RN tem dois potiguares no Festival de Cannes
A recepção do filme “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, no Festival de Cannes tem sido uma festa da qual dois potiguares fazem parte: Alice Carvalho e Kaiony Venâncio. Ambos integram o elenco do longa, que é um dos concorrentes à Palma de Ouro e teve estreia com direito a 13 minutos de palmas da plateia após a primeira exibição.
Ao lado de nomes bem conhecidos, como Wagner Moura e Maria Fernanda Cândido, Kaiony Venâncio estreia em Cannes com um currículo de peso. Ele tem 16 anos de carreira e já atuou em Cangaço Novo”; “Maria e o Cangaço”; na série de animação “As aventuras de Nina e Xilo”; e nos filmes “Leite em Pó”, de Carlos Segundo; “Diga adeus que vai embora”, de Valério Fonseca; “Nova Amsterdam”, de Edson Soares e em “A Era do Metano”, de Marcia Lohss.


Em “O Agente Secreto”, Kaiony faz o papel de “Vilmar”, um estivador que trabalha no porto de Recife, mas que, na verdade, é um matador de aluguel.
“A recepção tem sido surreal. As pessoas que acompanham a carreira de Kleber Mendonça Filho estavam ansiosas para a estreia do “O Agente Secreto”. Além disso, a delegação brasileira tinha aproximadamente 64 pessoas, entre elenco e equipe de produção”, revela o artista.
Além dele, Alice Carvalho também levou o sotaque potiguar a Cannes. A atriz, que vem colecionando indicações e prêmios ao longo da carreira, também passou pelo tapete vermelho com o restante do elenco ao som de banda de frevo. Alice é um dos nomes em Cangaço Novo, esteve no remake da novela Renascer e também participou do longa “Ângela”, filme inspirado na vida de Ângela Diniz, assassinada em 1976 pelo namorado Doca Street.


Ambientado na Recife de 1977, “O Agente Secreto” trata da história de um professor universitário que foge de São Paulo depois de um desentendimento com o empresário. De volta a Recife, onde o filho mora com a avó, ele adota uma identidade falsa por questão de segurança.
O filme não faz referência direta à ditadura militar, mas ela está presente através da violência e corrupção do período retratado e nas constantes fotos de Ernesto Geisel que aparecem em alguns espaços.
Na trilha de “Ainda Estou Aqui” e de outros filmes nacionais, “O Agente Secreto”, ao seu próprio modo, também fala sobre a importância da memória e da reflexão sobre tempos, que não devem se repetir.
