Entregadores de aplicativo farão greve nacional com participação de Natal
Nos próximos dias 31 de março e 1º de abril, os entregadores por aplicativo farão uma paralisação nacional, o Breque Nacional dos Apps 2025, com greve de dois dias também em Natal. O grupo reivindica melhores condições de trabalho e reajuste nas tarifas pagas pelas plataformas.
Entre as principais pautas do movimento estão o aumento da taxa mínima de entrega de R$ 6,50 para R$ 10,00; reajuste do valor por quilômetro rodado de R$ 1,50 para R$ 2,50; limitação das rotas de bicicleta a um máximo de 3 km; e pagamento integral da taxa por entrega, sem redução em pedidos agrupados por empresas, como iFood.
“Nos organizamos há três meses, tentando captar lideranças. Até agora já temos a participação confirmada de 22 estados e mais de 40 cidades, entre elas Natal, João pessoa, Fortaleza, Recife e Salvador. Em outros estados conseguimos mobilizar Uber de moto e carro”, revela Alexandre Silva, presidente da Associação dos Trabalhadores de Aplicativo por Moto e Bike de Natal e Região Metropolitana (Atamb).
Nos dias de paralisação os entregadores ainda irão para a frente dos estabelecimentos, mas com o intuito de conscientizar os demais colegas sobre a importância de participar do ato.
“Nosso maior problema são os novatos, que acham que o app é tudo. Com eles é maior a dificuldade, mas já encaminhamos nota e os estabelecimentos foram avisados”, explica Alexandre.
O grupo ainda tem outras reivindicações que ficaram de fora da negociação, como criação de pontos de apoio e o fim das rotas duplas.
“Colocamos o mínimo de pautas. Nas rotas duplas nós recebemos por quilometragem e não por entrega. Em cima de cada venda o app cobra 27% do comerciante e, além de receber dele, ainda lucra com a nossa entrega. Ele faz uma rota grupada, ou seja, se pegamos pedidos em estabelecimentos diferentes na Avenida Engenheiro Roberto Freire, por exemplo, eles só pagam uma entrega, porque recebemos por quilometragem e não por pedido, apesar dele cobrar uma taxa de cada cliente”, denuncia o presidente da Atamb.

A estimativa dos organizadores é que as plataformas relembrem negociações antigas que foram averbadas, porém nunca colocadas no papel sendo, portanto, descumpridas.
“Mobilizamos o máximo possível , então essa paralisação atingiu o Brasil todo, está em todos os noticiários, não tem como mais dar desculpa para trabalhadores, pedir para aguardar regulamentação, estamos indignados com a promessa de regulamentação, aguardando um valor melhor, uma previdência social… não podemos ficar na espera de um conto de fadas, infelizmente até hoje não saiu. Decidimos nos mobilizar para ver se apps fazem ao menos esse reajuste que deveria ter sido feito em 2021, quando teve fórum do IFood que declarou que iria fazer reajuste das taxas anuais, mas não deixou nada escrito. Se tivesse feito o reajuste anual de ao menos 50 centavos, hoje receberíamos ao menos R$ 8 de taxa de entrega. Nossa expectativa é que pelo menos relembrem a negociação do fórum e façam o reajuste da taxa, R$ 6,50 não é mais nem um litro de gasolina. Estamos crendo que, dessa vez, vamos fazer história no Brasil e conscientizar as demais categorias de outras plataformas que se eles se unirem, também podem fazer a coisa acontecer”, convoca Alexandre.

