Há quem transforme farinha em pão. João Fagundes de Almeida transformou uma padaria em um espaço de reuniões clandestinas.
Por Rômulo Sckaff
A Padaria Palmeiras, localizada na Rua Frei Miguelinho, a mesma que fornecia pães para o 21º Batalhão de Caçadores, era também, segundo os autos da APL 160 do Superior Tribunal Militar, um dos principais locais de reuniões clandestinas que antecederam a Insurreição Popular de 1935.
Foi no sótão daquele sobrado que o padeiro, o sapateiro, o chofer, o cabo, a professora e tantos outros personagens de 1935 se reuniram para discutir um projeto de país e decidir enfrentar um sistema que consideravam injusto e opressor.
Por cinco dias, aquela experiência de poder popular existiu.
Mas este texto não é apenas sobre a Insurreição de 1935. É também sobre lembrar que pequenos comerciantes fazem parte do povo. Não eram “empreendedores”, como hoje se costuma dizer, nem grandes investidores ou capitalistas. Eram trabalhadores que encontraram no pequeno comércio uma forma de sobreviver, produzindo riqueza com o próprio trabalho.
Há ainda uma coincidência histórica que chama a atenção. A Padaria Palmeiras funcionava na Rua Frei Miguelinho, nome do padre revolucionário de 1817, executado por enfrentar a tirania monárquica. Mais de um século depois, naquela mesma rua, outro movimento de contestação à ordem estabelecida ganhava forma.
Assim como em 1817, a resposta do Estado foi a repressão, a criminalização e a violência.
Quase um século depois, essa história continua viva. Porque a luta contra a opressão ainda não terminou. Enquanto houver desigualdade, haverá também quem resista.
Feliz Dia do Padeiro!