RN inova com projeto de lavanderias coletivas e agroecológicas
Natal, RN 12 de jul 2026

RN inova com projeto de lavanderias coletivas e agroecológicas

13 de julho de 2025
6min
RN inova com projeto de lavanderias coletivas e agroecológicas
Projeto fortalece a agricultura familiar e o trabalho das mulheres camponesas

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O Rio Grande do Norte deu o passo inicial em um projeto considerado inovador: a construção de lavanderias coletivas e agroecológicas para as mulheres do campo. A iniciativa foi desenvolvida em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e deve chegar em outros estados.

Para o RN, são quatro lavanderias: no projetos de assentamento Mulunguzinho, em Mossoró; Arizona, em São Miguel do Gostoso; Santa Maria na Agrovila Tabuleiro Alto, na cidade de Ipanguaçu, e projeto de assentamento Lagoa Nova, no município de Riachuelo. Nas três primeiras, a iniciativa já está em andamento.

A proposta busca fortalecer a agricultura familiar e o trabalho das mulheres camponesas prioritariamente de assentamentos rurais e de comunidades quilombolas do semiárido nordestino. As ações visam ampliar a tecnologia e inovação nas áreas de assentamentos rurais com lavanderias coletivas e agroecológicas, em que o efluente de esgoto gerado na atividade seja utilizado como fonte hídrica para a irrigação de fruteiras e hortaliças após tratamento. Para o funcionamento energético do sistema de captação hídrica, o funcionamento da lavanderia e a produção irrigada será utilizado energia solar.

O lançamento no RN ocorreu na última semana. A subsecretária de mulheres rurais do MDA, Viviana Mesquita, veio até o estado para participar das atividades. Além do MDA e da Sedraf, também estão envolvidos a Ufersa e movimentos sociais.

“O projeto é inovador. Ele traz elementos que envolvem tanto a questão do meio ambiente, a questão dos cuidados do trabalho doméstico, da socialização do trabalho doméstico. Mas também traz o tema da produção agroecológica. Dentro das lavanderias, nós temos um espaço de reuso de água, um espaço para produção de meio hectare a um hectare de produção, que vai ser aproveitada desse reuso da água, e tudo isso com energia solar”, afirma.

Além do RN, os outros estados que ganharão lavanderias ecológicas serão Paraíba, Piauí e Ceará. 

“Nós iniciamos aqui a construção pelo estado do Rio Grande do Norte, mas ele tem atuação nesses quatro estados. Inicialmente, são quatro lavanderias aqui para o Rio Grande do Norte e, nesse sentido, a gente quer seguir firme para construir e avançar para os próximos estados”, aponta.

Ela diz que, após a experiência com o projeto piloto, a expansão da iniciativa não está descartada.

“Inicialmente, a gente precisa concluir esse projeto para definir se a gente tem condições de expandir. Na verdade, trata-se de um projeto piloto, mas a gente quer sim, acho que essa é a intenção da nossa subsecretaria do Ministério, que futuramente se constitua em uma política pública, que a gente possa dar vazão e espalhar para todo o Brasil. Mas, inicialmente, é um projeto piloto.”

Titular da Secretaria do Desenvolvimento Rural e da Agricultura Familiar do Rio Grande do Norte (Sedraf), Alexandre Lima diz que, durante o processo de formatação do projeto, os grupos de mulheres também foram ouvidos. 

“Foi feita uma oficina específica justamente para que as mulheres pudessem opinar sobre o formato dessa proposta, que é um formato de lavanderia, com máquinas modernas, uma estrutura com brinquedoteca e agregado a isso um sistema de reuso”, explica.

São 162 famílias de mulheres diretamente envolvidas na autogestão das lavanderias. Mas, como em cada uma das lavanderias vai ter uma comunidade, no RN pelo menos 400 famílias serão diretamente beneficiadas, além daquelas famílias das mulheres que farão a gestão, segundo Lima.

Jornada de trabalho da mulher

Para o secretário Alexandre Lima, é importante que a tarefa do cuidado seja compreendida como uma ação do Estado. 

“Então, a lavanderia é um reconhecimento do Estado que essa tarefa do cuidado também deve ser assumida pelo poder público. Então, essa é uma dimensão importante, inclusive reforçando o processo de auto-organização das mulheres rurais. Então, esse é um componente central”, destaca. 

Outro ponto é que as lavanderias são uma política pública inovadora, sendo as primeiras construídas no Brasil.

“É um avanço no que diz respeito às políticas públicas para o rural e um olhar especial para as mulheres. E a terceira inovação importante do projeto é que ele agrega um conjunto de tecnologias. Então, desde a geração de energia, que é com energia solar, tem sistemas de reuso, tem produção agroecológica. É um projeto que agrega um conjunto de tecnologias inovadoras, que dialoga fortemente com a questão da sustentabilidade. Então, é um projeto realmente que tem uma concepção muito inovadora, muito ousada na sua essência”, aponta.

De acordo com Viviana Mesquita, do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, o projeto também permite pensar sobre a divisão sexual do trabalho, da divisão do trabalho doméstico, e permitir a participação e o protagonismo das mulheres no campo.

A gente quer que as mulheres tenham mais tempo para elas participarem dos processos coletivos da associação, das cooperativas que possam existir, não só nas comunidades, mas nos seus territórios. A gente quer que as mulheres tenham mais tempo para participar e cuidar do seu próprio autocuidado”, defende. 

Ela explica que a tripla jornada é uma tarefa que fica muito focada para as mulheres. 

“As mulheres que têm feito esse trabalho do cuidado, do cuidado da casa, do cuidado das pessoas. E isso envolve o trabalho doméstico, isso envolve uma série de tarefas que tomam o tempo da mulher e que ela às vezes não consegue participar dos processos coletivos, que ela às vezes não consegue, principalmente, pensar nela mesmo. Isso é um dos temas principais que está no foco desse projeto: diminuir e reduzir o trabalho doméstico, o trabalho do cuidado das mulheres, para que elas possam ter mais tempo para elas, mais tempo para participar dos processos políticos, inclusive”, acredita.

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