Seca atinge quase todos os municípios do RN em julho, aponta relatório
Natal, RN 13 de jun 2026

Seca atinge quase todos os municípios do RN em julho, aponta relatório

26 de agosto de 2025
1min
Seca atinge quase todos os municípios do RN em julho, aponta relatório

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Em julho, 96,4% das cidades do Rio Grande do Norte foram atingidas por algum grau de seca, segundo dados divulgados pelo Monitor de Secas, ferramenta mantida pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).

O levantamento mostra que a estiagem se intensificou no estado no último mês. A área sob influência da seca passou de 87% em junho para 93% em julho. Já as regiões classificadas como de “seca grave” avançaram de 25% para 33% do território potiguar, registrando o maior índice nesse nível de severidade desde janeiro de 2022.

De acordo com os números, 36,54% das cidades enfrentaram seca grave, 43,11% apresentaram seca moderada e 16,76% registraram seca fraca. Apenas 3,59% dos municípios ficaram fora do mapa da estiagem, e não houve registro de seca extrema ou excepcional.

Entre as cidades com situação mais crítica estão Caicó, Pau dos Ferros, Parelhas e Jucurutu, que integram a lista de 61 municípios em seca grave. Outras 72 localidades, como Mossoró, Macau, Assú, Santa Cruz e João Câmara, ficaram na faixa de seca moderada.

O Monitor de Secas é atualizado mensalmente e acompanha a evolução do fenômeno em todo o país, servindo de subsídio para políticas públicas e ações de mitigação.

Plano estadual contra os efeitos da estiagem

Diante do cenário, o Governo do Rio Grande do Norte deve concluir na próxima semana o Plano de Ações de Convivência com a Seca, que prevê medidas emergenciais e estruturais. Entre elas, a possibilidade de decretar situação de emergência nos municípios atingidos, o que acelera a liberação de recursos e a execução de programas.

Atualmente, 75 cidades potiguares já decretaram emergência, sendo 70 atendidas pela Operação Carro-Pipa, coordenada pelo governo federal. Além disso, o plano estadual contempla subsídios para compra de ração animal, linhas de crédito especiais e iniciativas voltadas ao abastecimento humano, dessedentação animal e apoio à agricultura.

No campo da infraestrutura hídrica, o estado prevê a perfuração de 500 poços até 2026, a construção de cerca de 500 cisternas, a recuperação de 28 barragens e a instalação de mais de 140 dessalinizadores.

Entre os principais empreendimentos em andamento está o Complexo Hidrossocial Oiticica, em Jucurutu. Com orçamento de R$ 893 milhões, o projeto inclui a barragem Oiticica, com capacidade para armazenar 743 milhões de metros cúbicos de água, além da implantação de agrovilas e do reassentamento da comunidade Nova Barra de Santana.

Outras obras estruturantes também estão em curso, como o Projeto Seridó, que pretende garantir abastecimento para cerca de 400 mil pessoas em 22 municípios até o fim de 2025. O Ramal do Apodi, integrante do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF), já alcançou 73,2% de execução. A Adutora Apodi-Mossoró, orçada em R$ 82 milhões, deve iniciar a fase de testes no segundo semestre de 2025.

Dos 167 municípios do Rio Grande do Norte, apenas seis não registraram estiagem em julho, segundo monitoramento da SEMARH

A estiagem voltou a se agravar no Rio Grande do Norte e já alcança 161 dos 167 municípios do estado. Os dados, repassados pela Secretaria do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (SEMARH) ao portal Saiba Mais, mostram que apenas seis cidades potiguares não registraram seca em julho.

“O Monitor de Secas indica que a situação vem se intensificando desde janeiro de 2025. Hoje temos 18 municípios em seca fraca, 72 em seca moderada e 71 em seca grave. É um cenário complicado, porque quando comparamos com o ano passado, praticamente não houve recarga nos nossos reservatórios, mesmo após o período de chuvas”, afirmou a pasta.

O alerta é de que, diante da baixa recuperação dos mananciais, o estado pode enfrentar dificuldades já a partir de março de 2026. “É uma situação muito grave, que exige racionalização da água e bastante cuidado com o que temos armazenado”, destacou a SEMARH.

Para conter os efeitos da seca, o governo estadual está concluindo um plano de ação que combina medidas emergenciais e estruturantes. Entre as iniciativas estão:

  • Perfuração de poços e recuperação de reservatórios;
  • Implantação de sistemas adutores em áreas em colapso;
  • Reuniões de alocação de água com usuários para prolongar a disponibilidade dos reservatórios;
  • Ampliação do programa de carro-pipa, coordenado pela Defesa Civil.

“As ações estruturantes envolvem obras, como poços e sistemas adutores. Já as não estruturantes dizem respeito à negociação e ao uso racional da água, para que ela dure mais tempo e atenda o maior número possível de pessoas”, explicou a secretaria.

O estado já conta com um Comitê Estadual de Enfrentamento da Seca, criado pelo Gabinete Civil, que reúne órgãos e entidades para acompanhar de forma permanente a evolução da estiagem.

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