Vistoria revela perdas graves na agricultura familiar de Mossoró
Natal, RN 6 de jun 2026

Vistoria revela perdas graves na agricultura familiar de Mossoró

2 de julho de 2025
5min
Vistoria  revela perdas graves na agricultura familiar de Mossoró

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A partir de uma ação direta junto aos territórios rurais, a Secretaria Municipal de Agricultura e Desenvolvimento Rural (Seadru) de Mossoró deu início, no último dia 30 de junho, a uma série de visitas técnicas a famílias agricultoras da zona rural do município. A iniciativa, que se estende até a próxima segunda-feira (7), busca documentar de forma minuciosa as perdas ocasionadas pela irregularidade das chuvas na atual safra e garantir o acesso dessas famílias ao programa Garantia Safra.

A força-tarefa da Seadru deve alcançar 30 famílias de agricultoras e agricultores que resistem à seca e à precarização histórica do campo potiguar. Em comunidades como São José I, Santa Rita de Cássia e Solidão, o cenário encontrado é de colheitas frustradas, campos áridos e o esforço cotidiano de famílias inteiras para manterem viva a tradição da agricultura de subsistência.

“É visível o impacto da falta de regularidade das chuvas. Muitos agricultores perderam totalmente suas lavouras de milho e feijão. Em São José I, por exemplo, um trabalhador rural conseguiu colher apenas sete litros de feijão. Já o milho, perdeu tudo”, relata Cleiton Dantas, diretor do Departamento de Desenvolvimento Rural da Seadru. Segundo ele, os dados estão sendo reunidos em laudos técnicos que serão enviados ao Governo Federal para que as famílias possam acessar o direito à indenização previsto pelo Garantia Safra.

Com a mudança no regime das chuvas e a ausência de políticas estruturantes no campo, o plantio torna-se um risco. “Não é só a quantidade de chuva, mas o tempo em que ela cai. Se chover muito num mês e depois passarmos semanas sem nenhuma gota, o solo não responde. A planta não vinga”, explica Cleiton. Ele destaca que o trabalho de vistoria é parte de um processo maior de reconhecimento do esforço das famílias que sustentam a produção de alimentos saudáveis e livres de veneno, muitas vezes sem o devido apoio institucional.

Nas comunidades, os relatos reforçam a urgência de medidas que fortaleçam a agricultura familiar e camponesa. Antônio de Sousa Gomes, do assentamento São José I, plantou milho e feijão com esperança de uma colheita mínima. “O milho eu perdi tudo. Do feijão, só consegui sete quilos. Quando falta chuva, não tem como a planta resistir. A visita de vocês aqui é muito importante, porque mostra que a gente não tá sozinho”, afirmou o agricultor.

Em Santa Rita de Cássia, a situação também é crítica. O agricultor Paulo Tarso Ferreira da Silva relatou que passou dois meses sem chuva. “Quando o feijão começou a florar, a chuva parou. Perdemos o sorgo e o feijão. A Secretaria vindo aqui comprova nossa realidade. É disso que a gente precisa: ser escutado e ter o que está acontecendo aqui reconhecido oficialmente.”

A ação de campo da Seadru contempla comunidades como Recanto da Esperança, Bom Destino, Agrovila Paulo Freire, Nova Esperança e Curral de Baixo, entre outras. A presença nos territórios e a escuta ativa das famílias são passos fundamentais para pressionar por respostas mais amplas às necessidades do campo, que vão desde infraestrutura hídrica até linhas de crédito específicas para a agricultura popular.

Para além do Garantia Safra, a mobilização aponta para uma agenda mais ampla de defesa da soberania alimentar, da reforma agrária e do fortalecimento das políticas públicas voltadas ao campesinato. “Não se trata apenas de vistoriar perdas, mas de afirmar a importância da agricultura familiar como base de um modelo de desenvolvimento justo, inclusivo e enraizado nos saberes do povo do campo”, pontua Cleiton Dantas.

A vistoria segue até o dia 7 de julho, com passagem por 18 comunidades rurais. A expectativa é que, com os laudos entregues, as famílias acessem o benefício e continuem cultivando não só a terra, mas a dignidade e a esperança em tempos tão duros.

Dados do RN

Apesar do crescimento no apoio à agricultura familiar no Rio Grande do Norte, os dados mais recentes indicam retração na área plantada do estado. Segundo levantamento do IBGE (maio/2025), o território potiguar apresentou queda de 2,7% na área total destinada ao cultivo, passando de 298,6 mil hectares em 2024 para 290,5 mil hectares em 2025. A diminuição atinge especialmente as lavouras de cereais, leguminosas e oleaginosas, como milho e feijão.

Na contramão da redução da área produtiva, os investimentos voltados à agricultura familiar seguem em alta. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Agrário, o Rio Grande do Norte movimentou R$ 472,6 milhões por meio do Pronaf na safra 2023/24, crescimento de 72,6% em relação ao ciclo anterior. Foram 55.493 operações de crédito, número 34,9% superior ao do período anterior.

O estado também se destacou no Programa de Fomento Rural, com 3.605 famílias atendidas e mais de R$ 13,6 milhões aplicados em ações voltadas à produção agroecológica, fortalecimento de quintais produtivos e segurança alimentar.

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