atentas, porque as garantias não são permanentes – apenas a luta pela sua manutenção o é”, conclui.
A tese está disponível no Repositório da UnB e pode ser conferida clicando AQUI.