Carta pede equidade no debate de gênero, raça e diversidade no RN
O 3º Seminário de Gênero, Raça e Diversidade do Tribunal Regional do Trabalho da 21ª Região (TRT-RN) terminou deixando um documento que pretende prolongar as discussões para além das salas de palestra. Após três dias de atividades, foi construída a Carta de Natal pela Equidade, Diversidade e Direitos Humanos, reunindo reflexões, propostas e compromissos debatidos durante o encontro realizado na Escola Judicial do TRT-RN.
A programação reuniu pesquisadores, ativistas, profissionais do sistema de justiça e representantes de diferentes movimentos sociais para discutir temas que atravessam a vida de grupos historicamente marginalizados. Questões como desigualdade de gênero, racismo, acessibilidade, capacitismo, diversidade sexual, inclusão produtiva e direitos humanos estiveram no centro das discussões.
Os debates começaram com reflexões sobre comunicação não violenta, feminismos e a construção social das desigualdades, conduzidas pela jornalista e doutora em Sociologia Dira Vieira e pela mediadora de conflitos Elanne Canuto. Ao longo do primeiro dia, também foram discutidas as relações entre gênero, raça e interseccionalidades, conceito que ajuda a compreender como diferentes formas de discriminação podem se sobrepor e impactar a vida das pessoas.
No segundo dia, o foco se voltou para acessibilidade, neurodivergências e dignidade humana. As discussões também abordaram a relação entre questões raciais, de gênero e ambientais, ampliando o debate sobre como diferentes vulnerabilidades se conectam na sociedade brasileira.
O encerramento teve como destaque um Feirão de Empregabilidade Trans, iniciativa que chamou atenção para uma das maiores barreiras enfrentadas pela população trans no país: o acesso ao mercado formal de trabalho. Embora haja avanços graduais nos últimos anos, pessoas trans e travestis ainda convivem com altos índices de exclusão social, dificuldades de permanência na escola, discriminação em processos seletivos e barreiras para ascensão profissional.
Levantamentos de organizações da sociedade civil e de instituições de pesquisa apontam que grande parte dessa população encontra obstáculos para conseguir o primeiro emprego formal, situação que contribui para ciclos de vulnerabilidade econômica e social. Nesse contexto, ações voltadas à empregabilidade têm sido apontadas por especialistas como ferramentas importantes para ampliar oportunidades e promover autonomia financeira.
O tema foi debatido em painéis sobre inclusão produtiva e direitos humanos, com participação de Clarisse Mack e Janaína Lima. As discussões destacaram a necessidade de políticas públicas, ações afirmativas e mudanças culturais capazes de tornar ambientes de trabalho mais diversos e acolhedores.
Para a pedagoga e turismóloga Wanja Celine, que participou do seminário, iniciativas como essa também representam uma oportunidade de ampliar a presença da população trans em espaços de construção coletiva.
“Nós, trans e travestis, temos que procurar o máximo de espaços possíveis para discutir os temas como os que foram tratados no seminário e ocupar espaços. Assim, nós temos também a oportunidade de aprender mais”, afirmou.
A Carta de Natal pela Equidade, Diversidade e Direitos Humanos surge como um registro desse processo e como um convite para que as discussões sobre inclusão, respeito às diferenças e combate às desigualdades continuem ocupando espaço dentro e fora das instituições.
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