Bolsonaristas do RN querem barrar Erika Hilton na presidência da Comissão da Mulher
Natal, RN 12 de jun 2026

Bolsonaristas do RN querem barrar Erika Hilton na presidência da Comissão da Mulher

18 de março de 2026
4min
Bolsonaristas do RN querem barrar Erika Hilton na presidência da Comissão da Mulher
Fotos: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

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Vinte e oito deputados de partidos do Centrão e bolsonaristas, dentre eles os potiguares Sargento Gonçalves (PL) e Carla Dickson (União) apresentaram um projeto de lei para, na visão do grupo, tentar impedir a deputada Erika Hilton (PSOL-SP) de assumir como presidenta da Comissão dos Direitos da Mulher da Câmara. 

O projeto apresentado nesta segunda-feira (16) propõe uma alteração no Regimento Interno da Câmara dos Deputados para que a presidência e as vice-presidências da comissão sejam ocupadas “por deputadas do sexo feminino, indicadas pelos líderes partidários a que forem destinadas as respectivas vagas”. Erika Hilton é uma mulher trans e o gênero feminino também consta em seus documentos. 

O texto ainda cita que a eleição de Erika para a presidência da Comissão da Mulher gerou uma “legítima comoção entre as parlamentares”, ainda que a deputada tenha sido eleita com o próprio voto das deputadas.

A proposta também se contradiz ao dizer que não faz “qualquer juízo de valor sobre a identidade de gênero de quem quer que seja” e afirma que “tem por objetivo resguardar o espaço das mulheres do sexo feminino”, mesmo que Erika Hilton seja vista como tal.

Das 28 assinaturas do texto, 17 são de deputados homens. 

Erika Hilton foi eleita para presidir a Comissão da Mulher em 11 de março, tendo recebido 11 votos, e houve 10 votos em branco. O escrutínio ocorreu de maneira secreta.

Saiba Mais: Carla Dickson falha ao tentar barrar Erika Hilton na presidência da Comissão da Mulher

Única parlamentar potiguar a integrar a comissão, Carla Dickson (União) protestou, disse que votaria contra, afirmou que Erika “se diz mulher” e que ela não a representa, mas viu sua posição ser superada. 

A deputada psolista é a primeira mulher trans a assumir o comando do colegiado. Ainda durante a reunião de instalação da Comissão dos Direitos da Mulher, Erika Hilton discursou enquanto presidenta e rechaçou a violência contra a presença de uma pessoa trans à frente do colegiado.

“Nós conseguimos extrapolar a barreira do ódio, a barreira do preconceito, a barreira da discriminação, a barreira da invisibilidade e da negação da própria identidade. E nós ao sentarmos nessa cadeira não faremos uma gestão sem se preocupar com a pluralidade da Câmara dos Deputados, com a importância da pauta das mulheres e com aquilo que é extremamente fundamental para fazer um enfrentamento à essa violência patriarcal misógina que tem acometido meninas e mulheres”, afirmou a presidenta eleita.

“Eu espero que nós, com a pluralidade dos partidos que aqui compõem esta comissão, não nos preocupemos e não demos importância à condição de gênero da presidenta da Comissão da Mulher. Mas que o que valha aqui, de fato, sejam as problemáticas que nós precisamos enfrentar no nosso país, seja enfrentar o discurso de ódio, o crescimento desta onda incel e red pill”, continuou.

A comissão também elegeu Laura Carneiro (PSD-RJ) para 1ª vice-presidenta; Delegada Adriana Accorsi (PT-GO) para 2ª vice-presidenta; e Socorro Neri (PP-AC) para 3ª vice-presidenta. 

A vitória de Erika só ocorreu porque houve um segundo escrutínio. Na primeira tentativa de eleição, a chapa foi derrotada por não ter recebido a maioria absoluta dos votos (no universo de um quórum com 22 pessoas). A deputada recebeu 10 votos e 12 deputados (alguns membros são homens) votaram em branco. Na segunda votação, com quórum de 21 pessoas, ocorreu a vitória.

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