Divaneide questiona “solidariedade seletiva” em caso de violência
Natal, RN 7 de jul 2026

Divaneide questiona "solidariedade seletiva" em caso de violência

7 de julho de 2026
4min
Divaneide questiona
A parlamentar disse que passou por outros episódios de violência na Câmara Municipal de Natal e na Assembleia Legislativa e não recebeu o mesmo acolhimento - Foto: João Gilberto

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A deputada estadual Divaneide Basílio (PT) questionou, nesta segunda-feira (6), se as notas de solidariedade que recebeu após um episódio na Arena das Dunas seriam “seletivas”. A parlamentar disse que passou por outros episódios de violência na Câmara Municipal de Natal e na Assembleia Legislativa e não recebeu o mesmo acolhimento.

A fala foi feita em entrevista ao Jornal da Cidade, da 94 FM. A deputada se referiu ao caso ocorrido em 25 de junho durante a saída do Ato das Mulheres, que reuniu a primeira-dama Janja da Silva e a ministra das Mulheres, Márcia Lopes. A parlamentar, que estava identificada e acompanhada de uma criança, foi atingida quando uma porta foi fechada de forma brusca durante o empurra-empurra formado na saída da atividade. Divaneide não sofreu ferimentos graves. Janja manifestou solidariedade à deputada logo após o ocorrido, enquanto a ministra Márcia Lopes acompanhou pessoalmente a situação.

“Eu queria entender se a solidariedade é seletiva. Porque eu fui violentada muitas vezes na Câmara Municipal de Natal. Eu tenho um dossiê das violências que eu sofri. Entreguei ao presidente da Câmara no momento, entreguei também na Comissão Nacional de Direitos Humanos e eu fico muito entristecida de que se alguém que passou algum episódio e se pronunciou rapidamente sobre ele e em outros momentos, eu não tive essa acolhida. Na Assembleia, eu tive meu microfone cortado. Eu tive que acionar a Procuradoria da Mulher, que é para defender as outras mulheres, para me defender”, disse, na entrevista.

“Então, eu tô aproveitando esse momento para dizer, inclusive comentários maldosos, preconceituosos e que me afetaram, que trouxeram, ao invés de solidariedade e acolhida, mais violência, e a depender daqueles que trouxeram, inclusive, reprodução de racismo, estou me pronunciando sobre todos eles nas instâncias necessárias”, continuou.

A deputada relembrou que, recentemente, ao presidir a sessão solene do Dia da Mulher na Assembleia, uma das homenageadas se virou para ela e pediu a lista de convidados, como se fosse funcionária do cerimonial.

“Todos os dias ter que falar: ‘eu sou a deputada’ é exaustivo. Mas se for para ser educativa, eu vou ser. Com esse segurança, com outro que vier, com quem for, estou aqui me posicionando. Não aceitarei ser barrada em hipótese alguma. Também diferencio aqui quem me acolhe e quem não me acolhe. E agradeço quem me acolheu dessa vez e pergunto: vai fazer assinatura retroativa às outras violências? Porque se fizer, também agradeço e serei justa, direi onde eu for que recebi essa solidariedade por todo esse processo de vida, porque é muito difícil ser mulher negra na política”, destacou.

Episódio resolvido

Após o caso, no final de junho, a deputada divulgou uma nota por meio de sua assessoria de imprensa em que disse que o caso havia sido resolvido entre as partes e que ficou reafirmado o compromisso de fortalecer os protocolos de cuidado e organização em atividades institucionais e atos públicos para evitar que situações semelhantes se repitam.

Antes da divulgação da nota da deputada, o Setorial de Direitos Humanos do PT no Rio Grande do Norte havia publicado uma manifestação pública de solidariedade a Divaneide e de repúdio ao que classificou como uma abordagem truculenta durante o evento. No documento, o Setorial defendeu que o episódio seja apurado e afirmou que equipes de segurança devem atuar para proteger os participantes de atividades públicas, jamais como instrumento de intimidação, constrangimento ou abuso de poder.

“O ocorrido precisa ser apurado com rigor e deve servir como marco para que nenhuma prática violenta seja naturalizada em nossos espaços de luta”, diz um trecho da nota.

Para o Setorial, eventos democráticos e voltados à participação das mulheres devem ser ambientes de acolhimento, respeito e proteção.

Em sua manifestação, Divaneide também reafirmou seu compromisso com o enfrentamento à violência contra as mulheres e avaliou que situações como a vivida por ela demonstram a necessidade de fortalecer políticas públicas e protocolos institucionais voltados à garantia dos direitos e da segurança das mulheres em espaços públicos.

Saiba Mais: Deputada Divaneide diz que episódio na Arena das Dunas foi esclarecido

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