Estudo não encontra eficácia da cannabis medicinal para ansiedade e depressão
Natal, RN 6 de jun 2026

Estudo não encontra eficácia da cannabis medicinal para ansiedade e depressão

6 de junho de 2026
3min
Estudo não encontra eficácia da cannabis medicinal para ansiedade e depressão
O trabalho foi descrito pelos autores como "a maior revisão já feita sobre a segurança e eficácia de canabinoides em uma variedade de condições de saúde mental". - Foto: reprodução

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Uma revisão de ensaios clínicos com cannabis medicinal não encontrou evidências de sua eficácia no tratamento de uma série de transtornos mentais, incluindo depressão, ansiedade e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). A publicação foi feita em 16 de março na revista The Lancet – uma das mais prestigiadas da área de divulgação científica 

A revisão analisou 54 ensaios clínicos aleatorizados realizados entre 1980 e 2025, envolvendo 2.477 participantes. O trabalho foi descrito pelos autores como “a maior revisão já feita sobre a segurança e eficácia de canabinoides em uma variedade de condições de saúde mental”. 

Entre os principais resultados, foram encontradas evidências de redução de sintomas de abstinência em pessoas com transtorno por uso de cannabis em usuários da combinação de canabidiol e delta-9-tetrahidrocanabinol, principal composto psicoativo encontrado na planta Cannabis. Por outro lado, a utilização da cannabis piorou os sintomas de fissura por cocaína, quando utilizado em pessoas com transtorno por uso dessa substância.

“Para transtornos como ansiedade, anorexia nervosa, transtornos psicóticos, transtorno de estresse pós-traumático, transtorno por uso de opioides, não houve benefício algum, igual a placebo, não fez diferença”, explicou nas redes sociais o médico psiquiatra e psicólogo potiguar Álvaro da Costa, que atualmente mora em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

“Para transtornos como TDAH, transtorno de humor bipolar, transtorno obsessivo compulsivo e transtorno por uso de tabaco, não foi possível avaliar, seja pela escassez de trabalhos, seja pela pouca qualidade desses trabalhos”, prosseguiu o médico.

Ainda segundo o profissional, a conclusão do estudo, considerando todos os resultados, o baixo grau de certeza e o alto risco de viés em parte dos trabalhos avaliados, é que não existiria, no momento, uma justificativa científica para o uso indiscriminado de canabidiol em transtornos psiquiátricos. 

“Na grande maioria dos transtornos pesquisados não houve benefício algum e houve alguns benefícios muito pontuais em transtornos muito específicos. Não havendo, portanto, nenhuma justificativa para o uso rotineiro ou de primeira linha para o uso do canabidiol em psiquiatria”, explicou Álvaro da Costa.

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