Maio da luta antimanicomial reforça debate sobre cuidado em liberdade no RN
Natal, RN 14 de jul 2026

Maio da luta antimanicomial reforça debate sobre cuidado em liberdade no RN

28 de maio de 2026
4min
Maio da luta antimanicomial reforça debate sobre cuidado em liberdade no RN

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A luta antimanicomial é um movimento social que defende o cuidado em liberdade para pessoas com sofrimento psíquico e questiona modelos de tratamento baseados no isolamento em hospitais psiquiátricos. A mobilização ganhou força no Brasil a partir da década de 1980, impulsionando mudanças na forma como o país passou a tratar a saúde mental e consolidando a defesa dos direitos humanos dentro das políticas públicas da área, na data celebrada em 18 de maio.

A data marca o Dia Nacional da Luta Antimanicomial e relembra o encontro de trabalhadores da saúde mental realizado em 1987, em Bauru, no interior de São Paulo, considerado um marco da reforma psiquiátrica brasileira. O movimento passou a defender a substituição gradual dos manicômios por serviços comunitários e humanizados, como os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), residências terapêuticas e centros de convivência.

Segundo a psiquiatra Isabella Lopes, a luta antimanicomial não significa ausência de tratamento, mas uma mudança na lógica do cuidado. “O objetivo é garantir que a pessoa seja tratada com dignidade, mantenha vínculos familiares e sociais e tenha acompanhamento multiprofissional, sem que o isolamento seja a principal resposta ao sofrimento psíquico”, explica em entrevista à Agência Saiba Mais.

No Brasil, a pauta ganhou respaldo legal com a Lei da Reforma Psiquiátrica, sancionada em 2001, que priorizou o atendimento em liberdade e fortaleceu a Rede de Atenção Psicossocial (Raps) no Sistema Único de Saúde (SUS). A partir disso, os Caps passaram a ocupar papel central no atendimento a pessoas com transtornos mentais e usuários de álcool e outras drogas.

Apesar dos avanços, especialistas apontam que ainda existem desafios para consolidar o modelo de atenção psicossocial. Entre eles estão a falta de investimentos adequados em serviços substitutivos, dificuldades de acesso ao atendimento em algumas regiões e a permanência do estigma relacionado aos transtornos mentais.

No Rio Grande do Norte, a discussão também envolve a necessidade de fortalecimento da rede pública de saúde mental e da articulação entre os serviços. Em Natal, equipamentos como o Centro de Convivência e Cultura (CECCO), ligado à Secretaria Municipal de Saúde, desenvolvem atividades terapêuticas e culturais voltadas à promoção da saúde mental por meio da convivência comunitária.

As iniciativas incluem oficinas de teatro, música, pintura e artesanato, utilizadas como ferramentas de inclusão social e fortalecimento da autonomia dos usuários. A integração da arte ao tratamento é apontada por profissionais da área como uma estratégia importante para ampliar formas de expressão, estimular vínculos sociais e reduzir preconceitos relacionados ao sofrimento psíquico.

A psicóloga Luana Sobral avalia que a luta antimanicomial está diretamente ligada à defesa dos direitos humanos e à construção de uma sociedade menos excludente. Segundo ela, ainda persiste uma lógica social que associa pessoas com transtornos mentais à punição, ao isolamento e à institucionalização.

Outro desafio apontado no estado envolve a conexão entre comunidades terapêuticas e a Rede de Atenção Psicossocial. Relatórios do Conselho Federal de Psicologia já identificaram dificuldades de integração entre essas instituições e os Caps em municípios potiguares, o que pode comprometer o acompanhamento contínuo dos pacientes.

Fortalecer políticas públicas de saúde mental passa não apenas pela ampliação da rede de atendimento, mas também pela conscientização da população sobre o tema. O combate ao preconceito e a valorização do cuidado humanizado continuam sendo apontados como pilares centrais da luta antimanicomial no Brasil.

“Ainda existe muito desconhecimento sobre saúde mental. Muitas pessoas associam transtornos mentais à incapacidade ou à periculosidade, e isso dificulta tanto a inclusão social quanto a busca por tratamento”, finaliza a especialista.

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