PF vai investigar Faustino por violência política de gênero contra Brisa
Natal, RN 10 de jul 2026

PF vai investigar Faustino por violência política de gênero contra Brisa

10 de julho de 2026
6min
PF vai investigar Faustino por violência política de gênero contra Brisa
Mandato da parlamentar recebeu a comunicação oficial do Ministério Público Eleitoral (MPE) nesta quinta-feira (9) - Fotos: Francisco de Assis e Sarah Carvalho

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A Polícia Federal abriu um inquérito policial para investigar suposto crime de violência política de gênero atribuído ao vereador Matheus Faustino (União) contra a vereadora Brisa Bracchi (PT). O mandato da parlamentar diz que recebeu a comunicação oficial do Ministério Público Eleitoral (MPE) nesta quinta-feira (9).

O inquérito policial é resultado de uma notícia de fato feita em fevereiro deste ano por uma pessoa identificada como Victor Eduardo Avelino. No documento, ele relaciona uma série de fatos que — em conjunto — caracterizariam o crime cometido contra Brisa Bracchi. No relato, o denunciante destaca que a partir do início do mandato parlamentar de Matheus Faustino, Brisa Bracchi passou a ser alvo dos ataques. 

“O vereador utilizou de maneira reiterada suas redes sociais, especialmente o Instagram, para divulgação de mais de 50 vídeos contendo ataques políticos personalizados à vereadora, com exposição reiterada de sua imagem facial, inclusive mediante edições e modificações por ferramentas de inteligência artificial, em tom sensacionalista, deslegitimador e de forte apelo emocional”, relatou. 

Ele também argumentou que “os conteúdos publicados apresentam padrão de repetição, personalização e amplificação algorítmica, com potencial de dano reputacional e de incitação à hostilidade pública, extrapolando o debate político ordinário”. 

A denúncia foi apresentada ao Ministério Público. A promotora Cátia Tatiana Cortez Hermínio também deu um prazo de 15 dias para que a própria Brisa Bracchi apresente um depoimento escrito sobre os fatos narrados na denúncia, com relato detalhado da dinâmica das ocorrências e indicação de eventuais testemunhas, outras fontes de provas disponíveis ou elementos que considere relevantes para a investigação.

De acordo com o Código Eleitoral, é crime de violência política de gênero “assediar, constranger, humilhar, perseguir ou ameaçar, por qualquer meio, candidata a cargo eletivo ou detentora de mandato eletivo, utilizando-se de menosprezo ou discriminação à condição de mulher ou à sua cor, raça ou etnia, com a finalidade de impedir ou de dificultar a sua campanha eleitoral ou o desempenho de seu mandato eletivo”. A pena prevista é de 1 ano e quatro meses de reclusão mais multa. 

“Máquina de propagação de violência política de gênero”

Em fevereiro deste ano, a vereadora petista também denunciou Faustino por violência política de gênero no âmbito da Câmara Municipal. O documento encontra-se parado atualmente na Comissão de Ética da Casa.

A denúncia se baseou na Lei de Violência Política de Gênero. Segundo Brisa, ela é vítima de uma série de ações orquestradas para inviabilizar sua atuação política. O documento afirma que Faustino já realizou mais de 94 publicações em redes sociais com exposição vexatória da imagem de Brisa, com o pretexto de oferecer críticas e acusações contra a líder da Oposição em Natal. As postagens com esse teor teriam sido feitas 63 vezes no Instagram e 31 no YouTube.

“Ocorre que as postagens são verdadeiros ataques pessoais contra a vereadora, demonstrando perseguição sistemática e reiterada, com grande repercussão pública”, diz o texto.

A prática seria alimentada no Instagram, canal no YouTube e grupos no WhatsApp, com o objetivo de promover perseguição à parlamentar. A “máquina de propagação de violência política de gênero” manipulada por Faustino funcionaria da seguinte forma, segundo a denúncia:

1 – Matheus Faustino se utiliza de uma bandeira política de Brisa Bracchi para inicialmente atacar sua atuação política; 

2 – A postagem é feita nas redes sociais do denunciado sempre com uso de Inteligência Artificial para descaracterizar a aparência física da denunciante ou fotos públicas; 

3 – A rede de ódio é alimentada por comentários nas postagens, aparentemente robôs e perfis falsos que geram engajamento na postagem e conseguem entregar para mais pessoas. 

Saiba Mais: Brisa Bracchi denuncia Matheus Faustino por violência política de gênero

“Há grandes evidências de utilização de perfis falsos e robôs digitais para amplificar ataques, ameaças e xingamentos dirigidos à vereadora, inclusive em suas próprias redes sociais e em perfis de veículos de comunicação, criando ambiente hostil, intimidatório e de risco pessoal”, aponta o documento.

A denúncia cita ainda dois vídeos para ilustrar as práticas. No primeiro, Faustino marca o perfil de Brisa nos seus Stories, incentivando que seus seguidores promovam uma incursão ao perfil para destilar ódio e ofensas. Já no segundo, o denunciado estimula seus seguidores a uma “guerra” que quer travar contra quem deseja “salvar” Brisa.

Desde agosto, Faustino tem sido autor de diferentes denúncias com o objetivo de cassar o mandato de Brisa Bracchi, além de ter criado um site específico para pressionar por esse objetivo. Segundo o relatório, a ação indica instrumentalização do aparato institucional para perseguição política.

No começo de fevereiro, a petista também apresentou o caso do seu processo de cassação para ser oficialmente recebido pelo observatório de combate à violência política do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília.

Condenação por fake news

Antes do caso atual, o vereador Matheus Faustino já havia sido condenado em abril por divulgar nas redes sociais informações falsas contra Brisa Bracchi (PT). O parlamentar, que alegou já ter retirado as postagens, deverá pagar uma indenização de 4 R$ mil por danos morais.

A sentença foi proferida no dia 17 de abril pelo juiz André Luis de Medeiros Pereira, da 16ª Vara Cível da Comarca de Natal. A ação envolve um vídeo publicado em agosto de 2025, no qual o vereador ex-Movimento Brasil Livre (MBL) divulgou que Brisa teria destinado R$ 50 mil proveniente de emenda parlamentar para locação de mesas e cadeiras em eventos.

Saiba Mais: Justiça condena Faustino por divulgar fake news contra Brisa Bracchi 

Segundo a petista, o valor mencionado refere-se ao Empenho nº 1744/2024, de natureza global, utilizado para diversas liquidações oriundas de emendas parlamentares de diferentes vereadores, bem como para eventos institucionais promovidos pela municipalidade. Ela afirmou que apenas R$ 5.222,60 corresponderiam a destinações por ela indicadas, distribuídas em múltiplos eventos culturais. 

Na ação, Bracchi apontou que as publicações extrapolaram os limites da crítica política, configurando abuso do direito de expressão e violação à sua honra e imagem, notadamente pelo elevado alcance das postagens.

Posteriormente, a Justiça proferiu uma decisão que deferiu a tutela de urgência e determinou a retirada definitiva das postagens, sob pena de multa diária. O juiz André Luis de Medeiros Pereira afirmou que a imputação de que Brisa teria destinado integralmente o valor de R$ 50.000,00 para aluguel de mesas e cadeiras não corresponde à realidade fática demonstrada nos autos, “tratando-se de narrativa que desconsidera o caráter global do empenho e a pluralidade de liquidações dele decorrentes”.

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