ONG anuncia temporada de nascimento de tartarugas marinhas no RN
Natal, RN 15 de jun 2026

ONG anuncia temporada de nascimento de tartarugas marinhas no RN

17 de fevereiro de 2025
5min
ONG anuncia temporada de nascimento de tartarugas marinhas no RN
Foto: acervo/Lucas Veríssimo

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A ONG Tartarugas ao Mar, pertencente à Associação de Proteção e Conservação Ambiental (APC) Cabo de São Roque, anunciou nesta segunda-feira (17) a abertura da temporada de nascimentos e solturas públicas de filhotes de tartarugas marinhas. A expectativa é de que os nascimentos comecem ainda nesta semana. Os animais serão soltos em nove praias do Rio Grande do Norte.

Os filhotes que serão soltos pelo projeto são os que ficaram “retidos” no ninho, ou seja, tiveram dificuldades para seguir o ciclo natural e precisaram da ajuda dos pesquisadores da ONG. É o que explica o biólogo Lucas Veríssimo, fundador da APC Cabo de São Roque.

“As solturas públicas de filhotes acontecem com os filhotes que ficaram retidos no ninho. Esses filhotes não nasceriam naturalmente sem a ajuda de pesquisadores e biólogos”, pontua. Segundo Veríssimo, os eventos demoram em média 1h30 e possibilitam que o público veja cerca de 15 filhotes seguirem em direção ao mar.

Para participar, basta seguir as regras para a segurança dos animais e algumas dicas, como: não ultrapassar o cordão que o projeto fixa no local, não usar flashes em fotos e vídeos e ter cuidado com os animais de estimação, segurando-os ou os deixando na coleira. 

“Esse momento de soltura é um momento de sensibilização ambiental, onde a gente deixa as pessoas, os visitantes e os turistas, como multiplicadores de informação, para proteger as tartarugas, o litoral potiguar, preservar as praias e deixar esse ambiente limpo. Não só para nós, mas também para os animais marinhos”, diz Veríssimo. 

Para ele, trata-se de “um momento de muita educação, muito amor e muita sensibilização ambiental”. As tartarugas devem ser soltas à tarde, nos finais de semana dos próximos meses. 

Equipe da ONG Tartarugas ao Mar – Foto: acervo/Lucas Veríssimo

As solturas públicas, em 2025, serão realizadas nas praias de Pirangi, Búzios, Tabatinga, Jacumã, Porto Mirim, Muriú, Barra de Maxaranguape, Caraúbas e Maracajaú, no litoral potiguar.

A ONG irá anunciar o local e o horário das solturas com cerca de 24 horas de antecedência. Como os filhotes são os “retidos”, o projeto consegue prever quando eles serão liberados com segurança. 

“Esses filhotes estão mais fadigados; são filhotes que não tiveram a força suficiente de nascer naturalmente. Nós, pesquisadores, fazemos o manejo do ninho e recolhemos os filhotes que ficaram retidos.”

Lucas frisa que cada ninho produz cerca de 150 filhotes – por volta de 10% dessas tartarugas têm dificuldades. A estimativa da ONG Tartarugas ao Mar é que 20 mil ovos são produzidos anualmente nas praias sob seu monitoramento. A ONG monitora 62 km de litoral, em 15 praias entre os municípios de Maxaranguape, Ceará-Mirim, Parnamirim e Nísia Floresta.

De acordo com Veríssimo, o evento de soltura começa com palestras sobre a ONG e a importância de preservar o mar.  A tartaruga leva entre 50 e 60 dias no ninho para poder nascer. O projeto Tartarugas ao Mar monitora os animais desde o momento da postura dos ovos, para garantir sua integridade, inserindo os dados em pesquisas.

A cada mil ovos, somente um ou dois sobrevivem e se tornam tartarugas adultas. Com um detalhe, conforme Lucas observa: se for fêmea, ela volta à mesma praia onde nasceu para desovar. O macho vive no mar.

O Rio Grande do Norte, aliás, é berçário para diversas espécies, como a tartaruga-de-pente, por exemplo. A Agência Saiba Mais explicou o trabalho da APC Cabo de São Roque e de outros projetos em matéria especial.

Conheça a APC Cabo de São Roque 

Em Maxaranguape, a Associação de Proteção e Conservação Ambiental (APC) Cabo de São Roque é uma referência de transformação cultural para preservar a natureza. O trabalho começou em 2016, quando ainda eram comuns a caça às tartarugas e a ingestão dos ovos delas.

“A APC Cabo de São Roque surgiu como um sonho de um estudante de biologia”, introduz seu fundador, o biólogo Lucas Veríssimo.

Biólogos e médicos veterinários compõem o time que monitora essas praias em busca de salvar ninhos e garantir o ciclo de vida das tartarugas marinhas, mas também é comum que os profissionais se deparem com animais encalhados. 

ONG monitora animais desde a postura dos ovos e traz segurança para a reprodução de espécies – Foto: acervo/Lucas Veríssimo

“[O projeto] surgiu da necessidade de mudar e reverter o quadro das tartarugas marinhas no município de Maxaranguape, já que sua carne ainda era consumida e seus ovos eram coletados”, conta Veríssimo, que observava a situação, ainda como estudante de Biologia, e desejava transformá-la.

O primeiro passo foi o contato com a comunidade local por meio da educação ambiental, “principalmente com as comunidades tradicionais, que são os pescadores artesanais”. Depois, o projeto realizou atividades em escolas. 

O monitoramento noturno nas praias, principalmente em Cabo de São Roque, é dedicado à reprodução dos répteis. Durante o dia, a ONG registra ocorrências não-reprodutíveis, como os encalhes. No escopo de trabalho da organização, também está o apoio a pesquisas científicas.

Apesar do êxito do trabalho, Veríssimo pondera que a ONG, assim como outros projetos, está fazendo um trabalho que é de responsabilidade governamental. Ele considera que o poder público não cumpre sua parte no artigo 225 da Constituição Federal.

A ONG tem sido apoiada por financiamentos privados, via editais de empresas, e alguns editais de financiamento público, desde emendas parlamentares até editais de chamamento público.

Para ajudar, é possível azer um pix para o CNPJ: 26.092.697/0001-61 ou visitar o espaço que pertence à ONG, nos Anéis de Maracajaú, onde ela tem uma loja e um museu. 

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