RN formaliza grupo de trabalho para representar o estado na COP30
O Governo do Rio Grande do Norte deu mais um passo importante rumo à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), ao instituir, nesta segunda-feira (7), um Grupo de Trabalho Interinstitucional (GTI) responsável por planejar e articular a participação do estado no evento internacional, que ocorrerá em novembro, na cidade de Belém (PA). A medida foi oficializada por meio do Decreto nº 34.696, publicada no Diário Oficial do Estado.
O GTI será composto por representantes, titulares e suplentes, de diversas secretarias e órgãos da administração estadual, incluindo o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema), Gabinete Civil, Controladoria-Geral (Control), Secretaria de Planejamento (Seplan), Secretaria do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh), Secretaria do Turismo (Setur) e Secretaria da Cultura (Secult). A participação de instituições externas à estrutura do governo também está prevista, de forma facultativa. O envolvimento será considerado serviço público, sem remuneração adicional.
A coordenação dos trabalhos ficará a cargo do Idema, responsável por convocar reuniões, promover a articulação entre atores públicos e privados e produzir estudos, diagnósticos e análises voltados para o enfrentamento da crise climática.
A criação do grupo dá continuidade ao processo de mobilização iniciado ainda em junho, quando o estado sediou um seminário preparatório para a COP30, realizado na sede do Idema, em Natal. O encontro teve como foco central a preservação da Caatinga e o combate à desertificação no Semiárido potiguar, reunindo ambientalistas, estudantes, gestores públicos e representantes de organizações da sociedade civil.
Durante o evento, a governadora Fátima Bezerra destacou a importância do bioma Caatinga, ressaltando sua capacidade de capturar carbono atmosférico e seu papel estratégico no equilíbrio climático. Ela defendeu a criação urgente do Fundo de Financiamento em Defesa da Caatinga, proposta aprovada recentemente na Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados, como instrumento fundamental para recuperar áreas degradadas e preservar o bioma.
“A Caatinga não é um bioma qualquer, é o único bioma exclusivamente brasileiro. Ela tem um papel fundamental no equilíbrio climático. E para que a gente possa conter o desmatamento, recuperá-la e preservá-la, tornam-se necessários recursos financeiros, daí a importância do Fundo de Financiamento”, disse a governadora.
Um dos alertas do seminário partiu do superintendente do Ibama no RN, Rivaldo Fernandes, que chamou atenção para o agravamento da desertificação em regiões como o Seridó. Ele apontou que áreas de municípios como Currais Novos, Acari e Carnaúba dos Dantas já apresentam o grau mais avançado de degradação ambiental, o que acende o sinal de alerta para a possível transformação do semiárido em áreas desérticas.
Ao fim do encontro, foi elaborada uma carta oficial com as principais propostas discutidas, que será encaminhada à COP30, solicitando que o Semiárido nordestino seja reconhecido como prioridade nas agendas internacionais de enfrentamento à emergência climática.
O que é a COP30?
A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) será realizada em novembro de 2025, na cidade de Belém, no Pará. O evento reúne anualmente representantes de governos, organizações internacionais, cientistas e membros da sociedade civil de todo o mundo, com o objetivo de discutir medidas para enfrentar os impactos das mudanças climáticas.
A COP é o principal espaço de negociação entre os países signatários da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, e é onde são firmados acordos e metas globais, como o Acordo de Paris.
A presença de estados brasileiros, como o Rio Grande do Norte, permite que realidades regionais sejam apresentadas em escala internacional. A participação é uma oportunidade para apresentar projetos, trocar experiências e buscar cooperações voltadas à preservação ambiental, adaptação climática e desenvolvimento sustentável. No caso do RN, temas como a desertificação do Semiárido e a conservação da Caatinga são pautas prioritárias que podem ganhar maior visibilidade no contexto da conferência.