Professor da UFRN é agredido em colação de grau após frase “fascismo nunca mais”
Natal, RN 26 de jul 2026

Professor da UFRN é agredido em colação de grau após frase “fascismo nunca mais”

15 de agosto de 2025
4min
Professor da UFRN é agredido em colação de grau após frase “fascismo nunca mais”
Professor Adriano Gomes I Imagem: redes sociais

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Nesta quinta-feira (14), durante a colação de grau de turmas de Jornalismo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), o professor Adriano Gomes — paraninfo das turmas de Comunicação Social e orador da solenidade do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA) — foi agredido fisicamente após encerrar seu discurso com a frase “fascismo nunca mais”.

Ao longo da fala, Gomes refletiu sobre o sentido das palavras, defendendo que expressões como analfabetismo, miséria, fome e opressão fossem “adormecidas” e substituídas por termos como educação, respeito e família. No encerramento, afirmou que a palavra “fascismo” deveria ser eliminada de vez dos dicionários. A cerimônia transcorria normalmente, entre despedidas emocionadas e familiares orgulhosos, quando, já na saída, o professor foi puxado com violência pela beca por um homem desconhecido, que rasgou o tecido da veste.

“Foi constrangedor. Fui paraninfo das turmas de Comunicação Social e orador dos cursos do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes. Ao final proferi o discurso, enfatizei o valor das palavras e o sentido que elas têm. Nesse processo fiz uma metáfora, disse que precisávamos adormecer palavras como analfabetismo, miséria, fome e opressão, e acordar outras como educação, respeito e família. No meio do discurso disse que precisaríamos anular de vez dos nossos dicionários a palavra fascismo. Fascismo nunca mais! Isso foi no final da solenidade, fui para a saída e foi quando tudo começou”, relata o professor Adriano Gomes, que foi puxado pela beca e questionado:

Tomei um susto. Ele perguntou se teria sido eu que proferiu o discurso e começou: ‘seu canalha, seu discurso foi horrível e você usou a palavra fascismo! Não existe e nunca existiu fascismo no Brasil’. Pedi calma porque ele estava visivelmente transtornado. Colegas me afastaram dele e algumas pessoas o puxaram para evitar o contato físico porque ele tinha a intenção de me bater. Ele disse ‘vocês colocaram um ladrão no poder e essa situação que estamos vivendo é por causa do ladrão que vocês elegeram’. Eu ia pegar o celular para filmar, mas fiquei sem ação”, lamenta Gomes.

Festa de colação de grau dos estudantes I Imagem: redes sociais

O professor da UFRN não conhece o agressor, mas compartilhou o ocorrido em suas redes sociais na esperança de que alguém tenha o registro do tumultuo para identificar o agressor.

Após o discurso algumas pessoas vieram me parabenizar e achei que ele fosse mais um. Não sei de quem se trata, ainda quis chamar o segurança, mas quando vi ele já tinha se evadido. A lógica é que, se ele estava lá, deve ser parente de alguém que estava se formando. Ele é moreno, de barba e estava de camisa social cor de rosa. Ninguém entrou em contato para pedir desculpas, mas a universidade tem se mobilizado para prestar solidariedade e alunos têm mandado mensagens”, relata.

Querido pela comunidade acadêmica, Adriano Gomes é professor do curso de Jornalismo há 25 anos, além de supervisor de estágio para concluintes. Durante a confusão, o desconhecido ainda cuspiu no rosto do professor. Após consultar os advogados, Adriano Gomes decidiu que vai registrar um Boletim de Ocorrência (BO) nesta sexta (15) para que o agressor seja identificado e devidamente punido.

“Foi uma atitude inteiramente fascista, reacionária, truculenta. Vou fazer o BO e verificar se alguém filmou, se há câmeras no local. Não podemos deixar essa situação impune, minha passividade seria incompatível com o discurso se peço atitude proativa diante do fascismo, essa situação que ainda assola o país dentro do obscurantismo, como um fantasma a nos guiar. Não posso ser inconsequente e não tomar nenhuma atitude em relação ao ocorrido, tenho que ser compatível com aquilo que acredito”, defende Adriano Gomes.

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