Rancor dos dias
Natal, RN 13 de jun 2024

Rancor dos dias

7 de fevereiro de 2020
Rancor dos dias

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É fogo lidar com o rancor. Não tem um tutorial na internet que não ensine a relevar, a passar por cima. E eu realmente acredito. Mas ninguém ensina como faz isso na prática. Parece que o rancor se materializa e fica morando em casa, junto da gente. Então, temos de pedir licença pra sentar a mesa, pra usar o banheiro, etc.

Tem um episódio de Seinfeld em que Jerry quer devolver um blazer comprado no dia anterior. Não por ter algum defeito na peça ou por ela não vestir bem. Mas sim por ressentimento do vendedor.

  • Motivo da devolução, senhor?
  • Rancor.

Obviamente não podemos resolver nossos problemas como num sitcom, embora eu tenha a impressão de já ter ouvido uns risos ensaiados na minha luta diária contra o rancor. Parece que um solitário espectador assiste a esse duelo. Mas não se engane! Ninguém torce por mim.

O rancor é sedutor. É sentimento forte. E quando não, é encorajado a ser. Porque se ressentir é fácil, é tentador, diria. Não cansamos de alimentar esse bicho esfomeado. Rico, pobre, bonito, feio. Sem distinção, carregamos conosco, como maldição, ele; o rancor.

Mas estou bem. Ainda que algumas mágoas me visitem costumeiramente, tenho essa mania besta de ficar bem. E mesmo que o rancor me perturbe, me assombre, ele não me comove. Não saberia viver com um coração ressecando, porque rancor é coisa contínua, mal resolvida. E o que merece é indiferença.

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