Prefeitura de Natal tem 30 dias para responder 40 questões feitas pelo Idema para licenciar engorda de Ponta Negra
A partir desta terça (27), a Prefeitura de Natal tem 30 dias para responder aos 40 questionamentos feitos pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema), responsável por emitir a licença ambiental necessária para a obra de engorda da praia de Ponta Negra, cartão postal de Natal.
Os questionamentos e pedido de providências sobre o Estudo de Impacto Ambiental e seu respectivo Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) foram apresentados pelo diretor-geral do Idema, Leon Aguiar, durante coletiva à imprensa na manhã de hoje.
Dos 40 pontos levantados, 17 já haviam sido requeridos à Prefeitura por meio de Termo de Referência, emitido em 4 de julho de 2018 e também apresentado ao Ministério Público do Rio Grande do Norte no dia 11 de julho do mesmo ano.

Em suma, o Idema levanta questões básicas referentes a impactos na vida marinha e terrestre; na recreação e banho na enseada de Ponta Negra; na atividade de pesca artesanal com a retirada de areia de uma praia para outra; as alterações nas correntes marítimas; como ficará a drenagem das águas pluviais já que atualmente a encanação está em nível inferior ao calçadão e o projeto prevê que em alguns pontos da praia o nível da areia será o mesmo do calçadão de Ponta Negra; como será o impacto da engorda no Morro do Careca e Via Costeira; como a engorda poderá alterar a alimentação dos animais marinhos; além de pedir estudos de impacto nas áreas próximas à da jazida de extração da areia.

”Estamos falando de uma obra única, que pode gerar inúmeras consequências em longo prazo, por isso nosso cuidado. O Idema não tem condições de emitir uma licença quando não se possui informações essenciais para isso. O ambiente costeiro é bastante dinâmico, precisamos de subsídios para fazermos um licenciamento ambiental como deve ser, com segurança e responsabilidade socioambiental. Todas as peculiaridades devem ser detalhadas e analisadas para que não tomemos uma decisão errada”, ponderou Leon Aguiar, gestor do Idema.
De acordo com o projeto apresentado pela Prefeitura de Natal, a engorda será feita a partir de uma jazida de areia submersa, trazida de uma área de mar na altura do Farol de Mãe Luiza, que teria areia com granulometria de média a grossa, semelhante à da praia de Ponta Negra.
Para a transposição da areia de uma praia a outra será utilizada uma draga de sucção e, após a extração, o material será transportado e depositado em Ponta Negra em trechos espaçados a cada 200 metros.
“O Idema não trabalha de forma frágil e a exigência técnica é importante. Todas as informações levantadas pelo corpo técnico na Solicitação de Providências são fundamentais para as tomadas de decisão”, frisou o diretor técnico do Idema, Werner Farkatt.
Entre as preocupações do Idema também está as mudanças que a obra pode provocar nas atividades dos pescadores da região. Além disso, o município precisa apresentar as medidas temporárias que devem ser adotadas durante o período em que eles ficarem impedidos de pescar.
Outro questionamento é relativo à identificação das espécies de peixes existentes atualmente na área da praia de Ponta Negra e às medidas que devem ser adotadas para solucionar o conflito com os comerciantes de Ponta Negra que ainda não sabem como ficarão as atividades no período da obra.
Confira a seguir as dúvidas que a Prefeitura de Natal precisa responder para obter a licença ambiental necessária para a obra de engorda da praia de Ponta Negra.

Praia de Ponta Negra com enrocamento I Foto: Mirella Lopes
Como será a engorda
A obra de engorda e drenagem da praia de Ponta Negra, orçada em R$ 75 milhões entre recursos da Prefeitura de Natal e do Governo Federal, será realizada em três etapas. A promessa é de alargar faixa de areia da praia em até 100 metros, na maré seca, e 50 metros na maré cheia.
1ª etapa: Complementação do enrocamento, ou seja, dos blocos utilizados para contenção da água.
2ª etapa: A alteração da drenagem na região, com o objetivo de reduzir a força das águas pluviais que chegam à praia e, assim, minimizar a erosão costeira.
3ª etapa: Aterramento hídrico com cerca de 4,4 toneladas de areia, que será extraída de uma jazida de areia submersa, trazida de uma área do mar próxima à praia de Areia Preta, que teria o material adequado para este tipo de intervenção, isto é, uma areia com granulometria de média a grossa. Para tanto, será utilizada uma draga de sucção e, após a extração, a areia será transportada e depositada em Ponta Negra em trechos de 200 em 200 metros.
Os questionamentos:
- Como ficará a drenagem no local; como o projeto de engorda prevê que em alguns pontos a faixa de areia vai ficar na mesma altura que o calçadão, o Idema quer saber se as 14 descidas de água previstas estarão localizadas em algum desses pontos. Considerando que elas estão em nível mais baixo que o calçadão atualmente, o Idema quer saber como vai funcionar a drenagem das águas pluviais;
- Mais esclarecimentos dos procedimentos construtivos e dissipadores a serem utilizados no sistema de drenagem de águas pluviais;
- Impactos Ambientais: apresentar informações sobre a estabilidade do enrocamento e do aterro hidráulico, em função do sistema de drenagem de águas pluviais atualmente existente, bem como do escoamento subterrâneo nas áreas de influência;
- Acrescentar mais informações sobre as intervenções na faixa de praia nas extremidades da engorda (extremos norte e sul), em especial no trecho situado em frente ao Morro do Careca, de modo que fique demonstrada a largura da engorda idealizada para o local;
- O EIA (Estudo de Impacto Ambiental) deverá contemplar informações sobre os impactos positivos e negativos da implantação da engorda da Praia de Ponta Negra em relação ao Morro do Careca;
- Apresentar dados específicos dos resíduos oriundos do empreendimento em suas áreas de influência, fornecer dados qualitativos e quantitativos dos resíduos indicando o fluxograma dos processos dos pontos de geração de RSU (Resíduos Sólidos Urbanos) em todas as fases do empreendimento;
- Apresentar análise da vulnerabilidade à erosão costeira;
- Justificar o motivo pelo qual o empreendedor não atendeu a série temporal de no mínimo 60 anos da Modelagem Hidrodinâmica;
- Apresentar as definições da dimensão, direção e variação das correntes geradas pelas ondas;
- Apresentar informações acerca das outras correntes atuantes na área de influência;
- Apresentar a cota de inundação probabilística na praia;
- Apresentar a probabilidade de galgamento e volume caudal;
- Apresentar a simulação das condições detalhadas da porção terminal da intervenção, em situações com e sem estruturas rígidas no fechamento do aterro;
- Apresentar a comparação das respostas hidrodinâmicas e movimentações, retirada e deposição de sedimentos pela ação marinha;
- Apresentar informações pertinentes à área de jazida sobre Cadastro Mineiro junto a Agência Nacional de Mineração (ANM), valores de áreas e volumes (cubagem) das reais ocorrências de Sedimentos Siliciclásticos (áreas de empréstimo) que serão utilizadas na confecção do Aterro Hidráulico, acerca da recuperação natural da área de empréstimo, a dos controles ambientais em caso de possíveis incidentes e manutenção na utilização de equipamentos e maquinários na extração e as consequências e possíveis impactos ambientais para as praias e o litoral próximo a área de exploração da jazida marinha (área de empréstimo), considerando: (1) Erosão / deposição; (2) Padrão de correntes; (3) Sedimentologia; (4) Pluma de possíveis contaminantes resultantes da movimentação do substrato marinho; e (5) Ecossistema marinho;
- Sobre a avaliação dos impactos ambientais e medidas mitigadoras, esclarecer a divergência constante entre o quadro 198, na página 1053 do estudo, e seu subsequente texto explicativo, pois o impacto “alterações da superfície de fundo” previsto no quadro mencionado é contrário à explicação seguinte no texto sobre a possibilidade de mitigação;
- Apresentar dados fitossociológicos coletados com base em dados primários da Área Diretamente Afetada;
- Acrescentar ao texto e as tabelas do estudo as informações das espécies de interesse medicinal e econômico;
- Entregar “shapefile” (linhas, pontos ou polígonos) das áreas de influência (ADA, AID e AII) do EIA-RIMA (Relatório de Impacto Ambiental), das áreas amostrais ou dos pontos amostrais de fauna;
- Realizar uma segunda campanha de campo para cada grupo de fauna terrestre (crustáceos, abelhas, borboletas, répteis e aves);
- Apresentar no estudo as informações sobre vetores e hospedeiros de doenças;
- Apresentar informações de densidade de aves, herpetofauna (répteis e anfíbios) e insetos polinizadores;
- Atualizar os mapas das áreas prioritárias para conservação nos ambientes terrestre e marinho com as informações mais recentes, assim como, as áreas importantes para aves migratórias (concentração de aves migratórias e presença de aves ameaçadas de extinção);
- Descrever como as alterações ambientais podem afetar locais de alimentação de aves limícolas (geralmente associadas a zonas húmidas como áreas costeiras, lagoas e estuários) e de crustáceos nas áreas de influência do estudo;
- Apresentar dados dos vertebrados aquáticos de comunidades nectônicas (Quelônios e Cetáceos), a caracterização ecológica qualiquantitativa, com percentual em relação às espécies raras, ameaçadas ou em risco de extinção, migratórias, endêmicas, de interesse econômico, científico e epidemiológico, a localização das áreas de ocorrência, aspectos como hábitos alimentares, habitat, sítios de nidificação e alimentação significativos e abrigos;
- Realizar campanhas para levantamento de dados primários em relação à ictiofauna (conjunto das espécies de peixes que existem numa determinada região biogeográfica), quelônios (répteis, como a tartaruga) e cetáceos (animais marinhos mamíferos) na área do empreendimento (ADA, AID e AII);
- Realizar diagnóstico ao longo da AID em relação à ictiofauna, quelôneos e cetáceos com utilização de metodologia adequada para os ambientas arenosos e consolidados (recifes e naufrágio) ou que utilize dados secundários referentes à AID do empreendimento;
- Realizar campanha para levantamento de cetáceos nas áreas de influência do empreendimento no período de ocorrência de baleias jubartes (Megaptera novaeangliae) na costa do Rio Grande do Norte;
- Apresentar a identificação e avaliação dos potenciais impactos ambientais, bem como proposições de medidas de controle, mitigação, compensação e potencialização relacionadas aos componentes do projeto do empreendimento, considerando-os por fase (Planejamento, Implantação e Operação) para os vertebrados aquáticos de comunidades nectônicas (Quelônios e Cetáceos);
- Apresentar os impactos ambientais, proposta de medidas mitigadoras e programas de monitoramento ambiental em relação aos períodos reprodutivos das tartarugas marinhas na área de influência do empreendimento;
- Apresentar o número de questionários aplicados na população pesqueira de Ponta Negra para caracterizar a espécies de peixes capturadas e anexar ao EIA o questionário utilizado;
- Apresentar novo levantamento de populações de crustáceos, por meio de pelo menos mais duas visitas de campo em períodos distintos com coleta amostral de forma a representar o comportamento populacional sazonal na faixa de praia;
- Apresentar dados referentes às macrófitas aquáticas (macroalgas e vegetais aquáticos), visto que o grupo não foi contemplado para nenhuma das áreas de influência descritas no estudo ambiental apresentado;
- Reapresentar os dados referentes às comunidades aquáticas (fito, zooplâncton e bentônicos) utilizando prioritariamente dados primários, inclusive na área de jazida;
- Os resultados obtidos para o item anterior devem ser correlacionados com as análises de água e sedimento, conforme orientações contidas nos itens 9.1.7 e 9.1.8 do TR;
- Fornecer a lista de espécies de interesse econômico para a pesca local;
- Informar as alternativas temporárias de mitigação dos impactos durante a fase de implantação do empreendimento;
- Informar as medidas adotadas pelo empreendedor para que a atividade pesqueira seja minimamente impactada no período previsto para a obra;
- Informar quais providências serão adotadas para gerenciar os conflitos territoriais, durante as fases de instalação e operação do empreendimento, diante de preocupações dos usuários e trabalhadores apontadas em questionários, quanto aos impactos sociais e econômicos e uso do espaço praial;
- Esclarecer sobre divergências verificadas nas informações acerca dos usos recreativo e turístico da faixa de praia.