RN define regras para eleição indireta mesmo após Fátima decidir concluir mandato
Natal, RN 7 de jul 2026

RN define regras para eleição indireta mesmo após Fátima decidir concluir mandato

26 de março de 2026
5min
RN define regras para eleição indireta mesmo após Fátima decidir concluir mandato
Lei foi sancionada pela governadora Fátima Bezerra (PT) - Foto: Governo do RN

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O Governo do Rio Grande do Norte sancionou uma lei com as regras para a realização de eleição indireta em caso de dupla vacância dos cargos de governador e vice-governador a partir do terceiro ano do mandato. A lei 12.650 foi publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) desta quarta-feira (25), mesmo após Fátima Bezerra (PT) confirmar que fica no cargo até o fim do mandato.

A hipótese de eleição para um mandato-tampão vinha sendo alimentada há meses, pela possibilidade de Fátima renunciar para concorrer ao Senado e do vice Walter Alves (MDB) sair para concorrer a deputado estadual. Por isso, a Assembleia colocou o projeto em tramitação, que foi aprovado pelos deputados. Fátima, no entanto, anunciou na semana passada que continuará no comando do Executivo e Walter, da mesma forma, vai continuar como vice, já que no caso dele a renúncia para concorrer a deputado não é obrigatória.

Pelas regras da nova lei, imediatamente após declarada a última vacância, caberá ao Poder Legislativo promover o chamamento sucessivo das autoridades indicadas na Constituição Estadual, e, simultaneamente, deflagrar o processo de eleição indireta. Após o vice, a linha sucessória é formada pelo presidente da Assembleia e pelo presidente do Tribunal de Justiça, que deverá convocar a eleição indireta em até 30 dias após a formalização da renúncia dos titulares. A votação, nesse caso, cabe aos deputados estaduais.

A eleição para preenchimento dos cargos é feita pelo voto aberto e nominal dos deputados, em sessão extraordinária convocada exclusivamente para esse fim, mediante a inscrição de chapas para ambos os cargos. Excepcionalmente para a eleição indireta, será considerado elegível o candidato que comprovar que obteve o registro partidário regular pelo menos um dia antes da inscrição da chapa. A desincompatibilização também pode acontecer até o dia anterior.

Cada partido poderá participar da indicação de uma única chapa, devendo ser conjunta quando os seus integrantes forem de partidos diferentes. A Assembleia Legislativa deverá prever, em seu procedimento, etapas que comportem pedidos de reconsideração e impugnações de candidatos e chapas, manifestações em resposta pela parte adversa, prazos em dias úteis e publicação de suas deliberações em diário. 

Vencerá a eleição, em primeiro escrutínio, a chapa que obtiver a maioria absoluta dos deputados; não alcançado este quórum, será refeita a votação, em segundo escrutínio, com as duas mais votadas no primeiro, elegendo-se a que obtiver a maioria simples dos votos válidos, desconsiderados os nulos e as abstenções. Ainda assim, caso o empate persista no segundo escrutínio, será eleita a chapa que contiver o candidato mais idoso para o cargo de governador. Os eleitos serão empossados perante o plenário da Assembleia Legislativa e cumprirão seus mandatos até o fim do período do mandato de seus antecessores.

Fátima abre mão do Senado

O comunicado da governadora foi feito em 17 de março por meio de uma carta publicada nas redes sociais e explicada em coletiva de imprensa. Na carta, a governadora transforma a desistência eleitoral em um discurso de compromisso político, defesa da coerência pessoal e resistência política.

“A coragem sempre me acompanhou”, escreve, e segue: “Agora, tenho coragem também de renunciar a uma disputa que era legítima, esperada, necessária – por tudo que estará em jogo no Senado Federal a partir de 2027, com a ofensiva da extrema-direita contra a democracia – e para seguir defendendo os interesses do povo do Rio Grande do Norte. Esse era o desejo de Lula, do PT e de parte expressiva do eleitorado como já constatado em pesquisas”, explicou.

Saiba Mais: Fátima Bezerra: “Não há cargo no Senado que valha meu compromisso com o RN”

Ao justificar a permanência no governo, a governadora afirmou que a escolha está acima de projeto pessoal. “Nunca me guiei por oportunismo ou interesse próprio”, disse. Em um dos trechos centrais da carta, reforçou: “Não há cargo no Senado que valha minha coerência, meus valores, minha honradez e meu compromisso com o Rio Grande do Norte”.

Mas a carta não se limitou à prestação de contas. O texto também explicitou a crise política que atravessou a discussão sobre sua eventual candidatura ao Senado. Fátima afirmou que, para viabilizar a disputa,“era necessário que o vice assumisse o governo”, mas diz que ele “rompeu o compromisso firmado em 2022, atendendo a interesses de uma velha elite que nunca aceitou um RN governado pelo povo”.

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