Pesquisa investiga impactos da crise climática na população LGBTQIA+
Natal, RN 17 de jul 2026

Pesquisa investiga impactos da crise climática na população LGBTQIA+

17 de julho de 2026
5min
Pesquisa investiga impactos da crise climática na população LGBTQIA+

Ajude o Portal Saiba Mais a continuar produzindo jornalismo independente! Apoie com qualquer valor e faça parte dessa iniciativa.

Quero Apoiar

Calor extremo, enchentes, secas prolongadas, escassez de água e aumento do custo de vida são alguns dos efeitos cada vez mais presentes das mudanças climáticas. Embora esses fenômenos atinjam toda a população, seus impactos costumam ser mais severos para grupos que já enfrentam desigualdades sociais históricas. Com o objetivo de compreender essa realidade no Rio Grande do Norte, a Rede Inclusivah! lançou uma pesquisa voltada à população LGBTQIA+ e pessoas aliadas do estado.

O levantamento busca identificar como as mudanças climáticas afetam a vida cotidiana da população potiguar, reunindo informações sobre experiências relacionadas a eventos extremos, acesso a serviços públicos, redes de apoio, estratégias de enfrentamento e percepção sobre a crise climática. As respostas são anônimas e os dados serão utilizados para subsidiar ações comunitárias, processos formativos e a construção de políticas públicas.

Segundo a diretora executiva da Rede Inclusivah!, Luá Belli em entrevista à Agência Saiba Mais, a iniciativa é resultado de um trabalho que vem sendo desenvolvido pela organização desde 2023, quando a entidade começou a pesquisar os impactos ambientais sobre pessoas trans e travestis:

“A atuação da Rede Inclusivah! na agenda da justiça climática começou em 2023, quando fomos convidadas pela maior rede de filantropia do Brasil a desenvolver uma pesquisa sobre transfobia ambiental. Naquele momento, buscávamos compreender e conceituar esse fenômeno, analisando como pessoas trans e travestis eram afetadas de forma desproporcional por tragédias ambientais, especialmente diante dos eventos extremos que atingiram diferentes regiões do país”, afirma.

A partir dessa experiência, a organização ampliou o escopo da discussão. Posteriormente, foi convidada pela Habitat para a Humanidade Brasil para desenvolver uma nova pesquisa, desta vez voltada para toda a população LGBTQIA+.

“A partir desse acúmulo de conhecimento, a Rede foi posteriormente convidada pelo Habitat para a Humanidade Brasil a desenvolver uma nova pesquisa, agora ampliando o olhar para toda a população LGBTQIA+ e sua relação com as mudanças climáticas”, explica Belli.

Para a diretora, discutir justiça climática também significa discutir direitos humanos. Ela avalia que os efeitos da crise ambiental tendem a aprofundar desigualdades já existentes e que determinados grupos enfrentam desafios específicos diante de eventos extremos.

“As mudanças climáticas não criam desigualdades, mas intensificam aquelas que já existem. Pessoas LGBTQIA+, especialmente pessoas trans e travestis, enfrentam historicamente barreiras de acesso à educação, trabalho, moradia, saúde e proteção social. Esses fatores tornam essa população mais vulnerável diante de eventos climáticos extremos”, destaca.

Na avaliação da pesquisadora, situações como enchentes, secas, ondas de calor e deslocamentos forçados podem gerar obstáculos adicionais relacionados ao acolhimento em abrigos, à continuidade de tratamentos de saúde, à geração de renda e ao acesso a serviços públicos, além de potencializarem situações de discriminação e exclusão social.

A pesquisa pretende justamente reunir informações que permitam compreender melhor essas experiências. Entre os objetivos estão identificar o nível de conhecimento da população sobre as mudanças climáticas, verificar como os impactos ambientais são percebidos por pessoas LGBTQIA+ e entender de que forma grupos socialmente vulnerabilizados enfrentam esses desafios.

“Buscamos mapear experiências concretas relacionadas às mudanças do clima, estratégias de enfrentamento, acesso a políticas públicas, redes de apoio e formas de organização comunitária. Esses dados contribuirão para construir um diagnóstico mais consistente da realidade do Rio Grande do Norte”, afirma.

De acordo com Luá Belli, os resultados deverão contribuir para que políticas públicas voltadas à adaptação climática considerem as especificidades da população LGBTQIA+, um aspecto ainda pouco presente nos debates sobre o tema.

“Os resultados permitirão fundamentar políticas públicas mais inclusivas e contribuir para que a agenda da justiça climática incorpore as especificidades da população LGBTQIA+. Ao produzir evidências sobre essa realidade, esperamos fortalecer o diálogo com gestores públicos, universidades, organizações da sociedade civil e movimentos sociais”, diz.

Após a conclusão do levantamento, a organização pretende ampliar ações educativas sobre justiça climática, desenvolver atividades em municípios do interior do estado e fortalecer redes comunitárias de enfrentamento às desigualdades socioambientais.

“Nosso objetivo é fazer com que o conhecimento produzido pela pesquisa deixe de ser apenas um diagnóstico e se transforme em intervenções concretas capazes de promover maior proteção, participação e garantia de direitos para a população LGBTQIA+ diante dos desafios impostos pelas mudanças do clima”, conclui Luá Belli.

Como participar

A pesquisa é destinada a pessoas LGBTQIA+ e pessoas aliadas residentes no Rio Grande do Norte. O questionário aborda temas como calor excessivo, chuvas fortes, enchentes, seca, falta de água, aumento do custo de vida e outros impactos associados às mudanças climáticas. Acesse aqui.

As respostas são anônimas e serão utilizadas exclusivamente para fins de pesquisa social, educação e construção de ações comunitárias voltadas ao fortalecimento da justiça climática com recorte LGBTQIA+ no estado. O acesso ao formulário está disponível por meio das redes sociais da Rede Inclusivah!.

Apoiar Saiba Mais

Pra quem deseja ajudar a fortalecer o debate público

QR Code

Ajude-nos a continuar produzindo jornalismo independente! Apoie com qualquer valor e faça parte dessa iniciativa.

Quero Apoiar

Este site utiliza cookies e solicita seus dados pessoais para melhorar sua experiência de navegação.