Midway volta a negar responsabilidade sobre caso de homofobia no shopping
O Midway Mall, através da sua assessoria jurídica, voltou a negar responsabilidade sobre o caso de homofobia denunciado pelo casal Diógenes Alves Gomes e Giovany Silva Nascimento, ocorrido na última segunda-feira (17), na praça de alimentação do shopping. A agressão, segundo as vítimas, foi praticada por um grupo de quatro homens, aparentando entre 50 e 60 anos de idade, que proferiram insultos homofóbicos contra eles apenas por vê-los de mãos dadas.
O advogado do casal, Douglas Rodrigues, entrou em contato, via ligação, com a assessoria jurídica do Midway Mall questionando se o estabelecimento adotaria alguma medida em relação à situação. A assessora disse ao representante das vítimas que não entendia que “procedência” ele esperava do shopping, “tendo em vista que a conduta omissa foi da Polícia [Militar]”.
O advogado rebateu a assessora lembrando que “o shopping é responsável por todo o ato praticado dentro do seu estabelecimento, dentro da sua área”, como aconteceu com Diógenes e Giovany.
Em resposta, a assessora jurídica apenas informou ao advogado dois e-mails para que ele enviasse a solicitação de esclarecimentos. Ela afirmou, ainda, que não tinha ciência se o shopping emitira alguma nota sobre o episódio.
Desde a última terça-feira (18), a nossa reportagem tenta, sem sucesso, obter um posicionamento oficial do shopping. A mesma assessora jurídica que falou com o representante das vítimas declarou à Agência Saiba Mais que o Midway Mall “não tinha interesse em se manifestar” sobre o incidente.
A assessoria de comunicação do shopping também não retornou nossas mensagens nem atendeu às ligações da reportagem. O espaço continua aberto caso o estabelecimento deseje se manifestar sobre o caso.
Vítimas acionaram a Polícia Militar
Diógenes ligou oito vezes para o Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp). Três policiais militares chegaram a ir ao shopping, mas para atender outra ocorrência.
As vítimas continuaram aguardando a chegada da viatura, mas diante da demora, da incerteza se os policias militares iriam ou não e do clima hostil em razão continuidade dos insultos pelos agressores, na frente dos seguranças do shopping, decidiram ir embora.

A assessoria de comunicação da Polícia Militar, em nota, informou que o “Centro Integrado de Operações da Segurança Pública (Ciosp) foi contactado e enviou uma viatura ao local. No entanto, ao chegar ao endereço informado, os envolvidos já não estavam mais presentes”.
Diógenes também disse que foi impedido pelos seguranças do shopping de registrar imagens do episódio para produzir provas da agressão. “Não grava nada”, teria dito o supervisor da segurança, segundo relatou a vítima.
Depois do ocorrido, Diógenes foi à Delegacia Especializada no Combate a Crimes Raciais, Intolerância e Discriminação (Decrid), na quarta-feira (19), acompanhado da coordenadora de Diversidade Sexual e de Gênero (Codis) da Secretaria Estadual das Mulheres, Juventude, Igualdade Racial e Direitos Humanos (Semjidh), Rebecka de França, para registrar um boletim de ocorrência
Midway desconhece lei antidiscriminatória
A lei estadual nº 10.761/2020, sancionada pela governadora Fátima Bezerra (PT), obriga a afixação de cartazes em estabelecimentos públicos e privados informando que “Discriminação por orientação sexual e identidade de gênero é ilegal e acarreta multa – Lei Estadual nº 9.036/2007”.

Questionada sobre o descumprimento dessa legislação pelo Midway Mall, a assessora jurídica do shopping disse que desconhecia a lei antidiscriminatória, mas que transmitiria a informação à administração para afixar os cartazes. Ela, no entanto, não informou quando isso aconteceria.
Sindsaúde-RN se solidariza com Diógenes e Giovany
O Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Saúde do Rio Grande do Norte (Sindsaúde-RN), emitiu uma nota de solidariedade a Diógenes, que é sócio da entidade e servidor efetivo da enfermagem do Hospital Walfredo Gurgel e da UPA de Parnamirim.
A entidade sindical, além de manifestar solidariedade, disse que recebia a notícia sobre o episódio de homofobia contra seu associado e o namorado dele “com muita tristeza e revolta”.
“Repudiamos veementemente qualquer forma de discriminação e violência contra a comunidade LGBTQIA+. É inaceitável que, em pleno século XXI, profissionais dedicados à saúde pública e cidadãos em geral ainda enfrentam preconceito e agressões devido à sua orientação sexual”, diz trecho da nota do sindicato.
O Sindsaúde-RN também reiterou seu “compromisso na luta contra a homofobia e todas as formas de intolerância”, além de se colocar à disposição para “apoiar Diógenes e seu companheiro, bem como todos que enfrentam situações semelhantes”.
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