Integrantes do Movimento Correnteza, da União da Juventude Rebelião (UJR) e do Movimento de Mulheres Olga Benário ocuparam, neste sábado (11), a antiga Casa da Estudante de Natal, rebatizada pelos manifestantes como Ocupação Casa da Estudante Nísia Floresta.
O protesto é contra a desativação do imóvel e em defesa da retomada de sua função de acolher estudantes do interior do Rio Grande do Norte que precisam morar na capital para cursar o ensino superior.
A casa fica no largo Junqueira Ayres, na Cidade Alta, próximo ao Palácio Felipe Camarão, sede da prefeitura de Natal.
O prédio é histórico, tombado pelo patrimônio público estadual e está fechado há cerca de seis anos, deixando de cumprir sua função social. A principal reivindicação é que a Casa da Estudante volte a receber mulheres estudantes, diante da escassez de moradias estudantis femininas em Natal. Os organizadores afirmam que a UFRN possui um déficit superior a mil vagas em residências estudantis para mulheres e destacam que o imóvel tem capacidade para abrigar até 72 estudantes.

Segundo a psicóloga e militante do Movimento Olga Benário, Ana Beatriz Sá, a ocupação quer forçar o Governo do Estado a reativar a Casa para receber mulheres estudantes vindas do interior para estudar na capital, como ocorria antes da desativação.
“A nossa intenção é que a ocupação impeça a extinção da casa. Queremos que ela volta a cumprir sua função social, que é receber mulheres vindas do interior que não têm dinheiro para arcar com custos de aluguel e outras despesas”, disse.
Ainda de acordo com os manifestantes, o Governo do Estado informou que deverá realizar uma audiência para discutir o futuro do prédio. No entanto, eles defendem que qualquer decisão seja construída com a participação das estudantes e dos movimentos sociais que lutam pelo direito à educação pública e à assistência estudantil.
“Essa audiência vai acontecer com as mulheres organizadas na luta”, afirmou.

Reforma
Outro argumento apresentado pelos ocupantes é que o imóvel passou por uma ampla reforma em 2023, com investimento próximo de R$ 500 mil. Ao entrarem na Casa, os manifestantes constataram que a estrutura está em boas condições, dispondo quartos, cozinha, lavanderia e demais instalações necessárias para voltar a funcionar como residência estudantil.
Para os organizadores da ocupação, a falta de funcionamento da casa não decorre de problemas estruturais, mas da ausência de decisão política para reativar o equipamento. Eles também questionam a intenção do governo de destinar o imóvel a outra política pública, alegando que há poucos avanços concretos nesse sentido enquanto cresce a demanda de jovens, especialmente do interior do estado, que enfrentam dificuldades para permanecer em Natal durante a graduação.
“Essa casa está pronta, bem estruturada e pode muito bem receber estudantes. O que falta, está muito claro, é vontade política. O governo mesmo disse que tem outra finalidade para a Casa, mas até agora, seis anos se passaram e nada aconteceu”, disse Ana Beatriz.
Além da reivindicação por moradia estudantil, os movimentos ressaltam o papel histórico das casas de estudantes como espaços de convivência, formação política, organização da juventude e enfrentamento às desigualdades. Para eles, preservar a finalidade original da Casa da Estudante Nísia Floresta representa fortalecer as políticas de permanência estudantil e ampliar o acesso ao ensino superior público para mulheres em situação de vulnerabilidade social.
“No período da ditadura, as casas de estudante funcionaram como espaços de formação política. E isso pode acontecer novamente diante dessa conjuntura que vivemos no Brasil”, concluiu.