Funpec identifica problema em jazida que seria usada na engorda de Ponta Negra
A obra de engorda da Praia de Ponta Negra, na Zona Sul de Natal, está suspensa para que a Fundação Norte-Rio-Grandense de Pesquisa e Cultura (Funpec) avalie a areia retirada da jazida que seria aplicada no alargamento da praia.
Inicialmente, os técnicos da Fundação observaram que o material não seria adequado para a Praia de Ponta Negra e há a possibilidade de que uma nova jazida precise ser encontrada. O banco de areia apontado como fonte para a engorda de Ponta Negra fica a cerca de sete quilômetros da linha de praia, em frente ao Farol de Mãe Luíza.
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A Funpec informa que a jazida foi indicada por uma empresa contratada pela Prefeitura do Natal durante a fase de realização dos estudos. A Fundação foi contratada posteriormente, em fevereiro deste ano, para acompanhar a obra, que desde terça (3) está parada.

Até agora, o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema), responsável pelo licenciamento, não foi informado sobre qualquer mudança no processo.
“Até o momento, a equipe técnica do Idema que foi responsável pela análise o estudo ambiental e de todos os elementos que fizeram parte do licenciamento não recebeu, de maneira oficial, nenhuma informação sobre o motivo que levou a prefeitura ou a empresa responsável, a paralisar a obra, nem tampouco nos foi informado sobre a questão dos sedimentos”, detalha Werner Farkatt, Diretor-geral do Idema.
Antes de ser obrigado a emitir o licenciamento, sob ação judicial, a equipe técnica do Idema apontou uma série de problemas no Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), que precisariam ser solucionados pela Prefeitura do Natal para o início da obra.
“Lembrando que todos os pontos colocados pelo Idema estão nas condicionantes e muitos desses estudos têm prazo para ser entregues e, na condição atual da licença, não existe nenhum impedimento que faça com que a obra seja paralisada, não por parte do Idema“, reforça Farkatt.
A estimativa da Funpec é que a engorda permaneça parada para análise dos sedimentos por cerca de sete dias. De acordo com a Prefeitura do Natal, a pausa está dentro do previsto e não vai interferir no cronograma geral da obra, que é tocada pela DTA Engenharia. A promessa é que o serviço seja concluído num prazo de 90 dias, com funcionamento dos equipamentos 24 horas por dia no período de execução dos trabalhos.

Detalhes da engorda
A obra de engorda e drenagem da praia de Ponta Negra foi orçada inicialmente em R$ 75 milhões, entre recursos da Prefeitura de Natal e do Governo Federal. Porém, segundo o Ministério do Desenvolvimento Regional, o valor subiu para cerca de R$ 108 milhões.
Com a engorda, que será realizada em três etapas, a promessa é de alargar faixa de areia da praia em até 100 metros, na maré seca, e 50 metros na maré cheia.
1ª etapa: Complementação do enrocamento, ou seja, dos blocos utilizados para contenção da água.
2ª etapa: A alteração da drenagem na região, com o objetivo de reduzir a força das águas pluviais que chegam à praia e, assim, minimizar a erosão costeira.
3ª etapa: Aterramento hídrico com cerca de 4,4 toneladas de areia, que será extraída de uma jazida de areia submersa, trazida de uma área do mar próxima à praia de Areia Preta, que teria o material adequado para este tipo de intervenção, isto é, uma areia com granulometria de média a grossa. Para tanto, será utilizada uma draga de sucção e, após a extração, a areia será transportada e depositada em Ponta Negra em trechos de 200 em 200 metros.
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