Depois de acusar Rogério de “sabotar” Natal, Álvaro promete estar com ele em 2026
Uma frase atribuída ao ex-governador de Minas Gerais, Magalhães Pinto (1909-1996), serve bem para descrever um episódio recente do cenário político do Rio Grande do Norte: “Política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou”. É isso o que se depreende da reaproximação entre o senador Rogério Marinho (PL) e o ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias (Republicanos), que haviam rompido em 2023, quando Álvaro acusou Rogério de mandar cancelar o envio de R$ 40 milhões do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) à capital potiguar durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Depois de discutirem a relação em público, eles agora trocam gentilezas dizendo que tanto um como o outro estão “talhados” para disputar o Governo do Estado em 2026.
Rogério Marinho, que já lançou sua pré-candidatura a governador, reuniu políticos em um almoço na sua casa de praia em Búzios, no município de Nísia Floresta, na tarde de terça-feira (22), para um ensaio daquela que poderá ser a fotografia, embora ainda incompleta, do palanque da oposição que disputará a sucessão da governadora Fátima Bezerra (PT).
Entre os presentes ao almoço que se transformou em um verdadeiro comício estavam o próprio Álvaro Dias, o atual prefeito de Natal Paulinho Freire (União) e o presidente da Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (Femurn), Babá Pereira, além de deputados federais, ex-deputados, prefeitos e ex-prefeitos de vários municípios potiguares.

Durante o evento, Rogério Marinho afirmou que o grupo da oposição deverá definir até dezembro de 2025 a chapa majoritária que disputará as eleições de 2026. “não vamos soltar a mão de ninguém”, declarou o senador, emulando o famoso slogan usado pelos militantes de esquerda após a eleição de Bolsonaro em 2028, que pregava que “ninguém solta a mão de ninguém”.
Ao se dirigir a Álvaro Dias, Marinho disse que o ex-prefeito de Natal estava “talhado” para ser governador do Rio Grande do Norte. O elogio representa uma mudança de opinião do senador sobre o ex-gestor. No final de dezembro do ano passado, Rogério declarou que não tinha como avaliar a gestão de Álvaro alegando que desconhecia a “situação fiscal” da Prefeitura de Natal.
“Eu não posso dar uma nota [à gestão de Álvaro Dias] porque eu não sei de que forma sai aí a questão de finanças, da questão fiscal do município. Eu realmente não tenho acesso a esses dados”, declarou à época o senador.
Em publicação sobre o evento nas redes sociais, Álvaro Dias disse que se tratou de um “momento de diálogo, troca de ideias e confraternização, mas marcado acima de tudo pelo espírito de união e mudança”.
No vídeo postado no Instagram, cuja capa é uma imagem de Álvaro Dias ao lado de Rogério Marinho, chama também a atenção a mensagem em destaque afirmando que “juntos somos mais fortes”, simbolizando a união entre aqueles que, até bem pouco tempo atrás, eram desafetos políticos.
O tom difere das declarações de 2023 de Álvaro Dias sobre Rogério Marinho, a quem acusou de dar a determinação ao seu sucessor no Ministério do Desenvolvimento Regional, Daniel de Oliveira Duarte Ferreira, atual chefe de gabinete do senador do PL, para cancelar os convênios com a Prefeitura de Natal.
“Inexplicavelmente para nós, esses convênios que nós esperávamos que íamos [usar para] recuperar nossa orla urbana, pelo menos da Praia dos Artistas até a Praia do Forte e também investir no recapeamento de várias ruas e avenidas da cidade de Natal, não pudemos fazer na época por causa do cancelamento desses convênios”, declarou à época o ex-prefeito em entrevista à imprensa.
“Esses recursos deixaram de chegar para a Prefeitura [de Natal] e só agora nós estamos, depois de todo esse tempo, iniciando essas obras, porque foram cancelados e nós acreditamos, claro, que por uma determinação do ex-ministro Rogério Marinho, atual senador. Para nós foi uma surpresa”, completou o ex-prefeito.

Marinho, em seu discurso, apelou em nome da “união da oposição” em 2026, citando também o nome do senador Styvenson Valentim (Podemos), ausente do evento, a quem chamou de “voluntarioso” e “outsider”, mas que também foi elogiado por ter “amadurecido politicamente”.
De acordo com Rogério, Styvenson passou por uma “completa transformação de alguém que entendeu a necessidade de se aproximar da classe política para conseguir os resultados que a população precisa”, reafirmando seu apoio à reeleição do senador do Podemos, mas sem descartar que ele também poderá ser o candidato da oposição a governador em 2026.
Marinho não, em nenhum momento do discurso, o nome do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União), a que fez acenos recentes depois de também haver rompido com ele em razão da eleição de 2024. Rogério queria indicar o vice de Allyson, que recusou a composição. O PL terminou lançando a candidatura de Genivan Vale ao pleito, que amargou um longínquo terceiro lugar, com apenas 7,6% dos votos válidos.
Da bancada federal potiguar, estiveram presentes ao convescote da oposição os deputados federais Robinson Faria (PL) e Benes Leocádio União e a deputada federal Carla Dickson (União). As ausências sentidas foram do deputado federal General Girão (PL) e Sargento Gonçalves (PL). Esse último, porém, teve a falta justificada em razão da viagem aos Estados Unidos para participar da posse do novo presidente Donald Trump, mas teve que se contentar em assistir à cerimônia por um telão por ter sido barrado no Capitólio.