Paulinho veta projeto que ampliava visibilidade de autores potiguares
Natal, RN 13 de jul 2026

Paulinho veta projeto que ampliava visibilidade de autores potiguares

13 de julho de 2026
4min
Paulinho veta projeto que ampliava visibilidade de autores potiguares
O PL 418/2025, do vereador Daniel Valença (PT), estabelecia a exibição mínima de dois títulos nas vitrines de livrarias de Natal, respeitada a equidade de gênero - Foto: Arquivo/Agência Brasil

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O prefeito Paulinho Freire (União) vetou um projeto de lei que havia sido aprovado pela Câmara Municipal e que buscava garantir espaço para autores potiguares nas vitrines de livrarias de Natal. O PL 418/2025, do vereador Daniel Valença (PT), estabelecia a exibição mínima de dois títulos, respeitada a equidade de gênero. 

O projeto foi aprovado em segunda discussão em 11 de junho. A proposta determinava que as livrarias mantivessem em suas vitrines, de forma permanente e em sistema de rodízio, pelo menos dois livros de autores potiguares, respeitando a equidade de gênero. O objetivo era ampliar a visibilidade da produção literária local, fortalecer a cultura potiguar e aproximar leitores das obras produzidas no estado.

Já o veto foi publicado no Diário Oficial do Município (DOM) de 6 de julho. Na mensagem encaminhada à Câmara Municipal, o prefeito alegou que o projeto seria inconstitucional por impor obrigações à iniciativa privada, interferir na liberdade econômica e criar atribuições de fiscalização e aplicação de sanções que dependeriam da atuação do Poder Executivo.

Para Daniel Valença, o veto representa uma oportunidade perdida de fortalecer a cultura local e dar mais espaço aos escritores potiguares.

“A literatura produzida no Rio Grande do Norte enfrenta enormes dificuldades para alcançar visibilidade nas prateleiras e vitrines das livrarias. Nosso projeto buscava corrigir essa desigualdade de forma simples, valorizando quem escreve sobre nossa história, nossa cultura e nosso povo”, afirmou o vereador.

O parlamentar destacou ainda que diversas políticas públicas culturais já utilizam mecanismos de incentivo e valorização da produção regional, sem impedir a livre iniciativa ou restringir a atividade econômica.

“O veto também desconsidera um aspecto fundamental da construção desse projeto: ele nasceu do diálogo com a sociedade. A sugestão do professor e escritor Marcos Alvarenga foi essencial para transformar essa demanda da comunidade literária em uma proposta legislativa. É assim que entendemos o mandato: ouvindo as pessoas e colocando suas ideias a serviço da cidade”, acrescentou Daniel Valença.

O veto será analisado pelos vereadores em plenário, que poderão mantê-lo ou derrubá-lo. Caso o veto seja rejeitado pela maioria da Câmara, o projeto poderá ser promulgado e entrar em vigor.

Veto a bibliotecas

Em dezembro, o chefe do Executivo vetou integralmente um outro projeto de lei que tornava obrigatória a implantação de bibliotecas nas instituições de ensino público municipal.

Saiba Mais: Paulinho veta projeto que estabelecia obrigatoriedade de bibliotecas em escolas

O texto, de autoria da ex-vereadora e atual deputada estadual Divaneide Basílio (PT), foi subscrito por Brisa Bracchi (PT) e Daniel Valença (PT). A proposta determinava que toda escola da rede pública do município deveria obrigatoriamente implantar e manter sua biblioteca, dando preferência às demandas oriundas dos conteúdos curriculares de suas respectivas séries, módulos, ciclos e etapas.

O texto foi aprovado em primeira discussão em 11 de novembro, numa sessão plenária acompanhada por estudantes, bibliotecários e professores do curso de Biblioteconomia da UFRN, e em segunda discussão em 13 de novembro. Já o veto foi assinado em 5 de dezembro.

O prefeito justificou que o projeto é inconstitucional, por adentrar indevidamente na esfera de competência privativa do chefe do Poder Executivo Municipal. 

“Embora apresente linguagem de caráter educativo, o texto cria obrigações administrativas concretas para órgãos da Administração (especialmente a SME), definindo tarefas, atribuições,metas, modelos de organização, responsabilidades funcionais e exigências operacionais que configuram verdadeira política pública educacional. A implantação, estruturação física, aquisição de acervo, contratação de profissionais habilitados, organização dos serviços de biblioteconomia,ações pedagógicas, planejamento orçamentário e operacionalização de sistemas são providências que integram o núcleo de gestão administrativa, cuja definição compete privativamente ao Poder Executivo”, disse trecho da justificativa.

Em publicação nas redes sociais, o Comitê Norte-Rio-Grandense de Bibliotecários (CNRB) criticou o veto e disse que “o atual prefeito posiciona-se contra políticas públicas voltadas à melhoria da educação.”

“Ademais, a Prefeitura de Natal segue ignorando a presença de bibliotecários em seu quadro de servidores. Todas as escolas devem possuir bibliotecas — e isso é garantido pela Lei Federal nº 14.837/2024. As bibliotecas, quando funcionam de forma articulada ao Projeto Político-Pedagógico, contribuem significativamente para o desempenho dos estudantes”, disse.

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