Praias com lixo em Natal são locais de desova de tartarugas marinhas
As praias da Via Costeira de Natal nas quais têm sido encontrado lixo não só de origem internacional, mas também local, são espaços de desova de tartarugas marinhas. Ao todo, seis quilômetros de praia têm sido monitorados por voluntários e pesquisadores do Centro de Estudos e Monitoramento Ambiental (Cemam).
Até o momento, pelo menos 30 ninhos já foram identificados, o maior número já registrado até aqui, mas a estimativa é que essa quantidade seja ainda maior por causa do período reprodutivo. A preocupação é que a desova seja afetada pela quantidade de lixo deixado nas praias.
“Pelo menos três vezes por semana fazemos o monitoramento. As fêmeas sobem para desovar e podem acabar ingerindo lixo, confundir com comida. Isso afeta também outras espécies que se alimentam naquela região. Para os filhotes de tartaruga o lixo pode ser um empecilho que impede a ninhada de chegar ao mar”, alerta Daniel Solon, presidente do Cemam.
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O período de desova das tartarugas marinhas costuma ir de setembro a março. Porém, no caso dos locais monitorados pelo Cemam, tem sido observado um período reprodutivo um pouco diferente, entre dezembro e junho.

O lixo dos locais
Recentemente tem sido noticiado o encontro de lixo estrangeiro na área de praia em diferentes pontos da Via Costeira de Natal. Porém, Daniel ressalta que a quantidade de lixo deixado pelos banhistas locais é muito maior, o que revela a necessidade de uma maior consciência ambiental sobre o descarte do lixo em locais adequados.
“Também há muito lixo local, como canudos, garrafas, velas, Hoje fui coletando alguns materiais e saí de mãos cheias e era lixo deixado por frequentadores da praia! Os locais também não têm tanta consciência, é uma realidade das praias urbanas, uma parcela de culpa por esse lixo também é nossa”, critica Daniel.
Ecoturismo
Atualmente o Cemam monitora tartarugas marinhas na área da Redinha, em Extremoz, Via Costeira e Ponta Negra, em Natal, além da área que vai de São Miguel até Caiçara do Norte. Já outros animais marinhos, como baleias, golfinhos, peixe-boi e aves marinhas, são monitorados em todo o litoral.
Além do Cemam, há outras instituições que trabalham com animais marinhos, como o Projeto Tamar (monitora em Pipa e Baía Formosa), o APC Cabo de São Roque (Maxaranguape, Nísia Floresta e Ceará-Mirim), o Cetáceos da Costa Branca, da UERN (PCCB-UERN), que monitora os registros reprodutivos de Caiçara do Norte até a divisa com o Ceará, e o NUMAR em Touros.
“É cada instituição em sua área, mas a gente conversa e se ajuda para poder poupar esforços já que todo mundo trabalha lutando para captar recursos. Nossa ideia é que a gente consiga proporcionar e desenvolver o ecoturismo naquela região, já que tem tanto hotel ali na frente. Espero que possam enxergar aquilo como oportunidade. A gente observa nas visitas que as pessoas são curiosas, não sabem que esses animais estão lá. É em frente a vários hotéis, é só no dia de abertura de ninho, por exemplo, as pessoas poderem presenciar esses momentos que são bem importantes”, sugere o presidente do Cemam.