Motoristas de app protestam em Natal contra projeto que precariza condições de trabalho
Natal, RN 14 de jun 2026

Motoristas de app protestam em Natal contra projeto que precariza condições de trabalho

14 de abril de 2026
4min
Motoristas de app protestam em Natal contra projeto que precariza condições de trabalho
Presidente do SINTAT/RN diz que o texto da matéria “rasga a Lei Áurea e transforma os motoristas por aplicativo nos novos escravos” - Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Ajude o Portal Saiba Mais a continuar produzindo jornalismo independente! Apoie com qualquer valor e faça parte dessa iniciativa.

Quero Apoiar

Motoristas por aplicativo de Natal realizam uma carreata na manhã desta terça-feira (14) contra o projeto de lei 152/2025 que, na visão da categoria, retira direitos e precariza as condições de trabalho. Presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Aplicativos de Transportes do Rio Grande do Norte (SINTAT/RN), Carlos Cavalcanti diz que o texto da matéria “rasga a Lei Áurea e transforma os motoristas por aplicativo nos novos escravos”. 

A carreata em Natal é convocada pelo SINTAT/RN e faz parte de uma mobilização pacífica que ocorre simultaneamente em todo o Brasil. Na capital potiguar, a carreata teve concentração marcada a partir das 08h no entorno da Arena das Dunas, com encerramento previsto em frente à Assembleia Legislativa. 

O relatório do projeto, feito pelo deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE), estava previsto para ser analisado nesta terça na comissão especial, mas a reunião foi cancelada. Ainda não foi marcada nova data para a votação.

Em dezembro de 2025, o Governo Federal instituiu o Grupo de Trabalho Técnico (GTT) Interministerial dos Entregadores por Aplicativos, que buscou articular com os trabalhadores melhores condições de atuação. 

Ao longo de encontros, o grupo ouviu trabalhadores, sistematizou demandas e construiu propostas concretas para a regularização, como o piso de R$ 10 por corrida, a transparência obrigatória nos valores que chegam efetivamente ao trabalhador, a criação de pontos de apoio para os entregadores e a proteção previdenciária digna – disponibilizados em março em um relatório técnico. Esses pontos, no entanto, ficaram de fora do texto final da relatoria.

Cavalcanti disse à reportagem que, até dezembro, a categoria atuava em consonância com o parlamento para mostrar os pontos que eram prejudiciais aos trabalhadores. Mas, depois dos deputados receberem empresários, “o projeto foi de 100 a 0”.

“Ele tornou os motoristas por aplicativo subservientes totais da empresa, mas sem nenhuma garantia de direito, muito pelo contrário, retirando até os direitos que já existiam para a gente”, denuncia.

Em março, a FENASMAPP (Federação Nacional dos Sindicatos de Motoristas por Aplicativos) se disse a favor da regulamentação da categoria e a necessidade de proteção legal, previsibilidade de ganhos, segurança e acesso a direitos, mas afirmou que as reivindicações não foram atendidas no relatório de Coutinho. Os principais pontos de divergência dizem respeito a:

Ganhos por km e tempo
A categoria defende um modelo de remuneração proporcional à distância e ao tempo gasto. 

Limitação de 30% para as plataformas
Segundo os motoristas, o teto de retenção é uma medida de sobrevivência. De acordo com a Federação, hoje as empresas chegam a reter até 50% do valor das corridas.

Saída mínima de R$ 10,00 por corrida
Enquanto o governo defende o valor mínimo de R$ 10 para os trabalhadores, no parecer de Coutinho a taxa mínima estava em R$ 8,50.

“Esse projeto é maléfico, é destruidor,acaba com a categoria dos motoristas por aplicativo, ele fada os motoristas por aplicativo ao fracasso, à falência total e, a partir do texto desse PL, caso seja aprovado, a viver em situação de vulnerabilidade. Então não dá para os trabalhadores aceitarem um texto desse. A gente está movimentando o país inteiro, a gente está articulado em todas as capitais, a gente está com uma marcha nacional aqui em Brasília para fazer o movimento hoje, para mostrar nossa insatisfação, nossa indignação contra esse projeto que prejudica e que perturba toda a nossa categoria”, critica Carlos Cavalcanti.

Apoiar Saiba Mais

Pra quem deseja ajudar a fortalecer o debate público

QR Code

Ajude-nos a continuar produzindo jornalismo independente! Apoie com qualquer valor e faça parte dessa iniciativa.

Quero Apoiar

Este site utiliza cookies e solicita seus dados pessoais para melhorar sua experiência de navegação.