OPINIÃO

Conflitos com indígenas, exaltação à ditadura e gestão pífia: como o bolsonarista Girão veio parar no RN

Muitas pessoas perguntam de onde surgiu o General Girão na política do Rio Grande do Norte. Apesar da expressiva votação em 2018 e o permanente esforço para bajular o presidente e ganhar holofotes da claque bolsonarista, o deputado ainda é um nome desconhecido do lado de fora das bolhas políticas.

Mas, afinal, quem é Elieser Girão Monteiro Filho?

O parlamentar nasceu em Fortaleza no dia 08 de maio de 1955. Em janeiro de 1973, após prestar concurso público, Girão foi convocado para ingressar na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN). Três anos depois, concluiu sua formação e foi declarado aspirante a oficial.

Em 1977, após decreto presidencial e portarias ministeriais, Girão foi promovido a 2º tenente do Exército. No ano seguinte, ascendeu ao posto de 1º tenente. Também em 1978, o então militar foi aprovado no vestibular da UFRN para o curso de Administração. Contudo, não constam registros sobre a conclusão da graduação.

Os anos se passaram até agosto de 2001, quando Girão Monteiro estava ocupando a patente de coronel no 7º Batalhão de Infantaria de Selva no estado de Roraima. Na época, o presidente da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), Glênio da Costa, relatou ao ministro da Justiça, José Gregori, sobre um incidente ocorrido no pelotão do Exército localizado no interior da Terra Indígena Raposa Serra do Sol.

Segundo documentos do período, o general Claudimar Magalhães narrou que um grupo de indivíduos tentou, sem sucesso, invadir o pelotão da região. Numa segunda tentativa, a guarda do local efetuou perseguição aos invasores “lançando um foguete de sinalização para clarear a área”. Ainda conforme o militar, “o efeito iluminador do foguete possibilitou visualizar o vulto de pelo menos um indivíduo” que se escondeu na área em que se encontravam os indígenas.

Na mesma data do episódio, o representante da FUNAI em Roraima, Martinho Alves, citou que foi procurado pelo coronel Elieser Girão. Na ocasião, o atual congressista do RN apresentou uma denúncia verbal contra os índios pelos atos ocorridos e os acusou de possuírem “treinamento desconhecido”.

Martinho Alves recordou que, em maio de 2001, recebeu uma denúncia de outra comunidade de índios de que soldados do Exército, com armas em punho, invadiram a localidade e proferiram ameaças de morte aos indígenas, inclusive crianças. O líder da FUNAI comunicou que entrou em contato com o oficial Girão para pedir esclarecimentos e tentar identificar os nomes dos envolvidos.

No entanto, na manifestação da Fundação do Índio sobre o fato de maio, consta o relato que Girão Monteiro “informou que já havia tomado conhecimento do incidente e que seria adotada providências no sentido de apurar o episódio”. Porém, curiosamente, “ressaltou que não acreditou na versão dos indígenas e que, ao mesmo tempo, soldados do exército brasileiro não seriam capazes de cometerem tais atos”.

Após o envolvimento nos episódios, coincidência ou não, Girão deixou o batalhão na região norte dos país para assumir um cargo na Polônia. Retornou ao Brasil em 2005 para trabalhar na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais – ESAO.

O ano de 2007 ficou marcado pela última promoção de Elieser Girão no Exército Brasileiro. O jornalista Gilberto Amaral, em sua coluna no Jornal do Brasil, noticiou a cerimônia de promoção dos novos generais no Palácio do Planalto com a presença do Presidente da República. Não consta nas redes sociais do atual deputado nenhuma fotografia do evento realizado com Luiz Inácio Lula da Silva.

Detendo agora a patente de General, Girão retornou ao estado de Roraima para assumir o comando da 1ª Brigada de Infantaria de Selva. Entretanto, não demorou muito para o oficial novamente se envolver em polêmicas na reserva indígena Raposa Serra do Sol.

Para contextualizar o caso, é necessário lembrar que em agosto de 2008 se iniciava o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) da ação que tratava da demarcação da área da reserva. Havia uma disputa entre indígenas e produtores rurais pela ocupação da área.

O STF analisava o mérito de um decreto presidencial de 2005 que homologou a reserva. A decisão do governo Lula beneficiou algo em torno de 15 mil indígenas de diferentes tribos da localidade que conviveram por mais de 20 anos em conflitos com grileiros, garimpeiros, madeireiros e agricultores. Somente em dezembro de 2008 a Suprema Corte concluiu o julgamento que decidiu pela constitucionalidade do ato presidencial.

Por outro lado, enquanto a sociedade vivia em maio de 2008 a expectativa do início do julgamento no Supremo sobre a faixa de terra em Roraima, o ativista Paulo Maldos alertava que Girão recebia nas dependências do quartel “uma manifestação política de arrozeiros”. Maldos ainda afirmou que o general incentivava os agricultores a “defenderem suas propriedades” em detrimento da homologação do espaço em favor dos índios.

No entanto, três meses depois dos fatos narrados por Paulo Maldos, a Folha de São Paulo anunciou a destituição de Girão Monteiro da função no norte do país. Para seu lugar, foi nomeado outro general de posição neutra. O jornal confirmou a informação de que o hoje deputado recebeu manifestantes contrários a demarcação em pleno auditório da Brigada.

Antes de deixar o estado, o ex-comandante recebeu uma comanda do governador Anchieta Júnior pelos serviços prestados em Roraima. O curioso é que, anos depois, o então mandatário estadual foi acusado pelo Ministério Público de envolvimento com grilagem de terras.

Eliézer Girão Monteiro nasceu no Ceará e hoje é deputado federal pelo RN / foto: Divulgação/Dep. General Girão

Elieser Girão foi transferido para a capital federal e assumiu cargos burocráticos no Comando de Logística do Exército. Desprestigiado, em março de 2009 optou por deixar as forças armadas e, logo em seguida, aceitou o convite de Anchieta Júnior para assumir a Secretaria de Segurança de Roraima.

No exercício de secretário de estado, o mais novo militar de pijama atuou de forma discreta, sem deixar grandes marcas como gestor público. Mesmo sendo responsável por uma área bastante problemática, utilizava o tema de segurança pública para justificar suas críticas à demarcação de terras indígenas. Sobre o assunto, chegou a publicar um artigo na repugnante página de exaltação da Ditadura Militar chamada de “Grupo Inconfidência”. No texto, omitindo a atuação de grileiros, afirmou ser injustificável a retirada de não indígenas de áreas demarcadas.

Em outubro de 2011, a revista Época estampou em sua capa a manchete “Os novos donos do tráfico”. A matéria faz referência aos “homens que controlam o crescente comércio de drogas no Brasil”. A reportagem detalhou como funcionava o esquema de distribuição de entorpecentes e destacou os principais nomes envolvidos no processo.

Em um trecho, a revista abordou sobre o tráfico na fronteira entre Roraima e a Venezuela. Consultado pelo repórter, o secretário Girão afirmou que os “índios foram arregimentados pelos traficantes”. O inusitado é que, apesar de todo aparato de segurança pública, o então secretário não fez referência a qualquer tipo de prova.

Em 2012, o general da reserva trocou de cadeira. Deixou a pasta que ocupava para assumir a Secretaria de Justiça e Cidadania. Assim como na função anterior, não teve qualquer destaque no novo ofício. Até que, em julho de 2013, foi exonerado pelo governador Anchieta Júnior.

Depois de alguns meses fora dos holofotes, no dia 10 de março de 2014, a governadora do Rio Grande do Norte, Rosalba Ciarline, durante uma reunião com o ministro José Eduardo Cardozo, anunciou o nome do General Girão como novo titular da Segurança Pública estadual. Diante do contexto, logo surgiu a especulação na imprensa de que o militar da reserva foi indicado pelo ministro petista.

Em meio a profunda crise na segurança pública, Eliezer Girão assumiu o cargo negando a relação com José Eduardo Cardozo, além de se comprometer com a melhora dos indicadores de violência. Questionado pela Tribuna do Norte sobre eventos violentos no estado, de forma bastante enfática, prometeu uma “caça imediata aos bandidos”.

Passados dois meses na função, Girão enfrentou uma manifestação de praças da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros. As lideranças do movimento afirmaram que em março entregaram uma pauta de reivindicações relacionadas as condições de trabalho. Maio chegou e os militares não tiveram do titular da pasta da Segurança Pública nenhuma resposta ou perspectiva de solução. Pressionado pelas forças de segurança, o secretário declarou ao Jornal de Hoje que não tinha tempo para ficar se reunindo com entidades representativas para tratar das reivindicações da categoria. Ainda se vitimizou, disse que não poderia ser feito de Cristo.

Girão, na época secretário de Segurança do governo Rosalba / foto: reprodução

O episódio da negociação frustrada com militares evidenciou o perfil de trabalho do secretário que foi pautado pelo comportamento soberbo, pela própria vitimização e fuga constante da responsabilidade. Ao invés de buscar soluções para os problemas, o secretário adotou uma postura agressiva contra os todos os críticos de suas ações como gestor.

Em outra circunstância, surgiu a denúncia que policiais civis da Delegacia Especializada em Homicídios (DEHOM) estavam utilizando veículos irregulares, coletes balísticos e munições vencidas. Diante da falta de previsão, os agentes envolvidos, como uma forma de protesto, devolveram os equipamentos impróprios para uso.

A ação dos policiais civis provocou uma reação destemperada de Elieser Girão que afirmou que policiais insatisfeitos deveriam procurar outra profissão. Tentando se eximir da responsabilidade e omitindo os problemas colocados em pauta, o secretário afirmou que a população reclamava da ausência de investigação dos delitos e, de forma irresponsável, declarou que a atitude dos agentes estava “atrapalhando nas investigações dos crimes”.

Enquanto a sensação de insegurança tomava conta do Rio Grande do Norte, em agosto de 2014 ocorria uma grande onda de assaltos aos transportes coletivos. O auge da crise ocorreu quando um motorista de ônibus de 37 anos foi assassinado durante um assalto em Parnamirim. A morte do trabalhador causou grande comoção no estado. Em protesto, os rodoviários promoveram uma paralisação das atividades na imediações do Midway Mall.

Diante da pressão da sociedade, a secretaria de Segurança Pública agendou uma reunião entre as forças de segurança com representantes da categoria dos rodoviários. Na reunião, Girão destacou algumas medidas reativas e preventivas realizadas pelo governo, além de outras ações futuras. Todavia, de forma inacreditável, o secretário cobrou dos motoristas e cobradores de ônibus ações preventivas contra novos delitos.

Durante setembro de 2014, houve uma rápida trégua na quantidade de ocorrências violentas nos transportes coletivos. Porém, de forma gradual, a violência foi retornando aos patamares do mês anterior. O estopim para a realização de uma nova paralização dos rodoviários foi quando, em outubro, um cobrador de ônibus foi baleado em Natal. Novamente os trabalhadores se viram obrigadores a protestar nas ruas. Procurado pelo Jornal de Hoje, Elieser Girão afirmou que medidas estavam sendo tomadas e, sem mostrar qualquer empatia com as pessoas envolvidas, ameaçou os manifestantes com a intervenção da Polícia Militar, caso ocorresse o fechamento de vias.

No final do governo Rosalba, existia uma certo consenso na mídia local de que Girão Monteiro pouco ou nada acrescentou na sua passagem pela secretaria. O ex-oficial do Exército se destacou mais pelas polêmicas do que pelo trabalho. Além de tudo, acumulou justificativas inusitadas pelo trabalho pouco relevante como chefe da segurança estadual. Houve até reclamação de que tinha muita gente andando armada no RN, conforme relatou o Jornal de Hoje em outubro de 2014.

A jornalista Anna Ruth Dantas afirmou na Tribuna do Norte uma inútil contenda de Girão com a imprensa. Enquanto o estado se afundava numa profunda crise de segurança, sem qualquer senso de prioridade, o gestor brigava com jornalistas para não ser chamado de secretário. Mesmo desligado dos quarteis, o auxiliar de Rosalba queria ser chamado de general.

Para sacramentar a melancólica passagem pela Secretaria de Segurança, o General Girão publicou em dezembro uma nota afirmando que, graça a uma “série de medidas e operações realizadas”, o número de homicídios no Rio Grande do Norte foi de 1497 mortes em 2014, contra 1532 no mesmo período de 2013. Os números representam uma modesta redução de pouco mais de 2%.

Encerrado o governo Rosalba, já em 2015, o general aposentado fixou residência na capital potiguar. Naquele ano, circulou nas redes sociais um texto com título “Alerta dos Militares”. O material, supostamente escrito pelo general Pedro Luís Braga, conclamava os militares para aplicar um golpe contra a presidente Dilma Rousseff. O conteúdo tinha o endosso de mais de 200 militares de pijamas. Dentre os signatários, aparecia o nome de Elieser Girão Monteiro Filho.

O portal Terra fez as devidas checagens sobre o texto golpista. O general Pedro Luís Braga negou a autoria do artigo. A Associação dos Militares da Reserva Remunerada, Reformados e Pensionistas da Paraíba, mesmo publicando o material em seu site, negou sua ligação ou apoio. Por outro lado, não foi localizado nas redes sociais do General Girão qualquer contestação pela utilização do seu nome como um dos apoiadores do movimento golpista.

Ainda em 2015, Girão esteve envolvido em Natal na fundação da Rede de Apoio à Democracia e Ações Republicanas, o Grupo Radar. Encabeçado por militares reformados, a associação tinha como discurso a “luta permanente contra a corrupção e os maus costumes”, além da defesa de uma intervenção militar no Brasil.

Dentre alguns textos golpistas publicados na internet, o Grupo Radar questionou o sistema de votação do Brasil, sugeriu o cancelamento do registro de partidos de esquerda e exaltou projeto que tinha como previsão a prisão de professores que “adotarem determinado posicionamento político partidário em sala de aula”. Houve até uma missa em celebração ao aniversário do golpe de 64. O grupamento chegou a ter espaço na mídia local, inclusive tendo Elieser Girão como representante em entrevista concedida à Rádio Cidade.

Ao longo de 2016, em paralelo a atuação no Grupo Radar, o General Girão publicou textos na internet recheados de frases feitas como “a sociedade brasileira não suporta mais tantos desmandos” e “mudar é preciso”. Mas o que chama a atenção nas palavras do militar aposentado são as críticas ferrenhas aos programas sociais, ao fundo partidário e as emendas parlamentares.

Políticos também não foram poupados das declarações de Elieser Girão. “Basta de incompetência e enganação” foi uma expressão utilizada para se referir aos governantes. Entretanto, mesmo com o discurso crítico em relação ao sistema político-partidário, em 2017 o ex-militar se tornou o secretário de Segurança Pública, Defesa Civil e Mobilidade Urbana da quarta administração de Rosalba Ciarline na prefeitura de Mossoró.

Desde o primeiro dia do mandato, a prefeita já tinha um dificuldade imediata que era greve dos guardas municipais da cidade. A paralisação foi deflagrada no final da gestão anterior e teve como causa principal o atraso dos salários e diárias operacionais. Por ser o titular da área responsável, Girão era o encarregado natural pela condução das negociações com a categoria.

O momento exigia equilíbrio do governo, pois a gestão estava apenas começando e nenhum chefe de executivo quer um momento de tensão nos primeiros dias de mandato. Todavia, do mesmo modo que aconteceu quando foi secretário estadual em 2014, Elieser Girão demostrou sua capacidade limitada de conviver com o contraditório, além da falta de solidariedade com os servidores que estavam com os salários atrasados. Ao invés de construir um diálogo com a categoria, o auxiliar de Rosalba fomentou uma crise ainda maior.

Quando todos aguardavam um acordo, o secretário fugiu do contexto local da greve para atacar o movimento sindical do país. No momento em que se esperava uma proposta de pagamento dos vencimentos, Girão afirmou que os sindicatos transformaram o Brasil em um lugar sem ordem. O clima se tornava cada vez mais tenso.

Temendo o aumento da proporção da crise, em um cenário de incapacidade do General Girão dialogar com os guardas municipais, Rosalba Ciarline afastou o secretário da zona de conflito e assumiu o comando das negociações. Logo nas primeiras reuniões, chegou-se a um acordo que culminou com o fim da greve. A atitude da prefeita evidenciou a ineficiência do militar da reserva.

Os meses se passaram e o general seguiu no cargo sem nenhuma grande marca ou destaque positivo, assim como foi nas suas passagens como secretário estadual em Roraima e no Governo do Rio Grande do Norte. Em paralelo, mesmo com tantos problemas na prefeitura, Girão permaneceu atuando no Grupo Radar, inclusive palestrando para os membros da entidade sobre o fracasso do estado brasileiro, além de organizar eventos pelo estado para divulgar o nome Jair Bolsonaro.

No início de 2018, Bolsonaro anunciou sua filiação ao Partido Social Liberal. No âmbito potiguar, o General Girão seguiu os passos do pré-candidato à presidência e também se filiou ao PSL. Estava muito claro as intenções eleitorais do secretário de Segurança Pública de Mossoró. O nome do auxiliar de Rosalba chegou a ser especulado para disputar a eleição majoritária daquele ano.

No prazo estabelecido pela justiça eleitoral, o general de pijama se desincompatibilizou da função pública e tornou-se apto a concorrer a qualquer cargo nas eleições de outubro de 2018. A hipótese de Girão disputar a sucessão de Robinson Faria não prosperou. Logo, a alternativa escolhida foi pela candidatura a deputado federal.

Durante a fase de pré-campanha em maio de 2018, o Brasil estava mergulhado em uma grave crise gerada pela greve dos caminhoneiros. Vários extremistas aproveitaram o movimento para defender uma intervenção militar no país. O General Girão se posicionou de forma contrária ao golpe, mas o argumento não estava vinculado a defesa da democracia. O pré-candidato argumentou que uma ação das forças armadas naquele momento poderia fortalecer a esquerda que, segundo palavras do postulante ao congresso, estava “morta” e sem chance de vitória nas eleições seguintes.

Para o processo de registro de candidatura, Girão Monteiro declarou ao TSE um patrimônio de 1 milhão de reais. O fato curioso é que, naquele mesmo ano, tramitava uma ação no Juizado Especial Cível do ex-secretário de Rosalba Ciarline contra uma instituição financeira. No processo, o antigo oficial solicitou o benefício da justiça gratuita. Porém, o magistrado indeferiu o pedido por considerar que “o endereço residencial do autor, o fato de ser aposentado e ter contratado advogado particular, elidem a presunção de pobreza”.

Iniciada a campanha, Elieser Girão aproveitou bem o fato de ser o único candidato a deputado federal pelo PSL no Rio Grande do Norte. A estratégia de se vender como o representante oficial do bolsonarismo na disputa para a câmara dos deputados funcionou. A tática gerou a expressiva marca de 81.640 votos, o que o tornou o sexto nome mais votado para o cargo. Graças ao resultado total da coligação com o Solidariedade, Democracia Cristã, PV e PSC, o militar aposentado foi eleito.

Na prestação de contas entregue à Justiça Eleitoral, o deputado eleito apresentou uma arrecadação de R$33.747,00. Entretanto, a críticas feitas pelo Grupo Radar ao fundo partidário foram ignoradas, visto que parte dos recursos recebidos pelo candidato tiveram como origem um repasse do fundo especial eleitoral do PSL.

Durante o segundo turno, acreditando ser o legítimo representante do bolsonarismo no RN, o futuro deputado não recebeu bem a aproximação do também deputado eleito Benes Leocádio ao candidato Jair Bolsonaro. Girão ficou bastante incomodado porque o ex-prefeito de Lajes foi recebido pelo futuro presidente no condomínio Vivendas da Barra no Rio de Janeiro.

Os últimos meses de 2018 foram marcados por polêmicas e falas desastradas do General Girão. Sem apresentar uma mínima fundamentação jurídica, o futuro parlamentar defendeu o impeachment e a prisão de ministros do Supremo Tribunal Federal. O atual aliado de Arthur Lira e hoje liderado de Valdemar Costa Neto, decretou o fim da velha política, defendeu uma limpeza nos cargos de direção da Câmara dos Deputados e clamou pela extinção de partidos políticos envolvidos com caixa dois e corrupção.

Ainda em 2018, o deputado eleito ainda exaltou o Ato Institucional nº 5. Mesmo com a censura, fechamento do congresso, cassação de mandatos, institucionalização da tortura e vários outros ataques, Elieser Girão declarou que o AI-5 foi necessário para a “manutenção da democracia do Brasil”. É importante destacar que o militar ingressou no exército apenas em 1973, ou seja, era apenas um oficial de baixa patente durante o restante da ditadura militar.

A partir de 1º de fevereiro de 2019, General Girão se tornou oficialmente um representante do Rio Grande do Norte.

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