RN lidera alta de casos de HIV no Brasil após a pandemia
Natal, RN 21 de jul 2026

RN lidera alta de casos de HIV no Brasil após a pandemia

21 de julho de 2026
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RN lidera alta de casos de HIV no Brasil após a pandemia

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O Rio Grande do Norte foi o estado brasileiro que registrou o maior crescimento proporcional de diagnósticos de infecção pelo HIV no período posterior à pandemia de Covid-19. Entre 2020 e 2024, as notificações aumentaram 56,3%, quase três vezes acima da média nacional, que ficou em 19%. Os dados fazem parte do Boletim Epidemiológico HIV e Aids 2025, divulgado pelo Ministério da Saúde. Embora o aumento das notificações esteja relacionado, em parte, à retomada dos serviços de saúde e à ampliação da testagem após os anos mais críticos da pandemia, o cenário também evidencia que o estado ainda enfrenta importantes desafios para conter a transmissão do vírus e garantir o diagnóstico precoce.

Outro dado que chama atenção é a situação de Natal. A capital potiguar aparece na quarta posição entre as capitais brasileiras com maior taxa de detecção de HIV em 2024, com 46,9 casos por 100 mil habitantes. Apenas Florianópolis (49,4), Manaus (49,2) e Boa Vista (47,6) apresentaram índices superiores.

Ao todo, entre 1980 e setembro de 2025, o Rio Grande do Norte acumulou 18.664 pessoas vivendo com HIV ou aids, segundo o novo método de consolidação das bases nacionais utilizado pelo Ministério da Saúde. A atualização metodológica reúne informações dos sistemas de notificação, exames laboratoriais, medicamentos e mortalidade, permitindo uma estimativa mais precisa da dimensão da epidemia.

Para o infectologista Bruno Matheus, é preciso interpretar os números com cautela. Segundo ele, parte do aumento pode estar relacionada à ampliação da testagem e ao aperfeiçoamento da vigilância epidemiológica, mas isso não elimina a necessidade de fortalecer as ações de prevenção.

“A gente não pode olhar apenas para o aumento das notificações e concluir automaticamente que houve um crescimento proporcional da transmissão. Hoje existe uma capacidade maior de diagnosticar casos que antes poderiam permanecer sem identificação. Os dados mostram que precisamos ampliar a prevenção e garantir que as pessoas tenham acesso ao diagnóstico o mais cedo possível, como em qualquer outro quadro de infecção”, afirma em entrevista à Agência Saiba Mais.

Crescimento pode refletir maior capacidade de diagnóstico

O próprio Ministério da Saúde ressalta que os dados mais recentes devem ser interpretados à luz de mudanças na vigilância epidemiológica. Nesta edição do boletim, a série histórica foi reprocessada a partir da integração de diferentes bancos de dados, reduzindo duplicidades e subnotificações. Além disso, a retomada dos serviços de saúde após a pandemia ampliou a realização de testes para HIV em todo o país.

Mesmo considerando esses fatores, o Rio Grande do Norte aparece isolado na liderança do crescimento proporcional entre todas as unidades da federação. Enquanto o país registrou aumento de 19% nas notificações entre 2020 e 2024, o estado alcançou 56,3%.

Em números absolutos, o RN passou de 873 registros em 2020 para 1.229 em 2024. O boletim confirma uma tendência observada há vários anos: a epidemia continua concentrada entre homens, especialmente adultos jovens.

Em todo o Brasil, quase dois terços das notificações de HIV desde o início da série histórica ocorreram entre homens. Em 2024, 44,7% dos novos casos masculinos foram registrados na faixa etária entre 20 e 29 anos. Entre as mulheres, mais de oito em cada dez diagnósticos ocorreram entre 15 e 49 anos, período reprodutivo.

Os dados também revelam mudanças importantes no perfil social da epidemia. Pessoas negras, considerando pretos e pardos, passaram a representar 59,7% das notificações registradas em 2024. Para o Ministério da Saúde, o resultado evidencia como desigualdades raciais e socioeconômicas influenciam tanto o risco de exposição quanto o acesso ao diagnóstico e ao tratamento.

Prevenção

O Sistema Único de Saúde oferece gratuitamente diferentes estratégias de prevenção combinada contra o HIV. Entre elas está a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), indicada para pessoas com maior vulnerabilidade à infecção, e a Profilaxia Pós-Exposição (PEP), que deve ser iniciada em até 72 horas após uma situação de risco. O médico reforça que o HIV tem prevenção e tratamento disponíveis gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde:

“Além do preservativo, hoje contamos com a PrEP, a PEP, testagem rápida e tratamento altamente eficaz. O desafio é fazer com que essas ferramentas cheguem a quem mais precisa e reduzir o preconceito, que ainda existe muito, infelizmente.”

O tratamento também é disponibilizado pelo SUS. Atualmente, mais de 770 mil brasileiros utilizam o antirretroviral dolutegravir, considerado um dos principais medicamentos empregados no controle da infecção.

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