Poética e política: performers ocupam as ruas de Natal com desejos de futuro
Natal, RN 24 de jul 2026

Poética e política: performers ocupam as ruas de Natal com desejos de futuro

24 de outubro de 2025
4min
Poética e política: performers ocupam as ruas de Natal com desejos de futuro

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Nesta quinta-feira (24), um arco-íris atravessa as ruas da Ribeira. “Deixa Eu Andar com Meu Arco-Íris” estreia transformando o espaço urbano em cena aberta para a arte e a diversidade LGBTQIAPN+. A travessia continua nesta sexta (25), às 16h, no Espaço Cultural Jesiel Figueiredo, em Lagoa Azul, dentro da Circulação Sociedade T.

A performance é uma criação coletiva que atravessa as quatro zonas da cidade numa travessia poética sobre corpo, liberdade e pertencimento. “Deixa Eu Andar com Meu Arco-Íris trata-se de uma performance realizada no espaço urbano cuja temática permeia o universo LGBTQIAPN+. Sua criação dialoga diretamente com a linguagem da performance e com a contemporaneidade”, explica Pablo Vieira, artista idealizador do projeto, ao Saiba Mais.

A ideia nasceu durante a pandemia da COVID-19, quando o artista desenhou um corpo que carregava um arco-íris de balões, as mesmas cores da bandeira LGBTQIAPN+. “Foi um momento social e político muito tenso, e não havia como não pensar na precariedade e na falta de acessos de diversas pessoas dissidentes à época. Graças à Lei Aldir Blanc, conseguimos corporizar essa imagem mental e colocá-la na rua, mesmo em meio a uma cidade transformada pela pandemia.”

A rua como casa e desobediência criativa

Desde 2013, o artista tem no espaço urbano seu território de experimentação. “Performar na cidade é entendê-la como extensão da sala de ensaio. É um lugar dinâmico e convidativo à desobediência criativa e ao inesperado”, afirma. Para o coletivo, a rua é mais do que cenário: é um campo de criação e de disputa simbólica, onde o corpo ganha novos significados.

“O espaço urbano é nossa válvula de experimentação, que nos dá a possibilidade de existir fora da caixa cênica e experimentar novos tempos, corporalidades e encontros. Ele nos direciona para o que não é ficcional e faz com que lancemos novos olhares sobre a cidade em que vivemos e queremos construir.”

Mais do que um espetáculo, a performance é um gesto político. “Queremos afirmar que todo e qualquer corpo tem o direito de transitar na cidade e se fazer festa no encontro com o outro. Levar consigo sua identidade sem sofrer violência por ser quem é”, pontua. “Deixa Eu Andar com Meu Arco-Íris é fabular sobre um mundo possível.”

Com uma equipe majoritariamente LGBTQIAPN+, o projeto também reflete a potência da diversidade em sua própria produção. “Sou um artista gay que vive e produz arte nesta cidade. O projeto busca evidenciar, mesmo que simbolicamente, a pluralidade de existências que habitam esse arco-íris”, relata Pablo.

Assim como o projeto anterior do grupo, Desembalador de Memórias, a nova performance percorre bairros das quatro zonas de Natal. “Percebemos a importância de descentralizar nossas produções e ir ao encontro de diversos públicos. Cada lugar nos oferece negociações e recepções distintas, o que enriquece a prática da performance urbana. Isso também diz sobre a cidade que queremos construir metaforicamente.”

Em uma cidade marcada pela falta de infraestrutura e incentivo, ocupar a rua é também uma forma de resistência. “Para muitos artistas, a rua é um lugar possível diante da escassez de recursos. Natal precariza a produção dos fazedores de cultura, além de enfrentar problemas que afetam a qualidade de vida do natalense, como a mobilidade urbana. Fazer arte aqui é, muitas vezes, dialogar com a precariedade, no pior sentido da palavra. Mas seguimos, porque há potência e desejo.”

Após a circulação em Natal, o coletivo pretende expandir o projeto para outros territórios e suportes. “A retomada dessa performance está cheia de vivacidade e desejos. Queremos pensar em desdobramentos como vídeo, exposição, publicação. Aguardem cartas. Ou outros suportes.”

E, quando perguntado sobre o que espera do público, o artista responde:
“Que viram um performer elaborando felicidades na cidade do Natal.”

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Serviço

  • 24/10 (quinta-feira) — Bairro da Ribeira, às 16h30
  • 25/10 (sexta-feira) — Espaço Cultural Jesiel Figueiredo (Rua do Taiaraçu, 228 – Lagoa Azul), às 16h


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