Zona Norte mobiliza ação em defesa dos manguezais de Natal
Natal, RN 18 de jul 2026

Zona Norte mobiliza ação em defesa dos manguezais de Natal

13 de outubro de 2025
3min
Zona Norte mobiliza ação em defesa dos manguezais de Natal

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No último domingo (12), moradores, pescadores, marisqueiras e ativistas socioambientais da Zona Norte de Natal se reuniram em um ato de conscientização e em um mutirão de limpeza no manguezal próximo a Gamboa do Jaguaripe, um dos ecossistemas mais ameaçados da capital potiguar. A iniciativa buscou chamar atenção para a preservação dos manguezais e para os impactos de obras urbanas sobre a vida das comunidades tradicionais.

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O encontro teve caráter educativo e político. Participantes promoveram rodas de conversa sobre consumo consciente, sustentabilidade e os efeitos da degradação ambiental nos rios Potengi e Jaguaribe, além de realizar ações práticas de limpeza no mangue. “Foi um domingo intensamente produtivo. Precisamos perceber que o desmonte ambiental já está acontecendo aqui, na nossa casa, e exige ação imediata”, afirmou um dos organizadores.

A mobilização ocorre em um contexto de tensão, a construção da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Jaguaribe, instalada dentro da Zona de Proteção Ambiental (ZPA) número 8, impacta diretamente o trabalho de pescadores e marisqueiras.

Durante o ato, marisqueiras relataram a destruição parcial do manguezal por máquinas e tubulações. Uma delas contou que, desde 1984, trabalhava diariamente na coleta de mariscos e outros recursos do mangue, mas hoje vê seu sustento ameaçado. “Olha a situação que está a maré. Não era desse jeito, gente. Isso é uma barbaridade”.

O manguezal da Zona Norte é vital não apenas para a subsistência das comunidades, mas também para a biodiversidade local e a proteção contra eventos climáticos extremos.

A Caern explicou que a tubulação marrom observada no mangue é provisória e parte do processo de interligação do emissário da ETE ao corpo receptor do efluente tratado. A Companhia afirmou que o terreno será restituído ao nível original e que a obra segue protocolos técnicos e ambientais, estando licenciada pelo Idema, órgão que realiza vistorias periódicas no local.

Apesar da regulamentação, a comunidade critica a falta de diálogo e alerta para os riscos que a obra representa à ZPA 8 e ao modo de vida tradicional. “Não há como falar sobre justiça ambiental e deixar o manguezal fora dessa. Precisamos tomar responsabilidade, independentemente de instituições ou cargos que ocupamos”, afirmou Ta’angahara, coordenador de comunicação do Gamboa do Jaguaribe.

O ato de domingo reforçou que a preservação ambiental vai além de normas e licenças, é uma questão de sobrevivência, justiça e resistência cultural. Ao plantar novas mudas e limpar o mangue, os participantes deixaram claro que defender os ecossistemas costeiros é também defender a vida das pessoas que dependem diretamente deles.

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Obra na Zona Norte de Natal impacta vida de pescadores e marisqueiras

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