Nova drenagem na engorda de Ponta Negra deve ser concluída até dezembro
A obra de complementação da drenagem na praia de Ponta Negra tem previsão de conclusão em cinco meses, com entrega estimada para dezembro, segundo informou a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra). Nesta terça-feira (21), a praia voltou a alagar no trecho da engorda, formando grandes lâminas d’água sobre a areia.
A nova obra foi anunciada em maio e teve a ordem de serviço assinada em 3 de julho. A proposta contempla a implantação de três reservatórios subterrâneos de água distribuídos em três pontos da orla, conhecidos como reservatórios de detenção e infiltração com capacidade total de armazenamento de até 50 mil metros cúbicos.
O objetivo é minimizar os constantes alagamentos registrados na faixa de areia da praia desde a inauguração do aterro hidráulico no início de 2025. De acordo com a Prefeitura, o sistema foi dimensionado para suportar chuvas com intensidade até 60 mm, permitindo a infiltração da água no solo.
Ainda assim, em casos de precipitações superiores a esse volume, o excedente será direcionado para a faixa de areia, podendo formar alagamentos que a Prefeitura vem chamando de “espelhos d’água”, que devem se dissipar rapidamente por infiltração.
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De acordo com o Executivo, os reservatórios de detenção e infiltração foram escolhidos por sua alta capacidade de infiltração, eficiência operacional e caráter sustentável. Além disso, o sistema contribui para a melhoria da qualidade da água que chega à praia, ao promover a filtragem de impurezas provenientes, em muitos casos, de ligações clandestinas de esgoto que escoam diretamente para a areia.
O serviço vai receber um investimento de R$21 milhões e está previsto para acontecer em três pontos: nas ruas Francisco Gurgel e dissipador 9; na rua João Rodrigues de Oliveira; e na rua Praia de Pirangi.
Alagamentos em Ponta Negra vão permanecer
Em evento com a imprensa em 13 de maio, o então secretário de Meio Ambiente e Urbanismo de Natal (Semurb), Thiago Mesquita, afirmou que os “espelhos d‘água” na praia de Ponta Negra vão continuar, mas em menor volume.
Mesquita defendeu a obra da engorda e disse que não houve problemas na execução — embora uma primeira drenagem já tenha sido feita e entregue no ano passado.
“A formação dos espelhos d’águas não é um problema. Nós temos ali aproximadamente uma bacia de 400 mil metros quadrados, que quando chove em torno de 120 milímetros, por exemplo, como foi a última chuva, você tem 120 milhões de litros de água que descem até Ponta Negra”, disse o secretário.
Segundo ele, a Prefeitura buscará fazer um espraiamento e diminuir a velocidade com que a água chega até a orla.
“O que a Seinfra [Secretaria de Infraestrutura] está fazendo agora é complementando ainda mais esse mesmo sistema com o objetivo de retardar ainda mais, diminuir ainda mais a sua velocidade para que a água chegue ainda mais espraiada na praia.”
Apesar disso, o secretário afirmou que os “espelhos d’água” na orla vão continuar a existir.
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“Havendo chuvas acima de 60 milímetros, continuará a formar espelhos d’água. Um volume menor, numa espessura menor, com maior capacidade de retenção, mas como explicamos aqui hoje, o sistema está sendo melhorado, mas ele continua com a mesma concepção”, explicou.
Chuvas intensas devem continuar em Natal
A praia de Ponta Negra alagou nesta terça após chuvas intensas registradas no litoral do Rio Grande do Norte, que deverão continuar ao longo dos próximos dias, embora com menor intensidade. A previsão é da Unidade Instrumental de Meteorologia da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (EMPARN), que acompanha continuamente as condições atmosféricas e oceânicas responsáveis pela formação das precipitações.
Natal teve média de 68,5 milímetros de chuva entre as 7h da segunda-feira (20) e as 7h desta terça-feira (21), conforme dados da rede de pluviômetros automáticos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb), por meio do Geoprocessamento e Monitoramento Ambiental (Geoma).
No período, o maior acumulado foi registrado no Tirol, com 91,2 milímetros, seguido por Pajuçara, com 82,4 milímetros. Os acumulados também chegaram a 73,4 milímetros em Ponta Negra, 71,4 milímetros em Sarney, 69,6 milímetros em Nossa Senhora de Nazaré, 63,0 milímetros em Neópolis, 61,2 milímetros no Parque da Cidade, 60,6 milímetros na Urbana e 43,6 milímetros em Salinas (Gamboa). O pluviômetro instalado no Guarapes apresentou registros incompletos durante todo o período analisado e, por isso, os dados da localidade permanecem indisponíveis (NA).
Com o acumulado registrado em julho, Natal já ultrapassou a média histórica de precipitação para o mês. Segundo dados da estação A304 do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), até o dia 20 haviam sido registrados 272,8 milímetros na capital potiguar, acima dos 234,7 milímetros observados na série histórica entre 2003 e 2025.
Nos próximos dias, a expectativa é de predominância de céu parcialmente a totalmente nublado, com pancadas de chuva concentradas durante a madrugada e nas primeiras horas da manhã, período em que o contraste térmico favorece a formação das instabilidades atmosféricas.
No interior do estado também há ocorrência de chuvas, porém de maneira mais isolada e com menores acumulados. As precipitações mais expressivas permanecem concentradas na faixa litorânea, onde as condições oceânicas exercem maior influência sobre o clima.
Causa das chuvas
De acordo com a análise da EMPARN, o principal fator responsável pelas chuvas é o aquecimento das águas do Oceano Atlântico Sul nas proximidades da costa do Rio Grande do Norte. O fenômeno intensifica a evaporação, aumenta a disponibilidade de umidade e, associado aos ventos predominantes de sudeste, favorece a formação de nuvens carregadas sobre a faixa litorânea.
A atuação mais intensa da Alta Pressão Subtropical do Atlântico Sul também contribui para o fortalecimento desses ventos, mantendo condições favoráveis à ocorrência de pancadas de chuva.