Desmatamento cai 22% no RN enquanto estado amplia áreas protegidas da Caatinga
Natal, RN 12 de jun 2026

Desmatamento cai 22% no RN enquanto estado amplia áreas protegidas da Caatinga

11 de junho de 2026
4min
Desmatamento cai 22% no RN enquanto estado amplia áreas protegidas da Caatinga

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O Rio Grande do Norte reduziu em 22% a área desmatada em 2025, acompanhando uma tendência observada em todo o país. Os dados são do Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD 2025), da iniciativa MapBiomas Alerta, que aponta uma queda de 20,6% no desmatamento nacional e registra, pela primeira vez desde 2019, menos de 1 milhão de hectares de vegetação nativa suprimidos em um único ano.

No território potiguar, a área desmatada passou de 6.121 hectares em 2024 para 4.759 hectares em 2025. O estado manteve a 17ª posição no ranking nacional de desmatamento, mas apresentou desempenho superior à média brasileira. Enquanto o país registrou redução de 20,6%, o recuo no Rio Grande do Norte foi de 22%.

Os números também refletem a situação da Caatinga, bioma predominante no estado. Em toda a área de abrangência do bioma, o desmatamento caiu 25,9%, passando de 174,1 mil para 128,9 mil hectares. O número de alertas também diminuiu 16,6%, caindo de 17.797 para 14.838 registros.

No cenário regional, o Rio Grande do Norte aparece atrás de estados vizinhos como Sergipe e Alagoas em volume de alertas e áreas impactadas, mas registra índices significativamente menores que Bahia, Ceará e Piauí, que concentram parte importante da pressão sobre a Caatinga. Dados do MapBiomas mostram que Bahia e Ceará figuram entre os estados com maior quantidade de alertas de desmatamento do país em 2025.

Apesar do avanço, os dados mostram que o desafio da conservação permanece. O diretor técnico do Idema, Thales Dantas, atribui parte dos resultados ao fortalecimento das ações de monitoramento ambiental e ao uso de sistemas de satélite capazes de ampliar a detecção de áreas desmatadas:

“A Caatinga representa um dos principais patrimônios naturais do estado, reunindo biodiversidade adaptada ao semiárido e desempenhando papel fundamental na conservação dos recursos hídricos, no equilíbrio climático e na manutenção dos modos de vida das populações tradicionais”, afirmou.

A redução do desmatamento ocorre em um momento em que o governo estadual busca ampliar instrumentos de proteção ambiental. Em maio deste ano, foi criado o Refúgio de Vida Silvestre Serra das Araras (Revis Serra das Araras), considerado a maior unidade de conservação da Caatinga no Rio Grande do Norte.

Com área de 12.367 hectares distribuída entre os municípios de Cerro Corá, São Tomé e Currais Novos, a unidade foi criada para proteger ecossistemas estratégicos do semiárido, além de incentivar atividades como pesquisa científica, educação ambiental e turismo de observação de aves.

“O Revis Serra das Araras nasce como símbolo do equilíbrio entre conservação e desenvolvimento. É uma iniciativa que fortalece a proteção da Caatinga e reconhece o papel das comunidades locais na construção de soluções sustentáveis”, afirmou o diretor-geral do Idema, Werner Farkatt.

Segundo o MapBiomas, todos os biomas brasileiros apresentaram redução do desmatamento em 2025. A Caatinga, embora apresente queda consistente, segue entre os biomas que demandam atenção devido à pressão exercida pela expansão agropecuária e pela degradação ambiental.

Conservação no Seridó
A criação do Refúgio de Vida Silvestre Serra das Araras (Revis Serra das Araras) representa um dos principais avanços recentes da política ambiental potiguar. Instituída pelo Governo do Estado em 2026, a unidade de conservação tornou-se a maior área de proteção integral da Caatinga em território potiguar, abrangendo 12.367 hectares distribuídos entre os municípios de Cerro Corá, São Tomé e Currais Novos.

A área foi criada para proteger ecossistemas considerados estratégicos para a conservação da biodiversidade do semiárido, garantindo abrigo para espécies da fauna e da flora nativas e contribuindo para a manutenção dos recursos hídricos da região. Na categoria de Refúgio de Vida Silvestre, a unidade permite atividades de pesquisa científica, educação ambiental e turismo ecológico, desde que compatíveis com seus objetivos de conservação.

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