Centrais dizem que PEC de Rogério Marinho abre caminho para “escala 7×0”
Natal, RN 11 de jun 2026

Centrais dizem que PEC de Rogério Marinho abre caminho para “escala 7x0”

11 de junho de 2026
5min
Centrais dizem que PEC de Rogério Marinho abre caminho para “escala 7x0”
De acordo com as oito centrais sindicais, PEC 12/2026 promove a precarização do emprego - Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

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Oito centrais sindicais denunciaram, em manifesto, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 12/2026 apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL) que permite ampliar a possibilidade de negociação direta sobre jornadas de trabalho entre empresas e trabalhadores. De acordo com as centrais, o texto promove a precarização do emprego.

“Trata-se de um retrocesso que abre caminho para aberrações como uma eventual ‘escala 7×0’. Não é difícil imaginar as consequências para o trabalhador que se recusar a cumprir exigências desumanas em um ambiente de trabalho submetido a tamanha pressão”, aponta o documento.

“Na vida real, o empregado não negocia em condições de igualdade. Muitas vezes, é levado a aceitar jornadas exaustivas porque os salários são insuficientes para cobrir suas necessidades básicas. Daí a importância do sindicato e da legislação trabalhista como instrumentos de proteção”, prossegue a carta.

O texto defende que o fim da escala 6×1 responde aos anseios de trabalhadores que enfrentam longas jornadas e baixos salários, “uma realidade que amplia os lucros patronais enquanto impõe aos empregados os limites da mera sobrevivência”.

“As vozes que hoje defendem a remuneração por hora estão, na prática, propondo o fim do descanso semanal remunerado (DSR). Da mesma forma, a defesa da negociação direta com o patrão busca enfraquecer a organização sindical e a negociação coletiva, pilares reconhecidos pelas normas da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e presentes nas democracias contemporâneas. Cabe, então, a pergunta: essas vozes do setor patronal estão realmente preocupadas com a produtividade e o desenvolvimento humano ou com a preservação de mecanismos históricos de coerção e de manutenção dos privilégios de classe?”, questiona o documento.

A carta é assinada pelos presidentes Sérgio Nobre, da CUT (Central Única dos Trabalhadores); Miguel Torres, da Força Sindical; Ricardo Patah, da UGT (União Geral dos Trabalhadores); Adilson Araújo, da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil); Antonio Neto, da CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros); Sonia Zerino, da NCST (Nova Central Sindical de Trabalhadores); José Gozze, da Pública; e Nilza Pereira, secretária-geral da Intersindical.

Denúncia à OIT

Em outra frente, as mesmas centrais sindicais brasileiras entregaram nesta terça-feira (10), durante a 114ª Conferência Internacional do Trabalho (CIT), da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em Genebra, na Suíça, uma carta ao diretor-geral da entidade, Gilbert F. Houngbo, em defesa do fim da escala 6×1, da redução da jornada de trabalho sem redução salarial e do fortalecimento da negociação coletiva.

O documento manifesta preocupação com a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 12/2026, apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), que prevê a prevalência de acordos individuais sobre instrumentos coletivos de trabalho, além da possibilidade de contratação por horas efetivamente trabalhadas e da proporcionalização de direitos sociais.

Na carta, as centrais afirmam que a proposta surge justamente no momento em que avança no Brasil o debate sobre a redução da jornada para 40 horas semanais, com duas folgas por semana e a superação da escala 6×1. As centrais ainda reforçam que a PEC representa um retrocesso ao deslocar o centro das relações de trabalho para a pactuação individual direta entre empregado e empregador.

“A consequência prática é a possibilidade de fragmentação da jornada, instabilidade da renda e proporcionalização de direitos sociais historicamente vinculados à proteção da dignidade humana no trabalho”, alertam as centrais.

O documento sustenta que a PEC nº 12/2026 contraria as Convenções nº 98 e nº 154 da OIT, ambas ratificadas pelo Brasil, que estabelecem a promoção da negociação coletiva como instrumento fundamental para a regulação das relações de trabalho.

As entidades também criticam a campanha promovida por organizações patronais em defesa da proposta, argumentando que ela busca enfraquecer a representação sindical e substituir a negociação coletiva por acordos individuais entre trabalhadores e empregadores.

O que diz a PEC de Rogério Marinho

O texto foi apresentado horas depois da Câmara dos Deputados aprovar a matéria que acaba com a escala 6×1 e estabelece uma jornada de trabalho de 40 horas semanais com dois dias de descanso. 

A PEC de Rogério, apresentada como uma alternativa ao fim da escala 6×1, permite a opção entre o regime tradicional previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e um modelo flexível baseado em horas trabalhadas. A proposta altera o art. 7º da Constituição Federal para assegurar a livre pactuação contratual entre empregado e empregador, mantendo garantias trabalhistas. Ao todo, 36 senadores da oposição assinam o texto protocolado no Senado Federal, entre eles o também senador do RN Styvenson Valentim (Podemos).

Saiba Mais: Rogério Marinho reage ao fim da escala 6×1 com PEC do “horário flexível”

A proposição estabelece que o trabalhador poderá optar por um regime flexível de jornada, preservando direitos como férias, décimo terceiro salário, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e demais benefícios legais. 

A matéria também prevê que o valor mínimo da hora trabalhada deverá respeitar proporcionalmente o salário mínimo nacional ou o piso da categoria profissional. Rogério Marinho sustenta que a medida busca modernizar as relações de trabalho,”respeitando a autonomia do trabalhador e proporcionando maior flexibilidade” para adaptar sua rotina às necessidades pessoais e às demandas do mercado de trabalho.

Saiba Mais: Senadores abandonam PEC de Rogério Marinho após pressão

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