Por uma esquerda de prosperidade e que desafine o coro dos contentes
As vitórias eleitorais da extrema-direita no mundo ( Trump) e no Brasil( bolsonarismo) ligaram o sinal de alerta sobre o perigo de retrocessos políticos e civilizatórios no presente.
Por isso, é urgente a organização -desde já- de uma frente ampla para 2026: cultural, comunicacional, ambiental, religiosa, econômica, social e política.
Apenas alianças partidárias serão insuficientes. Com qual discurso? Aquele da esquerda que pode se tornar agente da prosperidade para a população. Sim. A palavra-chave deverá ser prosperidade antes que um Marçal/Bozo/ Malafaia vendam sonhos irrealizáveis.
É preciso que atentemos para as observações do sociológo Jessé Souza, quando afirma que “ o pobre de direita” tem um imaginário de sonhos construído simbolicamente pela magia da prosperidade e, por isso, são atraídos pelas religiões pentecostais e pelos discursos de líderes políticos messiânicos ( Bozo) e de coaches inusitados( Marçal), que prometem a prosperidade na qual todos serão salvos do comunismo e se tornarão empresários de seus destinos material e espiritual.
Além disso, é fundamental a radicalização do discurso em defesa de bandeirashistóricas e modernas: aborto, Amazônia, gênero, racismo, Estado laico e democracia. Quem se tornou radical contra tais bandeiras foi a extrema-direita. É urgente a regeneração de uma esquerda que recupere o espírito rebelde do anjo torto de Torquato Neto e Drummond. Desafinar o coro dos contentes, eis a missão de ser “guache na vida”.
A esquerda domesticada pelo pragmatismo da máquina do Estado e ou das alianças partidárias a la centro direita não se sustenta para um longo prazo. Poderemos até correr riscos de perder eleições, mas o mais importante é não sermos esvaziados de sentido e esperança para o povo. Claro, não penso que enfrentaremos adversários civilizados, mas devemos “despolarizar ” o debate e encontrarmos brechas civilizatórias( Morin) alternativas. Exemplo recente foi a eleição da deputada Natália Benevides em Natal. Mobilizou gerações, inovou plasticamente na comunicação ao furar Bolhas sociais, sobretudo, na esfera do digital.
Há uma máxima heraclitiana que deveria ser adotada pela esquerda: é preciso esperar o inesperado!