Bissexual, vereadora do PT recebe ameaça de estupro corretivo em Natal e vai acionar Ministério da Justiça para investigar criminoso
Natal, RN 23 de jun 2024

Bissexual, vereadora do PT recebe ameaça de estupro corretivo em Natal e vai acionar Ministério da Justiça para investigar criminoso

11 de outubro de 2023
3min
Bissexual, vereadora do PT recebe ameaça de estupro corretivo em Natal e vai acionar Ministério da Justiça para investigar criminoso

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A vereadora de Natal Brisa Bracchi (PT) recebeu nesta quarta-feira (11) uma ameaça de “estupro corretivo”. A agressão foi enviada para o e-mail do mandato da parlamentar e assinada por um suposto Doutor Astolfo Bozzônio Rodriguez. O criminoso se apresenta como doutor em psicologia social pela universidade de Harvard.

A mensagem diz que o estupro corretivo terapêutico é uma medida comprovada que cura “o homossexualismo feminino porque ser sapatão é uma aberração”, diz um trecho do e-mail.

O autor da ameaça também afirma que sabe o endereço da casa da vereadora e se dispõe a ir até o local para aplicar o corretivo.

Brisa Bracchi exerce o primeiro mandato de vereadora em Natal e sempre se assumiu bissexual. As pautas defendidas pela parlamentar também procuram dar visibilidade às causas da comunidade LGBTQIA+. Uma das leis aprovadas, a partir de um projeto apresentado por ela, tornou lei em Natal a Semana de Enfrentamento à Lesbofobia.

Procurada pela agência SAIBA MAIS, a assessoria da vereadora do PT informou que levará o caso ao Ministério da Justiça para que a Polícia Federal investigue o criminoso. Um Boletim de Ocorrência será registado na próxima sexta-feira

- O sistema da polícia está fora do ar, por isso não conseguimos registrar (hoje), mas na sexta Brisa deve fazer uma representação criminal, mas também está buscando diálogo com o Ministério da Justiça para que a Polícia Federal também investigue o caso”, disse.

O autor da mensagem tenta humilhar a parlamentar e sugere sessões de tortura contra a parlamentar:

“Quando uma mulher lésbica ou bissexual é submetida ao coito vaginal por um varão capacitado da forma correta (recomenda-se que a lésbica esteja nua, com os pulsos amarrados atrás das costas com cordas ou algemas plásticas, os olhos vendados com pano e a boca amordaçada com pano ou fitas adesivas. E que o terapeuta introduza o pênis na vagina dela o máximo de vezes possível), ela recupera sua feminilidade perdida e volta a ser heterossexual”, diz outro trecho da ameaça.

“Confesso que fiquei assustada”, diz vereadora atacada

Brisa se posicionou nas redes sociais sobre a violência a que foi submetida. Ela disse que se assustou com o teor da mensagem, mas garante que não vai se intimidar:

 “Outras mulheres, feministas e LGBTs receberam ameaças semelhantes, mas isso não invalida a dor individual de cada uma. Confesso que fiquei assustada e, por isso, tomarei todas as medidas possíveis, tanto procurando os órgãos de segurança local, como os nacionais, para que os responsáveis por esse tipo de ação sejam devidamente punidos”, escreveu, antes de completar:

“Apesar do impacto, não retrocederemos. Recentemente, se tornou lei em Natal a Semana de Enfrentamento à Lesbofobia, exatamente para avançarmos no fim desse tipo de violência que mira em mulheres lésbicas e bissexuais. Continuaremos firmes na luta por um mundo mais justo, em que esse tipo de violência não seja cabível”, conclui Brisa.

Leia na íntegra o e-mail enviado:

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