Com Paulo Betti, abertura do Flipipa 2025 é marcada por humor, afeto e política
Natal, RN 4 de jun 2026

Com Paulo Betti, abertura do Flipipa 2025 é marcada por humor, afeto e política

31 de outubro de 2025
5min
Com Paulo Betti, abertura do Flipipa 2025 é marcada por humor, afeto e política
Foto: Gil Araújo

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A Praia da Pipa começou quinta-feira (30) embalada por palavras, melodias e memórias. Desde cedo, o Flipipa 2025 já ocupava o vilarejo com sons, histórias e sotaques vindos de diferentes cantos do Rio Grande do Norte. Assim começou a primeira noite do festival que este ano celebra o tema “Memória em Movimento”.

Pela manhã, a mesa “A Moça Tentada e A Ninhada da Velha” abriu os trabalhos na Tenda dos Autores com os romanceiros de Tibau do Sul, apresentados por Andreia Galvão, Felipe Pereira e Helânio Moreira. À tarde, o público circulou entre pousadas, restaurantes e hotéis, acompanhando as leituras e performances de artistas como Carlos Zens, Chico Bethoven, Humberto Hermenegildo, Maria Aparecida Rego e Derivaldo Santos, além da potente mesa “Lugares de Fala”, que reuniu Maria Valéria Rezende, Rejane Souza e Carla Alves em torno da força das mulheridades na literatura contemporânea.

Na Praça do Pescador, a Tenda dos Autores se transformou em um palco de emoções partilhadas, risadas cúmplices e silêncios atentos, o tipo de encontro em que a literatura deixa de ser apenas leitura e vira presença. Assim começou a primeira noite do Festival Literário da Pipa (Flipipa) 2025, que este ano celebra o tema “Memória em Movimento”.

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A programação noturna abriu com a mesa “A palavra como arte”, reunindo Clarice, Wilson e Sofia Freire, pai e filhas que cruzam as fronteiras entre poesia, música e afeto. Atuantes na cena pernambucana, o trio fez da conversa uma espécie de espetáculo íntimo, em que lembranças e rimas se misturavam como quem folheia um álbum de família.

Sofia, a mais nova, emocionou o público ao cantar composições próprias inspiradas em sua casa e na força poética que herdou de berço. Enquanto isso, o pai e a irmã revezavam confidências sobre o fazer literário, e sobre a vida que pulsa entre versos.

As estações de João Almino

Logo depois, às 20h30, o diplomata e acadêmico João Almino subiu ao palco para a mesa “As Estações Ficcionais”, mediada por Leila Tabosa. Autor de oito romances e membro da Academia Brasileira de Letras, Almino conduziu um diálogo instigante sobre os temas que atravessam sua obra, personagens femininos complexos, reflexões sobre o autoritarismo e até questões de transgeneridade e inteligência artificial trazidas “muito à frente de seu tempo”, como definiu a mediadora.

Entre risadas e provocações, o público descobriu um escritor atento ao seu tempo e, ao mesmo tempo, à frente dele. Ao final, um brinde com doses de cachaça coroou a conversa: um gesto simbólico que selou a leveza e a autenticidade de uma noite em que a intelectualidade se fez também descontraída.

Rir é também escrever

A última mesa da noite, Autobiográfico, trouxe o ator e escritor Paulo Betti e a humorista Dadá Coelho, com mediação de Arlindo Bezerra. Foi um verdadeiro espetáculo de humor, afeto e cumplicidade. O casal compartilhou histórias de bastidores, processos criativos e a forma como a escrita atravessa todas as dimensões da arte, do teatro ao cinema, do stand-up à crônica cotidiana.

Betti, que acaba de lançar sua “Autobiografia Autorizada”, emocionou o público ao mesclar lembranças familiares com reflexões sobre o ofício de narrar a própria vida. Mas também abriu o debate com um posicionamento contundente sobre o cenário nacional:

“Não consigo ser feliz no meu dia a dia com o que está acontecendo no Rio de Janeiro”, disse o ator, referindo-se ao massacre nas favelas do estado. E completou: “Fora Cláudio Castro.”

O riso, nesse caso, dividiu espaço com a indignação, lembrando que a arte, antes de entreter, também é política

O Flipipa 2025 segue até o dia 1º de novembro, espalhando literatura por pousadas, restaurantes e praças com uma programação que mistura debates, saraus, feiras e apresentações musicais.
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Realizado pela Fundação Hélio Galvão e pelo Escritório Candinha Bezerra, o festival reúne nomes como Sidarta Ribeiro, Eliane Potiguara, Ana Miranda, Tiganá Santana e Maria Valéria Rezende, um ponto de encontro entre literatura, natureza e afeto. Confira a programação dos próximos dias:

Saiba Mais: Sidarta Ribeiro, Paulo Betti e Ana Miranda são destaques do Flipipa 2025

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