O falso escândalo contra Fátima: quando faltam argumentos
Natal, RN 7 de jun 2026

O falso escândalo contra Fátima: quando faltam argumentos

7 de junho de 2026
4min
O falso escândalo contra Fátima: quando faltam argumentos
Pingo da Mei Dia, em Mossoró | Foto: Joana Lima

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Há algo de profundamente empobrecedor na forma como parte da oposição à governadora Fátima Bezerra tem escolhido fazer política no Rio Grande do Norte. Não se trata de divergências programáticas, de debates sobre modelos de desenvolvimento ou de confrontos legítimos em torno de prioridades administrativas. Trata-se, cada vez mais, da tentativa de reduzir a disputa política à intriga, ao factoide e à desqualificação pessoal.

O episódio ocorrido durante o Pingo da Mei Dia, em Mossoró, é ilustrativo. Enquanto o Governo do Estado mobilizava uma das maiores operações de segurança pública da história do Mossoró Cidade Junina, com quase sete mil agentes das diversas forças de segurança, investimento de R$ 2,4 milhões, reforço no atendimento às mulheres, ampliação dos plantões da Polícia Civil, atuação da Patrulha Maria da Penha e uma série de ações concretas para garantir a tranquilidade do evento, parte do debate público foi desviada para uma acusação de suposta “invasão” de camarote por integrantes da equipe da governadora.

A resposta oficial foi clara: não houve invasão. Houve uma passagem autorizada para que a equipe chegasse ao local onde a governadora era aguardada por profissionais da imprensa para entrevistas previamente agendadas. Mas, mesmo diante do esclarecimento, a polêmica artificial já havia cumprido seu papel: deslocar a atenção dos fatos para o ruído.

E aqui está o problema central.

Quando a política abandona o terreno das realizações e passa a operar exclusivamente na lógica da escaramuça permanente, perde a democracia. Perde o debate público. Perde a população.

É legítimo criticar qualquer governo. É necessário. A crítica é parte essencial da vida democrática. O que não fortalece a democracia é a substituição da crítica pela fabricação de narrativas destinadas apenas a produzir desgaste político.

O mais curioso é que esse tipo de comportamento costuma aparecer justamente quando os fatos se mostram mais difíceis de contestar. Afinal, como transformar em escândalo a mobilização de milhares de agentes de segurança para proteger uma festa popular? Como atacar a criação de um plantão especializado para atendimento às mulheres? Como desqualificar investimentos em estrutura policial, em prevenção à violência e em políticas públicas que impactam diretamente a vida das pessoas?

Quando não se consegue disputar os resultados, disputa-se a versão dos acontecimentos.

No caso de Fátima Bezerra, há ainda um componente que não pode ser ignorado. Ao longo de décadas de vida pública, a governadora foi alvo de ataques que frequentemente ultrapassaram os limites da divergência política. Não é coincidência que uma das mulheres que alcançou o mais alto posto da política potiguar tenha sido submetida, repetidas vezes, a um escrutínio mais agressivo, mais personalista e mais carregado de hostilidade do que aquele normalmente direcionado a muitos homens que ocuparam posições semelhantes.

Isso não significa que toda crítica seja machista. Seria uma simplificação tão inadequada quanto qualquer outra. Significa apenas reconhecer que existe uma longa tradição de tratamento desigual às mulheres na política brasileira e que esse contexto não desaparece quando uma mulher chega ao governo.

Por isso, episódios como o de Mossoró merecem reflexão. Não porque representem uma grande crise institucional. Ao contrário. Merecem reflexão justamente por sua pequenez.

Enquanto uma governadora percorre um evento popular sendo recebida pela população, anuncia investimentos, entrega resultados e apresenta ações concretas do Estado, parte dos seus adversários parece concentrada em transformar deslocamentos de equipe em escândalos e rotinas administrativas em teorias conspiratórias.

O Rio Grande do Norte enfrenta desafios reais demais para que sua política seja reduzida a isso.

A população tem o direito de exigir debates sobre segurança, educação, saúde, emprego, desenvolvimento regional, infraestrutura e combate às desigualdades. Tem o direito de cobrar resultados e de avaliar governos com rigor.

Mas também tem o direito de esperar um mínimo de seriedade de quem pretende fazer oposição.

Porque oposição não é sinônimo de hostilidade permanente. Oposição não é fabricação de factoides. Oposição não é transformar qualquer gesto em escândalo.

Oposição, numa democracia madura, é apresentar alternativas.

E talvez seja exatamente essa ausência de alternativas que explique por que, tantas vezes, a política acaba sendo substituída pela intriga.

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