OPINIÃO

Cipriano Maia

Cipriano Maia foi um dos primeiros auxiliares escolhidos pela governadora Fátima Bezerra para compor o atual governo. Não foi indicação do PT, por amizade nem sugestão de empresário ou lobista do setor, uma prática comum de gestões anteriores.

Professor da UFRN, estudioso e gestor em diferentes governos, Cipriano tem uma história limpa e honrada na saúde pública, reconhecida até por adversários políticos, e conhece como poucos os dramas e os desafios de uma área tão estratégica, sobretudo num contexto de pandemia.

As cenas de Cipriano saindo aplaudido, após mais de 6 horas de depoimento na CPI da Covid instalada na Assembleia Legislativa, não surpreendem quem conhece o secretário, a trajetória dele em defesa do Sistema Único de Saúde (SUS), nem quem vem acompanhando os depoimentos.

E aqui dou um testemunho pessoal.

Eu vi, no auditório da Casa, pelo menos três servidores saírem aos prantos, alguns impossibilitados até de conceder entrevista ao final dos questionamentos. Um choro que, para os próprios trabalhadores, não parecia fazer sentido, tamanha a dedicação e o esforço para salvar vidas durante os últimos meses.

A verdade é que os deputados de Oposição reservaram aos servidores públicos da saúde do Estado o papel de suspeitos, para dizer o mínimo.

E não adianta a conversa mole de que a fiscalização do dinheiro público é uma prerrogativa do legislativo porque essa mesma Oposição criou, no início da pandemia, uma comissão para acompanhar o contratos firmados pelo Governo do Estado e sequer um único relatório foi produzido sob a presidência do deputado Kelps Lima, o mesmo parlamentar que preside a CPI.

Quando defende e valoriza a equipe, ou enfrenta a criminalização do serviço público, seja reiterando a lisura das decisões tomadas até aqui ou até destacando a importância do consórcio Nordeste, alvo da raivosa oposição e da imprensa bolsonarista, Cipriano Maia divide com todos os aplausos que recebeu e que representam mais um desabafo do que qualquer tentativa de bajulação ao líder do time.

Não é de hoje também que a imprensa e a oposição tentam demitir Cipriano Maia, o que só reforça os méritos da escolha de Fátima Bezerra para a pasta.

Aliás, a sanha pela “cabeça” do titular da Sesap talvez seja saudade de um passado nem tão distante assim.

Nunca é demais lembrar que, durante o governo Robinson Faria, a gestão da saúde foi entregue a cinco secretários diferentes ao longo de quatro anos. Em média, os escolhidos ficaram menos de 1 ano na pasta, o que por si só já revela a tragédia que foi a saúde na administração anterior e herdada pelo governo do PT.

Defender o servidor público numa sociedade que vem se acostumando a criminalizar o papel Estado para o desenvolvimento do país é enfrentar interesses de grupos muito bem articulados, que enxergam o poder público como uma depenada galinha dos ovos de ouro.

Quem encara um desafio assim é digno de aplausos.

Clique para ajudar a Agência Saiba Mais Clique para ajudar a Agência Saiba Mais
Artigo anteriorPróximo artigo
Jornalista e autor da biografia "O homem da Feiticeira: A história de Carlos Alexandre"