Acusada de racismo diz não ter tido tempo para defesa; caso é de 2022
Natal, RN 26 de mai 2024

Acusada de racismo diz não ter tido tempo para defesa; caso é de 2022

14 de maio de 2024
4min
Acusada de racismo diz não ter tido tempo para defesa; caso é de 2022
Câmera do elevador flagra Flávia sendo agredida por Regina e Suedja I Imagem: reprodução

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Mais de um ano depois de ter sido agredida por duas vizinhas (mãe e filha) enquanto esperava o elevador no corredor do próprio apartamento, em um edifício onde morava no bairro de Candelária, na Zona Sul de Natal, Flávia Carvalho nunca recebeu um pedido de desculpas. Nesta segunda (13), ela ainda ouviu uma das agressoras pedir adiamento da audiência de custódia sob a justificativa de falta de tempo para juntar provas de defesa.

A Suedja pediu adiamento por falta de tempo hábil pra juntar provas”, lamenta Flávia, cujas filhas processaram as vizinhas na esfera cível por danos morais.

Minhas duas filhas que estão movendo essa ação cível por todo o dano causado. Elas precisaram sair da escola na qual estudavam há sete anos e tiveram que se mudar de maneira abrupta. Elas foram cerceadas do direito de habitar aquele condomínio por uma questão de segurança, não voltei ao Quatro Estações desde que fui agredida. Minha mudança foi feita por terceiros, contratei uma empresa para retirar minhas coisas de lá porque não tive condição de voltar. Nossa vida foi virada de cabeça para baixo”, desabafa Flávia.

Além do processo cível, Regina dos Santos Araújo (mãe) e Suedja Marcia dos Santos Araújo (filha) também estão sendo processadas na esfera criminal.

“O criminal é movido pelo Ministério Público pelas agressões, injúria racial e racismo. Estamos entrando como assistente da Promotoria para alegar o racismo, apesar de não ter sido colocado como denúncia porque à época ainda não haviam se igualado criminalmente, queremos levar isso para o juiz pelo contexto. Esse é o caso que nos move com mais força”, acrescenta Flávia.

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O dia da agressão

O caso ocorreu em dezembro de 2022 no Condomínio Quatro Estações, quando Flávia Carvalho, que trabalha como gerente comercial, fechou a porta do apartamento onde morava com as duas filhas e o marido, para se dirigir ao elevador e seguir para o trabalho. Nesse momento, Flávia começou a ser xingada pela vizinha do mesmo andar, Regina, enquanto a filha, Suedja, que mora na mesma torre, porém em um andar diferente, chegou por trás e começou a bater em Flávia.

Na época, Flávia contou que enquanto era agredida, Suedja dizia que “uma negra nojenta como eu não merecia morar ali, que não era bem vinda, que ia aprender a respeitar”.

Apesar do registro das agressões, Suedja, que é médica, ainda tentou se esquivar da intimação que o Oficial de Justiça tentou lhe entregar em seis situações, durante diferentes dias. O documento acabou sendo entregue a uma funcionária do condomínio.

“Elas até hoje agem como se estivessem no direito delas de se incomodar com a minha presença ali. Exigiram que a síndica pedisse as chaves do meu apartamento ao proprietário para que eu fosse embora imediatamente”, denuncia Flávia, que no mesmo dia das agressões, já havia gravado a vizinha, Regina dos Santos Araújo, lhe fazendo ameaças.

A Agência Saiba Mais entrou em contato com o Ministério Público do Rio Grande do Norte para saber como está o andamento do processo criminal contra Regina dos Santos Araújo e Suedja Marcia dos Santos Araújo, mas nós não obtivemos retorno até a publicação da matéria.

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