O mistério de Areia Preta e a solução dos canais de Santos
Natal, RN 12 de jun 2026

O mistério de Areia Preta e a solução dos canais de Santos

18 de janeiro de 2026
4min
O mistério de Areia Preta e a solução dos canais de Santos

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O novo boletim de balneabilidade publicado pelo projeto Água Azul, neste fim de semana, revela mais do mesmo, após análise da qualidade da água de 51 trechos monitorados pelos técnicos do Idema, IFRN e Funcern, em praias, rios e lagoas da Grande Natal e de outras cidades do nosso litoral.

Pelos lados do litoral sul de Natal, a foz do rio Pirangi e o rio Pium mantêm cadeira cativa no ranking dos lugares com maior quantidade de coliformes “termotolerantes” encontrados nas águas desses recantos.

O nome pomposo substituiu o antigo nome, “fecais” e se trata da presença de bactérias, como a Escherichia coli, presentes em m—da) encontradas na água.

Em Natal, a praia da Redinha que sempre frequentava a lista saiu. Restou um único ponto contaminado, segundo os pesquisadores, na charmosa praia de Areia Preta, com seu paredão de edifícios de luxo habitados por gente fina e da sociedade.

A fossa a céu aberto se encontra exatamente no sopé da escadaria que dá acesso ao morro de Mãe Luíza.

Essa não é a primeira vez que esse ponto é condenado para o banho pelos técnicos do Água Azul.

Há anos que, mensalmente, o registro se repete, mas ninguém faz nada para resolver o problema, nem sequer identificar a causa dele. Será que faltam meios técnicos para tal ou se trata de falta de vontade para revelar o que todo mundo desconfia?…

Não sei se é o caso, mas tem sido frequente a descoberta de ligação clandestina da tubulação de esgoto de prédios residenciais, grandes empresas e empreendimentos de luxo ligados à rede de águas da chuva.

Essa prática é criminosa!… um flagrante desrespeito à cidade.

Já falei sobre isso várias vezes e continuarei a fazê-lo até que se alguém escute e decida enfrentar as forças ocultas e poderosas que se opõem à solução necessária para acabar com esse desrespeito.

Em Santos, litoral de São Paulo, conhecida por seus sete canais, construídos pelo engenheiro Saturnino de Brito no começo do século XX para conter o avanço diário das marés sobre as áreas aterradas para abrigar edifícios, identificou-se o mesmo problema.

Entrava prefeito, saía prefeito e nada era feito. Foi preciso que uma mulher, a prefeita Telma de Souza, do Partido dos Trabalhadores, encarasse a situação e a resolvesse, recuperando as comportas do projeto original de Saturnino e investigando os responsáveis por ligações clandestinas de esgotos aos canais.

Telma contou com a ajuda decisiva de seu secretário de Saúde, o médico sanitarista recifense David Capistrano Filho. A ideia deles foi realizar uma ação simples e reveladora: despejar anilina em todos os banheiros dos apartamentos das margens dos sete canais e dar descarga.

Assim foi feito em todos os prédios. E qual não foi a surpresa e o resultado, quando as águas dos canais de Santos se encheram de cores. Passo seguinte da ação corajosa da prefeita foi lacrar as saídas de esgotos dos prédios que despejavam suas fezes e outros conteúdos diretamente nos canais da cidade.

Uma solução simples, barata e inteligente por um grupo de administradores que governaram a cidade de Santos com os olhos voltados para os problemas de seu município, algo que não ocorre em Natal.

A ideia de Telma e David podem ser copiadas por qualquer pessoa. Por que o prefeito de Natal não adota essa medida para saber quem está poluindo as águas da praia de Areia Preta e de outros locai?…

Talvez porque soluções como essas, baratas e eficazes, não interessam ou não fazem parte da agenda da prefeitura de Natal e de seus técnicos… Só as que envolvem milhões de reais.

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