Trabalhadores da Redinha denunciam falta de diálogo sobre privatização
Natal, RN 21 de jul 2026

Trabalhadores da Redinha denunciam falta de diálogo sobre privatização

17 de setembro de 2024
6min
Trabalhadores da Redinha denunciam falta de diálogo sobre privatização
Complexo Turístico da Redinha I Foto: Alex Régis

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Com previsão para ser entregue na primeira semana de outubro, a obra milionária do Complexo Turístico da Redinha alcançou 97% de conclusão, de acordo com a Secretaria de Infraestrutura de Natal (Seinfra). Atrasada desde setembro de 2023 e com um orçamento de 25 milhões de reais, o serviço que traria modernização e bem-estar para a população e trabalhadores da Praia da Redinha preocupa os antigos trabalhadores do Mercado que terão um contrato limitado no novo Complexo.

Isso porque, após três tentativas frustradas, a Câmara Municipal de Natal aprovou a concessão do Complexo Turístico da Redinha à iniciativa privada pelos próximos anos, através de Parcerias Público-Privadas (PPPs). Outros espaços públicos também foram concedidos, como o Teatro Sandoval Wanderley, no bairro do Alecrim. A Parceria Público-Privada (PPP) foi sancionada em Diário Oficial no dia 2 de setembro.

Moradores ouvidos pela reportagem relataram descontentamentos diante do projeto de privatização do mercado. Segundo a categoria, antes dos inícios das obras, o Executivo municipal prometeu o retorno dos trabalhadores ao complexo e agora, essa garantia foi retirada em partes, já que uma emenda acrescentada ao texto garante a licença de atuação dos permissionários por 4 anos, podendo ser renovada por mais 4. 

Trabalhadores ouvidos pela Agência Saiba Mais denunciaram que a categoria não foi ouvida durante as discussões e a permissão de apenas 4 anos não garante a continuidade dos serviços. Muitos dos trabalhadores exercem suas funções há décadas, com gerações de famílias trabalhando no local. “Todos são contra a privatização”, denunciam. Ainda segundo a categoria, os trabalhadores não foram ouvidos durante esse processo. 

Leia também: CMN aprova entrega de teatro e Complexo da Redinha à iniciativa privada

Antes disso, os moradores e trabalhadores da Praia da Redinha, na Zona Norte de Natal, realizaram um protesto na Ponte Newton Navarro no último dia (16) de julho contra o projeto de lei. Na Câmara Municipal, os permissionários de boxes do e comerciantes do Alecrim também lotaram as galerias em protesto contra a discussão. 

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Complexo Turístico da Redinha

O Projeto de Lei nº 465/2024 para autorizar a outorga de concessão do Complexo Turístico da Redinha à iniciativa privada por 25 anos foi enviado pelo prefeito Álvaro Dias por meio da Mensagem nº 135/2024 de 3 de julho de 2024 e apresentada à Casa legislativa no dia 08, com solicitação de regime de urgência. 

A empresa que vencer o processo deve garantir o retorno dos antigos comerciantes que trabalhavam dentro e fora do Mercado da Redinha antes da reforma. Porém, o texto deixa brecha para dúvidas no trecho no qual afirma que os antigos trabalhadores serão aceitos “desde que cadastrados e reconhecidos” pela Prefeitura do Natal.

Ao todo, havia 33 proprietários de quiosques, restaurantes e lanchonetes, sendo 16 dentro do antigo Mercado da Redinha e 17 do lado de fora. De acordo com o Projeto de Lei nº 465/2024, encaminhado à Câmara de Vereadores, o contrato com os antigos comerciantes será válido pelo período de três anos, podendo ser renovado por mais três. Não foi esclarecido qual será o procedimento após esse período.

A empresa que ficar com o direito de explorar o Complexo Turístico da Redinha passará a cobrar uma taxa mensal de cerca de R$ 650. O projeto também prevê isenção aos comerciantes no primeiro ano de ocupação do espaço, depois, desconto de 75% no segundo ano, de 50% no terceiro ano e, caso renovada, 25% de desconto no quarto ano, 12,5% de desconto no quinto ano e, por fim, 5% de desconto no sexto ano.

A concessão à iniciativa privada terá duração de 25 anos. A empresa vencedora terá que manter, no mínimo, o percentual de 10% das unidades locáveis dos boxes e quiosques por comerciantes domiciliados na praia da Redinha; aplicar 10% das receitas líquidas acessórias à concessão no melhoramento do bairro através de obras e serviços previamente aprovados pela Prefeitura do Natal; e manter o percentual de 30% de todos os funcionários contratados pela concessionária, ainda que por meio de terceirização, de moradores do bairro da Redinha.

Relembre

A nova estrutura do Complexo Turístico da Redinha, em substituição ao antigo e tradicional Mercado da Redinha, faz parte de um projeto de reestruturação da praia localizada no litoral Norte, no qual foram investidos cerca de R$ 25 milhões de recursos do município e do governo federal. Quando ficar pronto, o espaço será entregue para exploração da iniciativa privada através de uma PPP (Parceria Público-Privada).

As obras do mercado começaram em abril de 2022 com o prazo para o fim do serviço em setembro de 2023. No entanto, o serviço já foi adiado, pelo menos, 3 vezes e diante da situação as famílias que atuavam na praia foram retiradas e impedidas de trabalhar no local. O antigo mercado tinha 17 permissionários na área interna, além de 16 quiosqueiros em seu entorno.

Durante o processo de negociação para deixar o local, a Prefeitura do Natal fez acordo com 20 quiosqueiros. Uma parte aceitou receber R$25 mil sob condição de poder continuar atuando no local por seis meses, entre 1º de outubro do ano passado e 31 de março de 2024. Já outros dez permissionários optaram por receber uma indenização maior, de R$50 mil, e abrir mão dos seis meses de permissão para trabalhar novamente na praia.

Porém, demais trabalhadores, como garçons, cozinheiros, pescadores, ambulantes e funcionários de outros setores que trabalhavam na praia fizeram vários protestos porque ficaram de fora da negociação. Ou seja, não é de hoje que as obras de reestruturação da praia na zona Norte trazem um cenário de insegurança, principalmente econômico, para os trabalhadores da região.

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