Cordelistas do RN participam do 1º Congresso Brasileiro de Cordel
Natal, RN 15 de jun 2026

Cordelistas do RN participam do 1º Congresso Brasileiro de Cordel

15 de março de 2026
3min
Cordelistas do RN participam do 1º Congresso Brasileiro de Cordel

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Entre os dias 20 e 22 de março, a cidade de Recife (PE) recebe o 1º Congresso Brasileiro de Cordel, encontro que reúne poetas, pesquisadores, editores e agentes culturais de diferentes estados para discutir os rumos da literatura de cordel no país. O evento é organizado por academias de cordelistas de diversas regiões do Brasil e conta com o apoio de coletivos e movimentos ligados à cultura popular.

O Rio Grande do Norte estará presente com uma delegação de quase 40 representantes, formada por cordelistas, pesquisadores e militantes da cultura popular. A articulação da participação potiguar foi conduzida pela Academia Norte-rio-grandense de Literatura de Cordel (ANLIC-RN) e pela Academia Mossoroense de Literatura de Cordel, com apoio de coletivos e espaços culturais como Aves de Rapina, de Mossoró, Cordelutas, Casa do Cordel e o Ponto de Memória Estação do Cordel.

O congresso pretende consolidar um espaço nacional de debate sobre o cordel enquanto expressão literária e patrimônio cultural brasileiro, reunindo diferentes gerações de poetas e estudiosos para discutir desafios contemporâneos, políticas públicas e estratégias de valorização da produção cordeliana.

Segundo o cordelista Nando Poeta, presidente da ANLIC-RN, o encontro deverá aprovar uma pauta nacional de reivindicações voltadas ao reconhecimento e fortalecimento do cordel no Brasil. Entre os pontos em discussão estão propostas relacionadas à educação, incentivo à produção editorial, preservação da memória cultural e ampliação das políticas públicas de apoio à literatura popular.

A participação da delegação do Rio Grande do Norte no congresso foi resultado de um esforço coletivo de mobilização. Para ajudar a custear a participação dos representantes do estado, a comissão organizadora promoveu uma rifa que contribuiu para reduzir o valor das inscrições. Os participantes ficaram responsáveis pelas despesas de hospedagem e alimentação.

O deslocamento até Recife foi viabilizado por meio da disponibilização de um ônibus pela Fundação José Augusto (FJA), após solicitação formal encaminhada pela organização da delegação potiguar.

Durante o encontro, os participantes devem apresentar a Carta do Recife – Manifesto do Movimento Cordeliano Brasileiro, documento político e cultural que reafirma o cordel como gênero da literatura brasileira e reivindica políticas permanentes de salvaguarda dessa tradição.

Entre as propostas presentes no manifesto estão a inclusão do cordel no currículo da educação básica e superior, a criação de cordeltecas em escolas públicas, editais específicos para publicação de folhetos, digitalização de acervos históricos e reconhecimento do cordel como parte da economia criativa brasileira.

Realizado setenta anos após o 1º Congresso Nacional de Trovadores e Violeiros, ocorrido em 1955, o encontro em Recife marca um novo momento de organização nacional do movimento cordeliano.

Ao final do congresso, os participantes devem reafirmar o compromisso coletivo com o fortalecimento do cordel como patrimônio vivo da cultura brasileira. A Carta do Recife também convoca academias, universidades, escolas, secretarias de cultura e educação, além de instituições como o IPHAN e o Ministério da Cultura, a construir uma agenda permanente de valorização da literatura de cordel no país.

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