DEMOCRACIA

Grito dos Excluídos ecoou na ruas da capital potiguar. Afinal, que independência o país comemora?

Movimentos sociais, sindicais, estudantis, dos povos negros, LGBTQIA+, mulheres, populações rurais, periféricas e em situação de rua. Setores da população que, ao longo de toda a história, foram deixados de lado ganharam as ruas da capital potiguar na manhã desta quarta-feira (7) e soltaram o grito: “Independência para quem?”. A 28ª edição do Grito dos Excluídos e Excluídas levou milhares à marcha em Natal pela vida e contra o fascismo, pelo fim do governo Bolsonaro. Com bandeiras, faixas, cartazes, artes, música e palavras de ordem, manifestantes saíram em caminhada da praça do Teatro Alberto Maranhão até a praça da Praia do Meio.

Nós vivemos uma falsa independência e estamos nas ruas contra a violência, a opressão e as violações aos direitos dos povos indígenas e quilombolas, negros e negras, mulheres, pessoas LGBTI+ e do povo trabalhador. Estas são as maiores vítimas de toda a desigualdade social que se arrasta desde o Brasil colônia, e que ainda não acabou”, denunciou a assistente social Rosália Fernandes, candidata ao Governo do Estado no RN pelo PSTU.

Desde a primeira edição do Grito, o tema a “Vida em primeiro lugar” e a luta contra a fome sempre estiveram na centralidade do debate. Após 28 anos, depois que o Brasil voltou ao “Mapa da Fome” em 2021, sob o governo de Bolsonaro, o direito à alimentação digna, regular, de qualidade e em quantidade suficiente continua a ser reivindicado.

O Grito dos Excluídos é um grito pelas principais reivindicações da classe trabalhadora e da população pobre desse país: moradia, terra, alimentação, mas também emprego e aumento da renda e do salário-mínimo. Esse governo [Bolsonaro], principalmente, vem excluindo as pessoas dessas necessidades básicas do ser humano”, afirmou o professor Dário Barbosa, candidato ao Senado pelo PSTU.

De acordo com o relatório da ONU sobre a Situação da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo, o número de brasileiros e brasileiras que não sabem quando vão fazer a próxima refeição está acima da média mundial.

Defesa da democracia

O conjunto dos manifestantes também expressou preocupação com as ameaças golpistas de Bolsonaro e levantaram a bandeira em defesa das liberdades democráticas.

Um Grito dos Excluídos ainda mais importante este ano, onde os movimentos sociais, os trabalhadores, as entidades estudantis ocupam as ruas neste 7 de setembro, no país inteiro, para defender a democracia e o direito de ter eleições livres e democráticas”, explica o coordenador do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), Matheus Araújo.

Enquanto os excluídos e excluídas reivindicavam a independência, o presidente Jair Bolsonaro (PL) repetia suas ameaças golpista em um café no Palácio do Alvorada junto a apoiadores, como Luciano Hang, da Havan, investigado pela Polícia Federal e pelo Supremo Tribunal Federal (STF), ministros e parentes: “A história pode se repetir”. Uma referência ao golpe militar (1964).

Hoje o Brasil inteiro está nas ruas para dizer fora Bolsonaro, porque Bolsonaro e os generais querem dar um novo golpe em nosso país, não querem aceitar as eleições, ficam subestimando as urnas. O que eles não querem aceitar é o seu voto, não querem aceitar a democracia. E o povo está nas ruas para dizer não vai ter golpe e que nós vamos construir um poder popular”, a candidata a vice-presidenta pela Unidade Popular (UP), Samara Martins.

Samara Martins, candidata a vice-presidenta da República pela UP ao lado de Leonardo Péricles

Na Esplanada dos Ministérios, as festividades do bicentenário da Independência foram sequestradas pela campanha eleitoral e novos ataques à democracia. Bolsonaristas carregavam cartazes de ataque contra as instituições democráticas, como: “Intervenção urgente no STF”, “Limpeza no STF”, “Nós confiamos nas Forças Armadas”, “Destituição imediata dos ministros do STF”, “Supremo é o povo”.

Estamos aqui porque precisamos derrotar o bolsonarismo pra já. As eleições vão dar uma resposta, mas só derrotar Bolsonaro não basta. Ele cada vez mais mostrar que quer fazer com que o golpismo tome conta desse país, nós estamos dando a resposta no Brasil inteiro, e aqui em Natal mostrando que a força da educação popular e dos movimentos sociais vai derrotar Bolsonaro e o próprio bolsonarismo”, destacou a coordenadora da Rede Emancipa no RN, Tati Ribeiro, candidata à deputada estadual pelo PSOL.

Soberania Nacional

Desde 1995, movimentos populares, grupos da sociedade civil e ordens religiosas se unem no dia 7 de setembro contra as mais variadas formas de exclusão.

Só teremos Independência com trabalho, emprego, renda e moradia digna para toda a população. Nosso grito é contra a fome, contra o governo Bolsonaro que nos mata, seja pela covid ou pelos retrocessos em todas as políticas”, afirmou o coordenador do Movimento Nacional da População em Situação de Rua, Vanilson Torres.

Luta por Reforma Urbana

Em 2022, a ação tem como objetivo denunciar as ações de destruição da soberania nacional, as negligências do governo Bolsonaro e a luta por moradia digna.

“Estamos aqui reivindicando inclusão da nossa sociedade. Chega de periferia, queremos voltar ao centro das cidades”, declarou o coordenador nacional do MLB, Marcos Antônio, candidato ao senado pela UP.

Às vésperas de uma eleição, os manifestantes conversavam com a sociedade, com os trabalhadores ambulantes, motoristas, aqueles que estavam curtindo o dia de lazer na praia para dizer que nunca foi tão fácil fazer uma escolha no Brasil.

Estamos aqui para dar um recado, para dizer que as ruas são nossas. Vamos avançar, derrotar o Bolsonaro e não vamos sair das ruas enquanto não acabar com esse governo”, pontuou o vereador de Natal, Robério Paulino.

Piso da Enfermagem

Um grupo de profissionais da enfermagem também participaram do ato pedindo o pagamento do piso salarial da categoria.

Profissionais da enfermagem exigem pagamento do piso salarial da categoria

Fomos surpreendidos pelo ministro Barroso no último domingo dizendo que o nosso salário não ia ser pago. Nós estamos aqui para dizer que nós temos plano de custeio sim no nosso país, aprovado pelo Congresso Nacional”, frisou Taíssa Ferreira, técnica de enfermagem do Hospital Giselda Trigueiro.

A lei que estabeleceu o valor a ser pago aos profissionais, sancionada em agosto de 2022, foi suspensa nesse domingo (4) por decisão do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Leia também – 28ª edição do Grito dos Excluídos chega às ruas questionando: Independência para quem?

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