Privatização dos Correios geraria prejuízos imediatos à população, avalia senador Jean Paul Prates
Natal, RN 22 de mai 2024

Privatização dos Correios geraria prejuízos imediatos à população, avalia senador Jean Paul Prates

13 de agosto de 2021
Privatização dos Correios geraria prejuízos imediatos à população, avalia senador Jean Paul Prates

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A privatização dos Correios ameaça a universalização do serviço postal, prejudicando toda a população brasileira, segundo o senador Jean Paul Prates (PT-RN), que abordou o tema durante entrevista ao Programa Balbúrdia desta sexta-feira (13).

“Vai faltar serviço de postagem em lugares como Timbaúba dos Batistas, onde tem muitas rendeiras. Se não tiver os Correios, acabou o negócio delas. O pequeno comerciante vai perder muito com a venda da estatal. Um monte de lugares vai ficar sem o envio de seus produtos”, alertou, chamando atenção ainda para a importância de manter os empregos dos trabalhadores da empresa. São mil no Rio Grande do Norte e 100 mil em todo o país.

Durante a entrevista, o parlamentar apresentou dados de importantes serviços que são prestados pela estatal. São mais de 25 mil veículos circulando em 1.500 linhas terrestres de acesso, 11 linhas aéreas em operação e a cada mês são mais de meio bilhão de objetos postais, incluindo carta, telegrama e, principalmente, encomendas.

A lista de “pacotes” inclui medicamentos do SUS e 200 milhões de livros didáticos destinados ao ensino público são entregues em 5.570 municípios a cada ano. Além disso, nos dias de realização do Enem, os Correios entregam as provas a 15 mil locais em três horas.

“O que está sendo vendida é uma estrutura pronta, capilarizada. Quem compra isso de repente domina toda a logística em pleno crescimento do e-commerce no país”, comentou o entrevistado.

A Câmara dos Deputados aprovou no dia 5 de agosto o projeto de lei que abre caminho para a a venda dos Correios, na forma do parecer apresentado pelo relator, deputado Gil Cutrim (Republicanos-MA). Foram 286 votos a favor, 173 contra e duas abstenções, em uma sessão esvaziada, segundo Jean Paul.

“A estratégia que o governo Bolsonaro tem usado quando tem momentos de distração. Colocaram na surdina esses dias, no vácuo do voto impresso, uma mini reforma trabalhista”,

Jean Paul Prates, senador da República

A medida segue para apreciação do Senado, onde Jean Paul acredita ser possível reverter a votação. Segundo ele, o governo Bolsonaro tem se fragilizado muito.

“Cada vez que ele joga um projeto desse, é porque ele fez alguma bobagem muito grande. Alguns acabam dando certo, mas depois a gente vai trabalhando”.

O senador lembra o caso da Eletrobras, que chegou ao Senado por meio de Medida Provisória levada pelo próprio presidente, porque no dia anterior ele havia ameaçado intervir no preço do combustível da Petrobras.

“Eu acho que foi a única vez que ele acertou no governo todo”, dispara, salientando que foi mais um episódio em que Bolsonaro deu pra trás e para mostrar que continuava amigo do mercado “imolou a Eletrobras”.

O parlamentar também chama atenção para o momento escolhido para tais negociações, chamando o cenário de “xepa da ressaca da pandemia”: “Saindo da pandemia, mas com medo de voltar. Nessa xepa não tem ninguém vendendo ativos estratégicos no mundo inteiro. Isso é um absurdo completo”.

Lucros

O senador potiguar também comentou o factoide criado pelos privatistas de que a empresa não gera lucros. Nos últimos 20 anos, os Correios repassaram 73% dos resultados positivos acumulados ao governo federal, acionista único. Em 2020, a estatal apresentou lucro líquido de R$ 1,53 bilhão – maior resultado nos últimos 10 anos.

Aliás, Jean critica a cobrança de geração de lucros das estatais e vai mais longe ao chamar de covardia a comparação com empresas do setor privado, como fez o ministro das Comunicações, Fábio Faria, quando traçou paralelo com o Mercado Livre.

“É a mesma coisa de esperar lucro da Casa da Moeda. É o serviço do governo, não tem que dar lucro. Essa mentalidade de que precisa dar lucro é equivocada. Mas os Correios dão lucros”, reforçou, dando exemplo de outros países.

Assista à entrevista na íntegra:

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