DEMOCRACIA

“Vou trocar o vidro e vai permanecer o adesivo”, diz professora que teve carro alvejado em Natal

A uma semana do segundo turno das Eleições 2022, o Rio Grande do Norte registrou pelo menos cinco ocorrências suspeitas de violência política na Grande Natal. Uma delas, na tarde desse domingo (23), em Ponta Negra, quando dois carros com adesivos do PT foram alvejados. Outra, no início da noite, ocorreu nas proximidades do “pisêro de Lula”, evento político que contava com a participação da governadora Fátima Bezerra (PT), em Macaíba.

A Polícia Civil informou que está investigando os fatos e circunstâncias relacionados a esses casos e que foram registrados quatro Boletins de Ocorrência na área da 15ª Delegacia de Polícia, em Ponta Negra. Já no caso dos disparos em Macaíba, que resultaram em duas pessoas feridas, as vítimas já foram ouvidas. Em breve, segundo a PC, serão divulgadas mais informações.

Sobre o ato de violência em Ponta Negra, uma das vítimas, que não quer se identificada (professora, de 55 anos), contou que participou de um bandeiraço pró-Lula próximo à Feirinha de Artesanato, na Av. Roberto Freire. De lá, dirigiu-se a um restaurante, na Rua Praia de Sagi. No entanto, ao retornar ao seu carro, um Volkswagen Up branco, notou estilhaços no chão. Foi, então, que se deparou com as marcas no vidro traseiro do veículo.

Em entrevista à SAIBA MAIS, ela disse que o carro estava estacionado na mesma rua, a poucos metros do restaurante, de onde não conseguiu ouvir nenhum barulho suspeito devido à música ao vivo do local. “Só vi o que aconteceu quando já estava indo embora. Eram três buracos, como se fossem tiros”, relata, acrescentando que registrou Boletim de Ocorrência na Delegacia de Plantão Zona Sul, na Av. Capitão-Mor Gouveia.

Ainda conforme a vítima, os policiais militares que estiveram no local afirmaram que as marcas não tinham características de bala, mas que os responsáveis e os objetos utilizados só poderão ser devidamente identificados após investigação da Polícia Civil. Um outro veículo, também sinalizado com adesivos do PT e de Lula, também foi alvo. Imagens de câmeras de segurança estão sendo recolhidas para auxiliar na identificação do(s) criminoso(s).

“A sensação é horrível, de insegurança mesmo. O medo existe – eu mesma só botei adesivo da campanha na semana passada. Mas vou trocar o vidro e vai permanecer o adesivo, a bandeira. Porque nós somos livres para nos manifestar politicamente de acordo com o que acreditamos. Só é muito triste essa situação que estamos vivendo”, lamenta.

Violência política dispara no Brasil

Um levantamento realizado pelo Observatório da Violência Política e Eleitoral, da UniRio, aponta que a violência contra lideranças políticas brasileiras cresceram 335% nos últimos três anos. Somente entre a pré-campanha e o primeiro turno das Eleições 2022, foram 42 casos, conforme relatório divulgado às vésperas do primeiro turno pela Anistia Internacional Brasil.

A entidade classificou o cenário eleitoral no país de “preocupante” e apontou cinco assassinatos e outras violações aos direitos humanos em mais da metade dos estados brasileiros. Das 42 violações, 19 foram dirigidas aos próprios candidatos e assessores próximos e  21 foram cometidas contra eleitores, apoiadores e cabos eleitorais de candidatos. As demais não foram identificadas.

No Rio Grande do Norte, de acordo com a Sesed, ainda não há nenhum caso confirmado de violência política. Todos seguem em investigação.

Pessoas que forem vítimas ou presenciarem casos de violência devem ligar para o 190 ou para o Disque Denúncia da Sesed, o 181.

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