Homem que socou namorada mais de 60 vezes também a incentivou a cometer suicídio
Natal, RN 4 de jun 2026

Homem que socou namorada mais de 60 vezes também a incentivou a cometer suicídio

29 de julho de 2025
5min
Homem que socou namorada mais de 60 vezes também a incentivou a cometer suicídio
Igor Eduardo Pereira Cabral I Imagens: reprodução redes sociais

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Antes de sofrer uma tentativa de feminicídio no último sábado (26), quando levou mais de 60 socos durante uma discussão no elevador de um prédio no bairro de Ponta Negra, Zona Sul de Natal, Juliana Soares, de 35 anos, já havia sido incentivada pelo então namorado, Igor Eduardo Pereira Cabral, 29, a cometer suicídio. A informação foi revelada pela vítima durante depoimento à Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher da Zona Leste, Oeste e Sul (DEAM/ZLOS).

Ela preencheu comigo o Formulário Nacional de Avaliação de Risco, aí no formulário é perguntado sobre agressões, justamente, para entendermos o grau das agressões que essa mulher vinha sofrendo e nesse momento ela informou que já havia sido agredida com um empurrão e que em outras ocasiões ela conversou com ele sobre a possibilidade dela se matar e ele incentivava ela a tomar essa atitude”, conta a delegada Victoria Lisboa, da DEAM ZLOS.

O incentivo ao suicídio teria ocorrido numa fase na qual a vítima pensou em tomar remédios.

Ela estava com o psicológico abalado e aí ele estava incentivando [a tomar os remédios]. Isso, inclusive, será apurado melhor porque também pode configurar crime”, acrescenta a delegada.

Depois de ser detido em flagrante, durante audiência de custódia, foi decidido que Igor Eduardo Pereira Cabral permaneceria detido preventivamente (sem prazo). O inquérito policial deve ser concluído em um prazo de até 30 dias, quando a Polícia Civil encaminhará o caso ao Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN), que oferecerá a denúncia contra o agressor.

São fatos [o incentivo ao suicídio] que já chamam atenção para uma violência doméstica. Até o fato dela não ter saído do elevador já com receio dele agredi-la e ter as filmagens caso algo acontecesse, já mostra o receio que ela tinha. Uma coisa que sempre digo às vítimas que comparecem é que o amor não dói, o amor não machuca, se está te agredindo, de alguma forma, procure a intervenção da polícia”, aconselha Victoria Lisboa.

Igor Eduardo Pereira Cabral

Relembre o caso

Juliana Soares foi espancada com violência pelo ex-namorado, Igor Cabral, na tarde do último sábado (26), após uma discussão no elevador do condomínio onde mora, na Zona Sul de Natal. Imagens do circuito interno registraram o momento em que ela leva dezenas de socos no rosto. A violência durou menos de um minuto, mas foi o suficiente para deixar a vítima com o rosto desfigurado. O porteiro, ao ver as imagens, acionou a Polícia Militar.

O agressor foi contido pelos moradores, até a chegada dos policiais, quando o elevador chegou ao térreo. A vítima, que foi levada para o Hospital Walfredo Gurgel, sofreu fraturas no rosto, deslocamento da mandíbula e perda parcial da visão. Ela será submetida a uma cirurgia ainda esta semana.

A delegada Victória Lisboa relatou que o agressor, ao prestar depoimento na Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (Deam), alegou que tinha claustrofobia, mas ela rechaçou a justificativa.

Ele justificou essa situação de claustrofobia, porque ele estava, querendo ou não, no elevador. Mas, assim, a meu ver, isso não é nenhuma justificativa para o que foi feito”, disse a delegada.

Vítima disse que já tinha sofrido violência psicológica

Em entrevista à TV Tropical, Juliana contou que o ex-namorado demonstrava comportamento possessivo, já havia lhe empurrado e cometido muita violência psicológica, mas não imaginava que ele chegaria ao ponto de tentar matá-la. A briga teria começado após ele ver mensagens no celular da vítima.

Eu pensei: vou ficar no elevador porque tem câmera, se ele fizer alguma coisa vai estar filmado. Mas não imaginei que ele faria isso, só pensei em sair dali viva”, contou.

Agora é o momento que eu estou pensando em me reerguer e me recuperar para poder seguir minha vida bem longe dele”, contou, dizendo que se relacionava com ele há quase dois anos, que tinham um “convívio familiar” e que a agressão foi “uma grande decepção”.

Eu já esperava que ele não fosse a pessoa mais calma do mundo, mas também não esperava que ele fosse capaz disso”, afirmou.

Amigos fazem vaquinha para ajudar nas despesas

Amigos da vítima organizaram uma vaquinha virtual para arrecadar recursos para ajudar no tratamento de Juliana. Em apenas um dia, já foram feitas quase 900 contribuições e foram arrecadados mais de R$ 30 mil. A meta é alcançar R$ 50 mil.

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