Associação inicia pesquisa sobre envelhecimento de pessoas trans no Brasil
Natal, RN 15 de jul 2024

Associação inicia pesquisa sobre envelhecimento de pessoas trans no Brasil

7 de julho de 2024
3min
Associação inicia pesquisa sobre envelhecimento de pessoas trans no Brasil
Foto: pixabay

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A Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) iniciou uma pesquisa online para desenvolver um diagnóstico sobre a situação de envelhecimento de pessoas trans no Brasil, com foco nas travestis e mulheres trans.

O objetivo do questionário é identificar a situação dessas pessoas ao ultrapassarem as expectativas consideradas baixas, levando em conta fatores como acesso à educação, saúde (incluindo física, psicológica, transespecífica, sexual e reprodutiva), trabalho, geração de renda, segurança pública e outros aspectos que impactam sua condição. A pesquisa Traviarcas, como é chamada, pode ser acessada clicando aqui.

É preciso ter no mínimo 45 anos para responder. O preenchimento por completo leva aproximadamente 10 minutos. Uma das mulheres que já responderam é a ativista do Rio Grande do Norte e secretária da terceira idade da Antra, Jacqueline Brasil, de 60 anos.

“Infelizmente, ainda somos uma população muito esquecida pela própria população em geral. É como se as pessoas trans não tivessem direito à vida. E muitas vezes somos jogadas ao esquecimento, como se fôssemos pessoas que não têm mais direito ao trabalho, ao lazer, que o nosso destino é somente sentar numa cadeira e fazer crochê”, diz Jacqueline. 

“Hoje temos o privilégio de chegarmos aos 60 anos, 70 anos, com saúde e muita disposição para o trabalho”, continua.

Para Jacqueline, também à frente da Associação das Travestis Reencontrando a Vida (Atrevida-RN), há uma espécie de negacionismo de achar que, ao envelhecer, “temos que ficar no escanteio, como se a gente não existisse mais”.

“Eu não quero ser estatística. Continuo não querendo. Quero continuar vivendo, mas quero que as pessoas reconheçam a nossa história, a nossa vivência, o que nós construímos, o que nós vivenciamos durante esse período”, salienta.

Para ela própria, chegar à velhice era uma realidade difícil de imaginar anos atrás, pela falta de apoio na família e pelos problemas enfrentados em outros momentos. Na adolescência, por exemplo, viveu o constrangimento de ser expulsa de uma igreja que poderia lhe acolher. Chegou a ser moradora de rua em João Pessoa por dois anos. 

“Depois disso tudo eu enfrentei três cânceres, sou uma pessoa vivendo com HIV, mas graças a Deus há 15 anos estou indetectável. E recentemente agora eu tive um infarto, para completar minha trajetória de luta. Então para mim é resistência. Porque eu não imaginava nunca chegar aos 60 anos com a vitalidade, com a saúde, com a garra de lutar cada dia mais”, atesta a ativista.

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