A Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente
Natal, RN 7 de jun 2026

A Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente

22 de fevereiro de 2025
6min
A Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente

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Todas as formas de vida das espécies da Terra, inclusive a nossa vida humana, só existe porque tem uma base natural, fruto de uma intensa dinâmica de relações e contribuições sistêmicas, desde o menor dos microrganismos até a imensidão da estratosfera. Estamos todos interligados de maneira complexa com o meio ambiente, ou seja, o meio natural, logo, devemos aprender que somos todos natureza. Precisamos do meio ambiente sustentável e equilibrado, para que nossa existência nesse Planeta seja possível. Por mais dinheiro ou poder que se tenha, não podemos violar as leis da natureza.             

Inúmeras civilizações de Povos Originários foram exterminadas de seus territórios por nações colonialistas, como Portugal fez com o Brasil, por exemplo. E com isso, espalhou para o mundo o modelo eurocêntrico de exploração e acumulação, fazendo da natureza um bem para usufruto, achando que podemos consumir e comercializar tudo. Colocando o dinheiro e o poder no centro de todas as coisas. Modelo esse que hoje se concentra especialmente nos EUA, principalmente com o novo presidente Trump, que jorra para o mundo inteiro palavras e atos de dominação, seja do meio ambiente, de povos e de territórios.

Precisamos acordar e parar de normalizar tudo, como se nada fosse possível fazer para retomarmos a racionalidade de que somos natureza e dela necessitamos para existir. Como faziam e fazem até hoje os povos originários, nossos povos indígenas aqui na realidade brasileira. O capitalismo nos leva a acreditar que nada mais é possível fazer para mudar, e nos basta apenas nos adaptarmos. Precisamos acordar desse pesadelo que nos foi imposto diariamente, por décadas… E reaprender com esses povos originários a parar de consumir o Planeta Terra como se fosse uma mercadoria infinita. Como disse a Ministra Marina Silva, “é como se estivéssemos praticando por séculos um mesmo e longo suicídio e arrastando, nas nossas escolhas, as demais formas de vida existentes”.

Sempre gosto de dizer por onde vou que acredito sempre em um mundo melhor. Acho que é justamente isso que eu sigo a cada dia que me levanto, alguns dias com preguiça, outros super disposto. Trabalho com a educação, por acreditar que a educação é a maneira que nos fará uma sociedade mais justa, correta, harmônica, responsável, cordial e, acima de tudo, sustentável.

Acredito nesse mundo melhor, mesmo vendo a cada dia novos eventos climáticos, cada vez mais fortes e devastadores. Ora são chuvas e alagamentos, ora calor ou frio extremo, desertificações, mudanças nas correntes marítimas, elevação do nível dos oceanos, queimadas e, se olharmos para fora do Brasil, vemos os furacões, tsunamis, derretimento das geleiras, etc. São fenômenos climáticos que ameaçam a existência humana em nosso Planeta. E vejo que a maioria da população mundial segue inerte à tudo isso, em especial os adultos e poderosos. O que nos traz o panorama de discussão sobre a Justiça Climática, ou seria INjustiça climática?

Para entendermos melhor o que é a justiça climática, é só observamos que quando ocorrem eventos climáticos extremos, como incêndios, alagamentos etc, todas as pessoas daquela região são os atingidos e destroçados pela violência daquele evento em questão. Porém as maiores perdas e consequências dramáticas sempre recaem sobre os mais vulneráveis, devido suas condições injustas de vida. São povos ribeirinhos, que vivem em encostas, regiões periféricas, sem saneamento, dentre outros. De forma geral são os que menos causam impacto ambiental, os que menos consomem os recursos naturais do planeta, mas é quem paga a conta mais cara desses grandes desastres climáticos. Ou seja, sobre quem recai o maior sofrimento pelas mudanças climáticas. Então, é preciso entendermos essa injustiça climática, para pensarmos na dimensão humana da justiça climática, reparando danos e dívidas históricas da sociedade para os mais vulneráveis.

Diante de tudo isso, acredito que a solução para a injustiça climática perpassa pela preservação do meio ambiente, pelo enfrentamento ao capitalismo, pela valorização ecológica e humana, frutos da ética, da diplomacia, da política e da ciência. Numa relação complexa de interligação das coisas. Para que tenhamos um pensamento humano a serviço de todas as vidas existentes na terra.

E pensando nisso, não poderia deixar de falar sobre a Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente, uma política pública criada em 2003, pela Ministra Marina Silva, quando foi ministra do meio ambiente pela primeira vez, em que se pensou um momento voltado para as crianças pensarem, debaterem, criarem projetos e soluções viáveis a partir do contexto escolar. Já aconteceram 5 edições dessa conferência (2003, 2005, 2009, 2013 e 2018), e envolveram mais de 18 milhões de pessoas, é um processo que acontece em todas as escolas do Brasil, com jovens de 11 a 14 anos de idade e que estejam cursando do 6º ao 9º ano do ensino fundamental.

Ocasiões estas que permitiram a formação de muitos jovens e crianças, que hoje estão nos mais diversos espaços da sociedade, sendo gestores públicos, empresários, políticos, professores, pesquisadores e várias outras profissões e que, certamente, atuam e pensam de maneira diferente em seus cotidianos. Conhecemos de perto muitas histórias desses jovens, que hoje estão espalhados Brasil afora mas, também, imaginamos outros tantos que nem temos mais contato, mas, certamente, foram transformados por essa vivência e experiência com a Conferência pelo Meio Ambiente.

Como disse acima, eu acredito em um Planeta melhor para se viver, mas acima de tudo, acredito na força, na inteligência, na pureza, na imaginação, na tomada de decisão, na percepção das crianças sobre as coisas do mundo. Justamente por isso que acredito nesse processo de Conferência voltado para as crianças, que as possibilita de uma formação para a vida, pautada nos princípios de justiça climática e social, valorização de todas as formas de vida no planeta, de respeito, de responsabilidade e ética.

Como certa vez um jovem me disse na Conferência de 2005, “as crianças não são o futuro não, elas são o hoje, aqui e agora. Nós queremos fazer mudança hoje, não podemos deixar para amanhã, pois o amanhã pode nem existir mais”.

Neste ano de 2025 acontecerá a partir de março até maio a 6ª edição da Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente, em todas as escolas do país. Se você que nos lê é um pai, mãe ou responsável por um estudante, procure na sua escola informações e participe. E se você é um estudante nessa faixa de 11 a 14 anos, procure em sua escola também. Acredito nas crianças, para reestabelecermos num futuro bem próximo, a saúde ambiental do planeta Terra.

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