Nova drenagem na engorda de Ponta Negra deve ser concluída até dezembro
Natal, RN 22 de jul 2026

Nova drenagem na engorda de Ponta Negra deve ser concluída até dezembro

22 de julho de 2026
6min
Nova drenagem na engorda de Ponta Negra deve ser concluída até dezembro
Acumulado de chuva em Ponta Negra foi de 73,4 milímetros entre as 7h da segunda-feira (20) e as 7h desta terça-feira (21) - Foto: reprodução Youtube Live Cam Natal

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A obra de complementação da drenagem na praia de Ponta Negra tem previsão de conclusão em cinco meses, com entrega estimada para dezembro, segundo informou a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra). Nesta terça-feira (21), a praia voltou a alagar no trecho da engorda, formando grandes lâminas d’água sobre a areia.

A nova obra foi anunciada em maio e teve a ordem de serviço assinada em 3 de julho. A proposta contempla a implantação de três reservatórios subterrâneos de água distribuídos em três pontos da orla, conhecidos como reservatórios de detenção e infiltração com capacidade total de armazenamento de até 50 mil metros cúbicos.

O objetivo é minimizar os constantes alagamentos registrados na faixa de areia da praia desde a inauguração do aterro hidráulico no início de 2025. De acordo com a Prefeitura, o sistema foi dimensionado para suportar chuvas com intensidade até 60 mm, permitindo a infiltração da água no solo. 

Ainda assim, em casos de precipitações superiores a esse volume, o excedente será direcionado para a faixa de areia, podendo formar alagamentos que a Prefeitura vem chamando de “espelhos d’água”, que devem se dissipar rapidamente por infiltração.

Saiba Mais: Chuvas superam média de julho e voltam a alagar Ponta Negra

De acordo com o Executivo, os reservatórios de detenção e infiltração foram escolhidos por sua alta capacidade de infiltração, eficiência operacional e caráter sustentável. Além disso, o sistema contribui para a melhoria da qualidade da água que chega à praia, ao promover a filtragem de impurezas provenientes, em muitos casos, de ligações clandestinas de esgoto que escoam diretamente para a areia.

O serviço vai receber um investimento de R$21 milhões e está previsto para acontecer em três pontos: nas ruas Francisco Gurgel e dissipador 9; na rua João Rodrigues de Oliveira; e na rua Praia de Pirangi. 

Alagamentos em Ponta Negra vão permanecer

Em evento com a imprensa em 13 de maio, o então secretário de Meio Ambiente e Urbanismo de Natal (Semurb), Thiago Mesquita, afirmou que os “espelhos d‘água” na praia de Ponta Negra vão continuar, mas em menor volume.

Mesquita defendeu a obra da engorda e disse que não houve problemas na execução — embora uma primeira drenagem já tenha sido feita e entregue no ano passado.

“A formação dos espelhos d’águas não é um problema. Nós temos ali aproximadamente uma bacia de 400 mil metros quadrados, que quando chove em torno de 120 milímetros, por exemplo, como foi a última chuva, você tem 120 milhões de litros de água que descem até Ponta Negra”, disse o secretário.

Segundo ele, a Prefeitura buscará fazer um espraiamento e diminuir a velocidade com que a água chega até a orla.

“O que a Seinfra [Secretaria de Infraestrutura] está fazendo agora é complementando ainda mais esse mesmo sistema com o objetivo de retardar ainda mais, diminuir ainda mais a sua velocidade para que a água chegue ainda mais espraiada na praia.”

Apesar disso, o secretário afirmou que os “espelhos d’água” na orla vão continuar a existir.

Saiba Mais: Engorda: Prefeitura anuncia nova obra de drenagem, mas diz que “espelhos d’água” continuarão

“Havendo chuvas acima de 60 milímetros, continuará a formar espelhos d’água. Um volume menor, numa espessura menor, com maior capacidade de retenção, mas como explicamos aqui hoje, o sistema está sendo melhorado, mas ele continua com a mesma concepção”, explicou.

Chuvas intensas devem continuar em Natal

A praia de Ponta Negra alagou nesta terça após chuvas intensas registradas no litoral do Rio Grande do Norte, que deverão continuar ao longo dos próximos dias, embora com menor intensidade. A previsão é da Unidade Instrumental de Meteorologia da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (EMPARN), que acompanha continuamente as condições atmosféricas e oceânicas responsáveis pela formação das precipitações.

Natal teve média de 68,5 milímetros de chuva entre as 7h da segunda-feira (20) e as 7h desta terça-feira (21), conforme dados da rede de pluviômetros automáticos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb), por meio do Geoprocessamento e Monitoramento Ambiental (Geoma).

No período, o maior acumulado foi registrado no Tirol, com 91,2 milímetros, seguido por Pajuçara, com 82,4 milímetros. Os acumulados também chegaram a 73,4 milímetros em Ponta Negra, 71,4 milímetros em Sarney, 69,6 milímetros em Nossa Senhora de Nazaré, 63,0 milímetros em Neópolis, 61,2 milímetros no Parque da Cidade, 60,6 milímetros na Urbana e 43,6 milímetros em Salinas (Gamboa). O pluviômetro instalado no Guarapes apresentou registros incompletos durante todo o período analisado e, por isso, os dados da localidade permanecem indisponíveis (NA).

Com o acumulado registrado em julho, Natal já ultrapassou a média histórica de precipitação para o mês. Segundo dados da estação A304 do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), até o dia 20 haviam sido registrados 272,8 milímetros na capital potiguar, acima dos 234,7 milímetros observados na série histórica entre 2003 e 2025.

Nos próximos dias, a expectativa é de predominância de céu parcialmente a totalmente nublado, com pancadas de chuva concentradas durante a madrugada e nas primeiras horas da manhã, período em que o contraste térmico favorece a formação das instabilidades atmosféricas.

No interior do estado também há ocorrência de chuvas, porém de maneira mais isolada e com menores acumulados. As precipitações mais expressivas permanecem concentradas na faixa litorânea, onde as condições oceânicas exercem maior influência sobre o clima.

Causa das chuvas

De acordo com a análise da EMPARN, o principal fator responsável pelas chuvas é o aquecimento das águas do Oceano Atlântico Sul nas proximidades da costa do Rio Grande do Norte. O fenômeno intensifica a evaporação, aumenta a disponibilidade de umidade e, associado aos ventos predominantes de sudeste, favorece a formação de nuvens carregadas sobre a faixa litorânea.

A atuação mais intensa da Alta Pressão Subtropical do Atlântico Sul também contribui para o fortalecimento desses ventos, mantendo condições favoráveis à ocorrência de pancadas de chuva.

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